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Esta é a história do dia da Rádio Observador: será ainda possível salvar os ocupantes do Titan?
"This is going to sound very janky to a lot of people, but a lot of this submersible is made of off-the-shelf improvised parts. For example, you control it with an Xbox game controller."
David Pogue é jornalista e já subiu a bordo do Titan. Aqui, numa reportagem para a CBS, explica que a embarcação é feita de pedaços reaproveitados e é pilotada através de um comando de Xbox, uma consola de jogos. O Titan está desaparecido desde domingo. No pequeno submarino estão cinco pessoas: um piloto, um guia e três turistas que foram a quase 4 km de profundidade para ver os destroços do Titanic. A OceanGate é a empresa que fornece este serviço e cobra cerca de €230 mil por pessoa. O Titan desapareceu. E agora? Esta é a grande pergunta que lançamos ao comandante Baptista Pereira, da Esquadrilha de Subsuperfície da Armada. Eu sou o Ricardo Conceição e esta é a história do dia. Bem-vindo, senhor Comandante Baptista Pereira.
Muito obrigado, Ricardo. Muito obrigado pelo convite.
Quantos anos de experiência tem em submarinos?
Eu entrei na vida dos submarinos em 1999, portanto, em 2023 são 24 anos.
São quase 25 anos. Como descreve este submarino Titan? Que submarino é este?
Isto é um submarino científico, cultural ou turístico. É um veículo que eu, particularmente, considero ser um submarino. Há aqui sempre um jogo de palavras entre o submarino e o submersível. Na vida militar, não há dúvida, só há, neste momento, submarinos, já não há submersíveis. Na vida civil, dada a autonomia deste veículo, o número elevadíssimo de horas que pode fazer debaixo d'água, o facto de não ter um cordão umbilical com o navio-mãe, o facto de as comunicações já serem por ondas acústicas e, portanto, ele poder perder essas comunicações e poder estar de forma praticamente autônoma debaixo d'água, tem propulsão autônoma, o ser capaz de fornecer oxigênio e fixar o CO2 que há no seu interior, eu diria que é claramente um submarino. E, portanto, este submarino é um veículo utilizado por uma empresa que decidiu desenvolver uma série de veículos desta natureza para explorar o fundo do mar e depois comercialmente explora estas viagens, digamos, turísticas, a pontos do oceano onde há motivos de interesse. Ora, o Titanic tem todo o interesse.
Mas estamos aqui a falar de uma espécie de tubo com 6 m de comprimento, quase 3 m de altura e que tem uma pequena janela por onde os ocupantes podem olhar, por exemplo, para os destroços do Titanic, é isso?
É isso mesmo. É um cilindro, nós, em termos de construção naval, de arquitetura naval, como se chama, de engenharia naval, o cilindro reforçado com uma série de balizas e uma série de anéis de reforço, é aquilo que permite construir aquilo que se chama o casco resistente e que permite que no interior do submarino se mantenha uma atmosfera, a atmosfera normal que nós temos quando pisamos terra comum, e do lado de fora esteja a pressão do mar, a pressão da água, a procurar entrar por todos os meios. De facto, no topo, na proa, na parte da frente, vamos dizer assim, deste cilindro, é colocada uma tampa com uma janela em vidro, claro, um vidro especial, um vidro temperado, com uma espessura muitíssimo significativa, que permite depois, com recurso a holofotes que eles têm instalados no veículo, iluminar determinadas áreas que eles querem ver e depois, obviamente, permite a quem está no seu interior ver para o exterior. Deixe-me só dizer-lhe, os submarinos militares não têm qualquer tipo de visualização para o exterior.
Não há janelas num submarino militar.
Não há esta escotilha que permite o olhar para o exterior, que é aquilo que dá, de facto, o elã a este submarino.
O lado mais lúdico. E sabemos que tem cinco pessoas a bordo. Quanto tempo é que consegue estar submergido? É esta a expressão correta?
É essa a expressão correta, Ricardo, é submergido, efetivamente. Depende muito. Com as cinco pessoas, o fabricante fala em aproximadamente 96 horas de vida a bordo. Portanto, quatro dias. O tempo de descida para os 3.800 metros, o tempo de permanência junto aos destroços ou junto ao ponto de interesse que estão a observar e a vinda para cima é muito dependente de um conjunto de fatores que têm a ver com a pilotagem, com o interesse do próprio sítio que estão a observar. Eles podem, com facilidade, fazer mergulhos neste Destroço do Titanic, mergulhos de 18, 20 horas, porque estamos a falar de uma descida que pode levar cinco, seis, sete, oito horas, feita gradualmente.
É algo que tem que ser muito progressivo.
