Ainda é cedo para formular pedidos de Natal, ou já se pode? Não quero cometer ilegalidades por cumprimento de coisas fora de prazo. Já basta o IUC. Vou arriscar. Neste Natal quero que 20 de Janeiro chegue ontem. Admito que seja um pedido complexo ao nível das leis da Física e tal, mas, que diabo, se não é um velhinho obeso que, qual Magalhães (o Fernão de Magalhães, não o fiascão de Sócrates) espacial, viaja pelo firmamento à conta da exploração de renas — sem prestar contas ao PAN — a satisfazer este meu pedido, ninguém o satisfaz.
Mas e qual a razão de antecipar uma data que ocorrerá em 40 dias para a data que se verificou há um dia? Simples. O facto de o mundo estar feito num oito. E de ser urgente que, nos Estados Unidos da América, assuma o controlo um Presidente que garanta que não assumem o controlo do mundo outros presidentes, doutros sítios onde os presidentes são pouco amigos dos cidadãos elegerem presidentes, e que acabem por impor, também a nós, presidentes que não desejamos ter como nossos presidentes. Acho que fui bastante claro. E repetindo a palavra “presidentes” apenas cinco vezes. Seis, agora.
A propósito de presidentes, mas daqueles que têm menos poder do que o titular de um passe sempre que há greve do Metro em Lisboa, agora é a vez de Paulo Portas ponderar uma candidatura à Presidência da República. Acho que é, sem dúvida, de avançar, porque matam-se dois coelhos de uma só cajadada. Aliás, bem feitas as contas – e não pelo Guterres – matam-se três coelhos de uma só cajadada.
Primeiro coelho. Com Paulo Portas na Presidência, seria, estou certo, facílimo adquirir os dois submarinos que Gouveia e Melo exigiu para continuar na Marinha. Não há razão para a coisa, com submarinos, não funcionar tipo h3. Tendo o Portas já comprado uns quantos, terá um cartãozinho para ir pondo os carimbos, que dão um bom desconto nos próximos submarinos. Até porque ficou mesmo a ideia do Portas ter uma relação óptima com o homem do stand.
Segundo coelho. Com dois novos submarinos para brincar às operações de perseguição ao tráfico de droga enquanto se gaba do tamanho do seu periscópio, Gouveia e Melo nem se lembra de voltar a terra, quanto mais de querer ser Presidente cá da terra. O que resolve um belo imbróglio a quase todo o espectro partidário nacional. E se me preocupa o bem-estar do espectro partidário nacional.
Como não me preocupar, se é um espectro tão comprovadamente competente e promissor, verdade? Espera. Esqueci-me do terceiro coelho. O terceiro coelho era maçar o PAN, usando a expressão “matar dois coelhos de uma só cajadada”. Uma atençãozinha para com o PAN. Mas também me preocupo com o Chega, por exemplo, e com a possibilidade de ainda decepcionar algum do seu eleitorado. Tanto é que me parece conveniente assumir que basta de achar que o Chega quer o fim da corrupção. Porque, se assim fosse, nem conseguíamos escutar André Ventura, tal o ruído da motosserra emprestada pelo Milei, que ele traria sempre em riste.
Fazer da luta contra a corrupção a grande bandeira e não ter, ao mesmo tempo, um plano para reduzir, drasticamente, o tamanho do Estado é um contra-senso. A corrupção grassa onde existe mais poder, onde existe mais dinheiro para corromper. Em Portugal, esse “onde” é o Estado e as empresas controladas pelo Estado, ou dependentes do Estado. Não dá para ter combate à corrupção na eira e TAP na esfera do Estado no nabal.
Milagres desses só mesmo o Senhor. Embora outros senhores sejam capazes de quase milagres, tipo Donald Trump. Basta ver o sucedido, há dias, na cerimónia de reabertura da Notre Dame, em Paris. O homem que, nem há dez minutos, era um facho que faria o Hitler dar um tiro na cabeça com vergonha do seu diminuto fascismo ainda nem é Presidente e já tem o anel todo areado à conta dos linguadões de tudo o que é “estadista” que vai ao beija mão. É que nem a COVID os detém!
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