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Dia 29 de março, dia 399 da invasão. Começa aqui mais um episódio de "Guerra Traduzida" na Rádio Observador. E vamos começar com os jornais ucranianos num trabalho do jornalista Rui Casanova, que já aqui está junto de nós. Olá Rui, boa tarde.
Olá Miguel.
E a colaboração da Tânia Olinyk. Rui, vamos começar com o convite de Volodymyr Zelensky ao presidente chinês para visitar Kiev.
É uma notícia em destaque em toda a imprensa ucraniana esta quarta-feira. Também já aqui falámos desse mesmo convite na Rádio Observador. O presidente ucraniano revela que não fala com Xi Jinping há um ano, mas numa entrevista à Associated Press aproveita para convidar publicamente o líder chinês a visitar Kiev. De recordar que na semana passada o líder chinês esteve reunido com Vladimir Putin na Rússia e mostrou-se disponível para mediar a paz com a Ucrânia. Este convite é uma notícia em destaque nos jornais ucranianos. O jornal Pravda dá também destaque à reação da China que surgiu, entretanto. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China afirma que mantém diálogo com todos os lados da guerra, como até agora. Ainda assim, não dá informações concretas sobre este possível encontro.
Falamos agora de Bakhmut. O presidente ucraniano deixa alertas sobre esta cidade.
Cidade do leste da Ucrânia que, como temos referido várias vezes aqui em episódios de "Guerra Traduzida", tem sido um dos pontos mais críticos da guerra nos últimos meses. O presidente Volodymyr Zelensky está convencido de que se as Forças Armadas da Ucrânia não vencerem a batalha por Bakhmut, Kiev vai ficar ainda mais pressionada para chegar a compromissos que Zelensky diz serem inaceitáveis com a Rússia. São declarações em entrevista à Associated Press, a que o jornal Pravda dá destaque. Zelensky alerta mesmo que se Bakhmut cair, Vladimir Putin vai vender essa vitória à Rússia, ao Ocidente e também à China. Entretanto, analistas do Instituto Norte-Americano para o Estudo da Guerra, o ISW, estimam que o grupo russo Wagner avançou mais 5% no território de Bakhmut e que ocupa, neste momento, cerca de 65% desta cidade ucraniana.
Continuamos a falar desta entrevista de Zelensky à Associated Press. O presidente ucraniano falou também sobre o papel dos Estados Unidos na guerra.
Um papel crucial. Volodymyr Zelensky acredita que se os Estados Unidos pararem de fornecer assistência militar e financeira à Ucrânia, Kiev corre o risco de perder a guerra para a Rússia. O presidente ucraniano nesta entrevista, de resto, é uma entrevista que vamos falar várias vezes neste episódio de "Guerra Traduzida", Zelensky mostra-se também ansioso em relação às eleições norte-americanas do próximo ano, 2024. Zelensky teme que uma possível vitória do Partido Republicano possa vir a alterar o apoio, o sentido da Casa Branca à Ucrânia. Isto porque Donald Trump, que é candidato, já disse que se vencer, acaba com a guerra em 24 horas, assim que regressar à Casa Branca, acaba imediatamente com a guerra. E também já levantou dúvidas sobre se os Estados Unidos deviam estar a apoiar a Ucrânia com tantos milhares de milhões de dólares, como tem feito a administração Biden desde o início da invasão. Também o possível adversário de Trump nesta corrida à Casa Branca, Ron DeSantis, o governador da Flórida, já defendeu que defender a Ucrânia não deve ser uma prioridade política para os Estados Unidos neste momento. São declarações que deixam Zelensky nervoso para 2024. Declarações nesta entrevista à Associated Press, que foi esta quarta-feira divulgada.
E quem continua a apoiar a Ucrânia, Rui, é o Canadá.
O Canadá, que vai dar à Ucrânia 1,6 mil milhões de euros em apoio. Este novo empréstimo vai ser canalizado por meio do Fundo Monetário Internacional e visa ajudar o governo da Ucrânia a cobrir o déficit orçamental e também pagar serviços sociais, incluindo assistência médica, é o que explica o governo canadiano. E esta é uma notícia em destaque no jornal Pravda.
Falamos agora de entregas de comida em tempo de guerra, Rui.
Sim, porque a McDonald's na Ucrânia lançou um serviço de entrega de comida através da Bolt Food. É uma coisa que aqui estamos habituados e agora este serviço chegou à McDonald's na Ucrânia. Uma notícia também em destaque no jornal Pravda. A McDonald's explica que a entrega vai começar a funcionar primeiro em versão teste, em cerca de duas dezenas de restaurantes em Kiev e noutros quatro restaurantes em Lviv. Depois, explica a McDonald's em comunicado aqui citado pelo jornal Pravda, este serviço vai expandir-se de forma gradual para outras cidades na Ucrânia. De recordar que só muito recentemente é que a McDonald's retomou a operação dos restaurantes desta cadeia na cidade de Odessa, uma cidade ucraniana bastante atingida desde o início da guerra. E importa aqui falar desta notícia, ou seja, não estamos aqui a fazer qualquer tipo de publicidade à McDonald's ou a este serviço de entrega. Importa aqui, sim, sublinhar que é uma espécie de regresso aparente à normalidade, porque para nós pedir comida da McDonald's e vêm aqui entregar ao trabalho ou a casa é uma coisa completamente normal. Na Ucrânia, em guerra, não é assim tão normal e, portanto, a imprensa ucraniana dá destaque a esta notícia como forma de mostrar que a economia, os serviços sociais e a vida continua, apesar da guerra na Ucrânia. Parece uma coisa simples, mas importa aqui fazer essa análise, que é algo bastante relevante. E a imprensa ucraniana sempre que há este tipo de questões mais de lifestyle, algo mais normal para a população, a imprensa ucraniana dá bastante destaque a esse tipo de notícias.
Factos banais para nós e que na Ucrânia assumem outra relevância. E é com esta notícia que fechamos este episódio de "Guerra Traduzida" com o Rui Casanova e a Tânia Olinyk. Já a seguir, olhamos para a imprensa russa.