Tem que ser muito progressivo. Claro que, volto a dizer, ele pode fazer isto de uma forma mais agressiva, mas não ganha nada com isso, porque só coloca a própria estrutura do submarino numa situação de tensão e de estresse do material muito superior àquilo que se fizer isto por patamares, de uma forma controlada, de uma forma mais suave, dando tempo ao material para se acomodar à própria pressão hidrostática.
E para percebermos o nível de sofisticação deste submarino, importa dizer que tem RTM. Isto é algo de importante. O que é isto do RTM?
O sistema que refere é um sistema que permite ao piloto, a tripulação, como disse, eram cinco pessoas, e dessas cinco pessoas, um é piloto, outro será um historiador ou uma pessoa que conhece bem o destroço do Titanic e faz ali de cicerone.
Quem faz a visita guiada, no fundo.
Exatamente, o guia turístico, se quiser pôr desta forma. E três passageiros que pagaram significativamente para ir a 3.800 metros de profundidade, que é o equivalente quase de ir ao espaço. Para as pessoas terem uma percepção da dificuldade. Este sistema que referiu, o que permite é ao piloto que vai comandar o submarino, ter uma percepção de como é que o casco resistente, a estrutura de aço que está a suportar a pressão do mar, se está a comportar naquela descida. Exatamente para evitar acidentes. O que eles pretendem é medir o comportamento elástico. Estes cascos têm que ter um comportamento elástico. Ele comprime e quando vem para cima, ele volta elasticamente a distender para a posição inicial antes do mergulho.
E esse alerta dá tempo para corrigir alguma coisa ou é um alerta quando pode ser já tarde demais?
Pois, Ricardo, isso é uma excelente pergunta. De certeza que quem desenhou o sistema e o piloto que o opera, tem a esperança, sempre, de que a luz vermelha acenda a tempo dele corrigir a trajetória e evitar o acidente. Mas isto nem sempre é assim. Depois o detalhe do sistema em si, não o conheço na perfeição, mas obviamente percebo o conceito que está por trás. É fazer aviso antecipado ao piloto de que a sua plataforma não está nas melhores condições.
É como os apitos quando fazemos marcha atrás.
Tal e qual. É essa a ideia, é dar uma hipótese ao operador, ao piloto, de inverter o seu movimento e trazer para cima o submarino sem causar um dano irreversível ou sem provocar um acidente que leve à morte os seus ocupantes.
Já voltamos à conversa com o comandante Baptista Pereira, da Esquadrilha de Subsuperfície da Armada. Temos ainda de perceber como se localiza um navio tão pequeno no leito do Atlântico, a quase 4 km de profundidade. Estamos de regresso à conversa com o comandante Baptista Pereira, da Esquadrilha de Subsuperfície da Armada. Senhor comandante, este Titân, como explicava, tem 96 horas de oxigênio, está desaparecido desde domingo. Como é que se poupa oxigênio num submarino?
Ricardo, é uma pergunta muito simples, mas extraordinariamente complexa. É fácil, as pessoas têm que estar o mais quietas possível, de preferência a dormir, porque ao dormir nós libertamos menos dióxido de carbono e consumimos menos oxigênio, e devem estar tapadas com cobertores especiais ou pelo menos com roupa que permita manter a temperatura corporal, uma vez que aos 3.800 metros, naturalmente, a água é extraordinariamente fria. E portanto, esse frio transmite-se ao interior do Titân. Agora permita-me perguntar-lhe, Ricardo, e perguntar aos nossos ouvintes, como é que se descansa e como é que se dorme numa situação destas?
Exatamente. Porque além disso, e além desse cenário de frio que descreve, depois é preciso alimentação, água, e segundo li, há apenas uma casa de banho neste submarino, e este não é um pormenor despiciendo. Como é que será a vida a bordo numa situação destas?
Vamos ver, este submarino, ao contrário de muitos outros, enfim, dos nossos, dos militares, que têm realmente um espaço de habitação, um espaço de trabalho. Enfim, isto é um cilindro, Ricardo.
É um tubo, não é?
É um tubo. É um tubo com seis metros. Eles terão espaço para estar sentados, relativamente perto da escotilha para poderem ver para o exterior, porque é verdadeiramente isso que os leva ali, é ver, é ter contacto.
E estará muito escuro ou será totalmente escuro?
