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Guerra traduzida. Vamos agora aos destaques da imprensa ucraniana, num trabalho da jornalista Diana Rosa. E Diana, começamos com a manchete do Kyiv Independent, que diz que a Rússia dispara 10 vezes mais projéteis do que a Ucrânia.
E tem 30 vezes mais aviões a sobrevoar o espaço aéreo ucraniano do que a Força Aérea do próprio país. São 300 as aeronaves russas. O artigo do Kyiv Independent cita uma entrevista de Volodymyr Zelenskyy ao programa norte-americano PBS News Hour, numa altura em que a Ucrânia enfrenta uma escassez contínua de munições. Os atrasos na assistência dos Estados Unidos à Ucrânia já tiveram um impacto direto no campo de batalha, com vários exemplos. Um deles é a perda de Avdiivka, a principal cidade da linha da frente. E a propósito desta situação, Zelenskyy é claro nesta entrevista, quando diz que a continuar assim, a Ucrânia vai mesmo perder a guerra. Diz o chefe de Estado que sem o apoio norte-americano é impossível fazer face à ofensiva e, por isso, será apenas uma questão de tempo até ser declarada a derrota. Por isso, para Zelenskyy, Kiev precisa igualar a Rússia no número de projéteis. De relembrar, Luís, que a Rússia produz cerca de três milhões de munições por ano, que é quase três vezes mais do que os Estados Unidos e a Europa podem enviar para a Ucrânia.
Volodymyr Zelenskyy, que assina hoje o decreto lei sobre as alterações à mobilização de militares na Ucrânia.
Notícia avançada pela Ukrinform, a agência ucraniana. A lei estipula que estão sujeitos à mobilização homens com idades entre os 25 e os 60 anos. Até que a mobilização seja revogada, estes cidadãos devem andar a partir de agora e sempre com um documento de identificação militar para ser apresentado, quer seja a pedido da polícia, como dos oficiais de recrutamento ou dos guardas de fronteira. Depois da publicação da lei, todos terão de actualizar os dados pessoais nas sedes de recrutamento, como a morada de residência, informações de contacto e outros registos militares. O projecto contém disposições que permitem aos recrutas escolher de forma independente uma unidade de combate. Estão previstas ainda recompensas adicionais em caso de destruição ou captura de equipamento militar da Rússia. Um mês de serviço conta como três, se a pessoa for enviada diretamente para as áreas de combate enquanto a lei marcial estiver em vigor.
E agora, Diana, um alerta da União Europeia: a Rússia é responsável pelos riscos na central nuclear de Zaporizhzhia.
Como o país ocupante da maior central nuclear da Europa, a Rússia é responsável pelos riscos, mas também pela segurança da estrutura. É o que diz o embaixador da União Europeia no Conselho de Segurança das Nações Unidas, que lembra que a apropriação ilegal da central por parte de Moscovo aumenta significativamente os riscos para a segurança nuclear, podendo conduzir a acidentes com graves consequências para a Ucrânia e não só. De acordo com a agência de notícias Ukrinform, o diplomata lembrou que, pela primeira vez, um país que até é membro do Conselho de Segurança da ONU, se apropriou ilegalmente de uma central nuclear de um dos seus países vizinhos. Daí que Stavius Lambrinidis tenha sustentado que a única solução duradoura para terminar com as atuais ameaças graves à segurança nuclear, seja mesmo o regresso do controle da central às autoridades ucranianas.
E a Ucrânia atacou uma estação de radares na Rússia com recurso a sete drones kamikaze.
É uma notícia que faz manchete no Kyiv Post. Os serviços secretos da Ucrânia tiveram como alvo um radar na região de Bryansk, que monitorizava os céus a 700 km de distância. Este radar, avaliado em 100 milhões de dólares, ajudou as tropas russas a detectar armas ucranianas e a direcionar bombardeamentos. Deixou de funcionar na sequência deste ataque, é o que diz a Ucrânia, sendo que esta é a segunda estrutura deste género que é destruída pelas forças de Kiev.
E fica por aqui este episódio da Guerra Traduzida. Voltamos amanhã.