É seguramente muito escuro, que é combatido com os holofotes que eu acabei de dizer. Ele tem uma série de holofotes instalados que lhe permitem, obviamente, dar cinco, seis, sete, oito metros, dependerá dos dias, 10, de luz à volta do veículo. Agora, voltando à sua pergunta, eu não consigo imaginar, se estas cinco pessoas estiverem vivas, e Deus queira que sim, que estejam, o que é que estão a viver ali dentro. Porque volto a dizer, como é que se descansa, como é que não se hiperventila, como é que não se entra em pânico dentro de uma máquina desta? Na situação em que eles eventualmente se encontram. Porque eu há pouco dizia, vamos pensar na melhor situação, que é ele ter uma avaria que não o consegue vir para a superfície. Ele pode estar acento no fundo e aos 3800 metros, ele resiste àquela pressão, uma vez que ele está ainda acima da cota de colapso. Ou imagine que ficou preso num destroço do Titanic, que no meio do entusiasmo normal daqueles três passageiros que fazem uma viagem da sua vida, o piloto arriscou um pouco mais e aproximou-se mais do destroço do Titanic e ficou preso em alguma parte do destroço. Eles podem estar vivos ali naquela situação e a taxa de sobrevivência deles vai aumentar muito significativamente se eles se entenderem os cinco, se formarem uma equipa e se conseguirem remar todos no mesmo sentido, poupando oxigênio e diminuindo a emissão de dióxido de carbono. Agora, Ricardo, é fácil dizer.
Deve ser uma situação realmente terrível. E imagino que o sonar possa desempenhar aqui um papel fundamental na operação de busca e salvamento, e já vai explicar o que é um sonar. Como é que se conjuga essa necessidade extrema de ficar imóvel, de respirar o menos possível, com a necessidade de produzir ruídos para que sejam detectáveis pelo sonar? Ou as operações de busca já não se processam desta forma, eu diria, se calhar, tão arcaica?
Não é nada arcaica, Ricardo. A sua imagem está coberta de razão. Ainda que podemos distinguir, o sonar é um equipamento que pode ou que opera em activo, em que o próprio sonar transmite uma quantidade de energia para a água e recebe o reflexo da energia que transmitiu, ou pode também trabalhar em passivo, e eles seguramente também terão sistemas passivos no local, em que pode ouvir perfeitamente o ruído feito por um batimento de um martelo ou de um objeto na parte metálica do casco. Vamos separar as coisas. Na parte activa, é muito provável que estejam a ser usados sonares laterais, portanto sonares de alta resolução, para procurar o objeto. Ponho a questão aos ouvintes e ponho-os a pensar um pouquinho. Estamos a falar de uma área em que há um grande objeto, partido em múltiplas partes, que é o Titanic, e pergunto como é que nós vamos distinguir.
Exatamente.
Um ponto que seja dado pelo Titan ou um ponto do Titanic. Portanto, esse aspecto transforma logo a utilização dos sonares laterais, muito utilizados hoje em dia para a parte científica, para mapear o fundo do mar, sonares de altíssima resolução, com capacidade quase de descobrir uma agulha no palheiro. Mas é que ali o problema é que o palheiro tem muitas agulhas. E como é que nós descobrimos a agulha que queremos? Porque todo o Titanic é um conjunto muito significativo de agulhas.
Pois.
Portanto, esse é um aspecto. O sonar passivo, eu já referi anteriormente, eles têm que se organizar internamente. E portanto, enquanto quatro estiverem quietos, a dormir descansados ou o mais descansados possíveis, dentro daquelas limitações todas que já falamos, um outro poderá estar de X em X tempo a marcar um sinal através de um objeto no casco resistente, no metal do casco resistente, que permita a sistemas passivos na superfície, eventualmente ouvirem. Agora, estamos a 3800 metros de profundidade. O Ricardo disse no princípio do programa, quase quatro quilômetros.
Exatamente.
É muito difícil ouvir o que quer que seja a quatro quilômetros. Claro que o veículo que está à superfície, o navio que está à superfície e que dá apoio, com certeza que já pôs na água dispositivos em profundidade que permitem aproximar o mais possível dos destroços do Titanic, por forma a tentar captar esses eventuais ruídos que o Titan possa estar a fazer.
E o senhor comandante há pouco falava da cota de implosão, isso é a capacidade de resistência do navio à pressão?
É isso mesmo, Ricardo. A cota de implosão é a profundidade até à qual o aço, que é feito o casco resistente, aguenta, a partir da qual para baixo, ele pura e simplesmente cede à pressão e implode. Portanto, o contrário de uma explosão. Aquele cilindro diminui drasticamente de dimensão. Muito provavelmente a tampa onde está montada a escotilha salta fora, porque ela é apertada por cima e por baixo e acaba por ter o efeito da rolha, salta. E, portanto, nesse momento as pressões equilibram-se e naturalmente a implosão termina. Mas estamos a falar seguramente de uma diminuição de volume, se calhar, àquela profundidade de 3800 metros, de 40 ou 50% da dimensão do cilindro.
É para metade.
É para metade ou mais. Portanto, eu não tenho a matemática, isto não é uma matemática simples, mas é uma fração de segundos em que se começa a perceber que começamos a ver o casco a dobrar para o interior, salta a tampa e tudo desaparece.
Vamos imaginar o melhor cenário, que esta embarcação, posso lhe chamar embarcação, não sei.
Pode, perfeitamente.
É localizada.
Uma embarcação é um veículo que se desloca na água, não é?
Fica também esse ponto esclarecido. Como é que se faz o salvamento?
A primeira coisa é preciso localizá-lo. Depois é preciso perceber o estado em que está. Depois é preciso perceber se há vida no interior. E depois, a 3800 metros, é preciso, literalmente, pescá-lo.
Não dá para retirar as pessoas do interior.
Não, de todo. Ao contrário daquilo que acontece na busca e salvamento de submarinos militares, até determinadas profundidades onde é possível acoplar um veículo e trocar as pessoas do interior de um veículo para o outro, do interior do submarino para um veículo de salvamento, mas isto faz-se até aos 300 metros, 350 metros. Estamos a falar de 3800 metros. Estamos a falar de profundidades 10 vezes superiores àquilo que é possível fazer o salvamento com os veículos da NASA.
Será necessário rebocá-lo, içá-lo?
Nem mais, içá-lo.
Pesa 10 toneladas.
Pesa. Hão de chegar ao local, e hão de estar a caminho, seguramente, meios dos Estados Unidos, do Canadá, nomeadamente navios ligados à exploração petrolífera, navios de grandes dimensões, rebocadores de alto-mar de grandes dimensões, com uma estrutura que lhes permita, trabalhando em conjunto, se conseguirem passar um cabo ao Titan, procurar içá-lo.
E como é que se prende o cabo?
É preciso que o ROV que vá lá abaixo tenha um braço articulado e seja capaz de o prender.
Estamos a falar de um robô.
Estamos a falar do robô. E não sei se o Ricardo já reparou, eu já usei a expressão "se" muitas vezes.
Claro.
Estamos no mundo das suposições. Eu diria que é uma atividade de extrema complexidade e com uma pequeniníssima probabilidade de sucesso.
Mas essa tecnologia existe, está disponível e estas operações são uma corrida contra o tempo. De certeza que estão a ser fazer contas.
A operação é seguramente uma corrida contra o tempo. Repara uma coisa, Ricardo. Nós temos aqui um ROV não tripulado. Um ROV significa um veículo autónomo não tripulado, operado remotamente. O Luz, que esteve ligado ao nosso processo da extensão da plataforma continental e que operou em navios da Marinha, em navios do IPMA, etc, para fazer o mapeamento do fundo do mar. O ROV vai aos 6000 metros, o Luz vai aos 6000 metros. E vai com cabo. Claro que ele vem para cima com meios próprios. Ele vem para cima com meios próprios, ainda que auxiliado pela estrutura dos cabos que o suportam. Eu diria que é extremamente difícil trazer este veículo para cima.
E essa manobra, e vamos acreditar que tudo isso é possível, há pouco falava nessa descida muito gradual. Esse puxar, esse içar o navio terá de ser feito também de uma forma demorada e gradual? É preciso fazer uma descompressão à medida que vai subindo ou não?
Não. À partida, não, porque estamos a partir do princípio que não há pressão no interior do Titan. Estamos a partir do princípio que o Titan está assente no fundo ou preso numa parte de um destroço do Titanic e vamos pensar que ele apenas precisa de ser ou desprendido e a partir daí operar remotamente, autonomamente, ou, se ele estiver assente no fundo, ser então, aí sim, içado. O ideal era içá-lo quase que instantaneamente. Não há problema nenhum, porque as pessoas que estão lá dentro estão sujeitas à pressão atmosférica igual à que nós temos cá fora. Seguramente será uma operação que levará muitas horas para içar, como disse e bem, um veículo de 10 toneladas a partir de uma grua, que tem que ser uma grua que tenha capacidade para içar este tipo de peso, que seguramente não está disponível, não está ali ao virar da esquina. É preciso ir encontrar no mercado americano, no mercado canadiano, uma grua que tenha esta capacidade, pensar como é que a deslocamos para o local. Estamos a falar de 600 quilómetros de terra. Instalá-la, prepará-la e iniciar a operação. E depois o Ricardo disse muito bem, o cabo chega lá baixo e quem é que o prende?
E o tempo de oxigénio vai-se esgotando também.
E o tempo está a contar a desfavor dos tripulantes.
Senhor Comandante Batista Pereira, são escassas as hipóteses de conseguir retirar estas pessoas com vida.
São muito escassas, infelizmente, as hipóteses de tirar estas pessoas com vida.
Muito obrigado, senhor Comandante Batista Pereira.
Muito obrigado, Ricardo. Muito obrigado pela oportunidade que me deu.
Batista Pereira é oficial da Marinha, comandante da Esquadrilha de Subsuperfície. Esta foi a História do Dia. Este episódio contou com a colaboração do jornalista Manuel Rocha Leite, sonoplastia de Diogo Casinha e a música do genérico é do João Ribeiro. Eu sou o Ricardo Conceição. Até amanhã.