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Esta é a história do dia da Rádio Observador: como se constrói um campeão inédito nas piscinas. Take your marks. São 22 segundos sem respirar. 22 segundos de explosão, aceleração, velocidade, resistência, sacrifício. 22 segundos e 80 centésimos para sermos mais exatos, porque na piscina o sucesso mede-se ao pormenor mais ínfimo e um centésimo de segundo pode ser o suficiente para fazer a diferença entre o esquecimento e a história. Com apenas 18 anos, Diogo Ribeiro fez o que nenhum outro português tinha alguma vez feito: alcançar uma medalha, a de prata, nos Mundiais de Natação que decorrem em Fukuoka, no Japão. A superação está-lhe desde cedo no sangue. Perdeu o pai ainda muito novo e é em memória do pai que nada com uma estrela de David tatuada no ombro direito. Em 2021, sofreu um acidente de moto que lhe podia ter condenado a carreira. Voltou mais forte, bateu recordes nos juniores e agora vem mostrar que é mesmo um caso sério, também entre os adultos. Como se constrói um campeão? E como se mudou um desporto onde os portugueses nunca tinham tido sucesso internacional? São questões para a conversa com António José Silva, presidente da Federação Portuguesa de Natação. Eu sou o João Santos Duarte e esta é a história do dia. Bem-vindo, António José Silva. Bom dia ou boa tarde aí no Japão, em Fukuoka, onde decorrem ainda os Mundiais de Natação.

Muito boa tarde e muito obrigado pelo convite para fazer parte do vosso programa.

O Diogo Ribeiro é uma daquelas histórias quase inacreditáveis, tanto de vida como desportiva. Enfim, perdeu o pai muito cedo, com apenas quatro anos. Há apenas dois anos sofreu um grave acidente de moto que o deixou durante um mês numa cama do hospital, podia ter lhe posto a carreira em risco. Eu sei que o António conhece o Diogo Ribeiro já há alguns anos. Para quem não acompanha também muito de perto a natação, fale-nos um pouco sobre quem é o Diogo e sobre este percurso, que começa em Coimbra, passa pelo Benfica e agora chega a este momento absolutamente inédito para a natação portuguesa.

O Diogo tem um percurso invulgar na natação, um percurso de evolução progressiva. Passou pelos diferentes escalões e com recordes nacionais em todos os escalões. Portanto, já se antevia que seria um nadador com grande potencial, mas do potencial talento até à realização do talento e à concretização do talento, há muitas variáveis de permeio que podem condicionar essa concretização. Na posse desta informação toda, nós, a Federação Portuguesa de Natação, decidimos criar naquilo que seria a pirâmide do alto rendimento em Portugal, o Centro de Treino de Alto Rendimento do Jamor, porque tínhamos outro centro de treino de formação pra alto rendimento em Maior, e ainda temos, onde forma os atletas pra alto rendimento e onde foram escolhidos aquelas que eram as maiores potenciais promessas que pudessem ser concretizadas a curto prazo neste centro de treino. E foi neste âmbito que o Diogo, juntamente com outros nadadores, alguns dos quais estão aqui presentes, nomeadamente o Miguel Nascimento, foram convidados a integrar este Centro de Treino de Alto Rendimento do Jamor, para o qual foi contratada uma equipa técnica de relevo internacional, uma equipa técnica que consta do seu treinador, diretor técnico, fisioterapeuta, médico, biomecânico, preparador físico e fisiólogo, onde permitem todos os dias e no terreno acompanhar aquilo que é o processo de evolução. Todas estas questões, que são tangentes ao resultado desportivo, fizeram com que o Diogo, como outros, conseguisse concretizar o seu potencial numa prestação, na performance, como se vai verificar nestes Campeonatos do Mundo e já se podia antever com resultados que alcançou no ano passado nos Europeus, nos Mundiais de Juniores e nos Europeus de Roma.

Sinto que neste momento sou o melhor do mundo, à mariposa, em juniores. E se trabalharmos bem, há sempre esse se, não é, um dia talvez também estar entre os melhores do mundo à mariposa nos adultos.

Em setembro do ano passado, a entrevista, aliás, aqui na Rádio Observador, no programa Nem Tudo Que Vai à Rede é Bola, o Diogo Ribeiro dizia já que acreditava que em breve iria estar entre os melhores do mundo na mariposa, nos adultos, em absolutos. Ora, menos de um ano depois, alcançou já esse feito. O António acreditava também que esta ascensão iria ser assim tão rápida?

Eu acreditava que o Diogo tinha potencial pra se garante nos grandes palcos internacionais. Mas como em tudo na vida, há um processo de maturação. O Diogo, pra vocês terem noção, foi o nadador que na final era o nadador mais jovem e mesmo assim alcançou o lugar que alcançou. Isso significa que tem um grande potencial, que se concretizou, e uma grande margem de evolução, maior do que os outros, porque é mais novo E que pode ainda estabilizar mais a sua posição naquilo que é a liderança da natação em determinadas provas a nível mundial. Portanto, acreditava e continuo a acreditar que o Diogo tinha todas as condições para ser um atleta, como já é, mas para se afirmar como atleta de nível mundial nas competições continentais, sejam europeias, sejam mundiais, sejam nos Jogos Olímpicos.

Nós, portugueses, obviamente, já conhecíamos um pouco do percurso recente do Diogo, mas este resultado terá também surpreendido, de certa forma, e diga-nos aí também, viveu tudo de perto aí no Japão, um pouco o mundo da natação, no sentido em que ele partiu pra final com o sétimo melhor tempo à partida e ele partia da pista número um, não estaria entre os favoritos.

Sim, mas a beleza do esporte e a beleza da natação, em particular, também está na expectativa que se cria e nas possibilidades que se criam e da própria surpresa que é gerada, como foi dito. O Diogo tinha todas as condições. Aliás, em conversa com o próprio treinador, o Alberto Silva, e com o Diogo, na manhã da competição, passei pela piscina, eles também estavam lá e estávamos a conversar um bocado. Ele dizia-me que tinha todas as condições pela análise biomecânica que tinha sido feita pelo biomecânico e pelo seu treinador, que teria possibilidades de fazer entre os 22.76 e 22.80. Eu disse: "Diogo, esse tempo é o tempo de pódio". Ele disse: "Pronto, então vamos pro pódio". Portanto, eu acreditava que isso podia acontecer. Tanto acreditava que no dia imediatamente anterior, naquilo que era a distribuição, por parte das entidades, dos prêmios, eu pedi para entregar o prêmio dos 50 metros mariposa, porque acreditava que o Diogo tinha essa possibilidade. E como eu também estive na entrega do prêmio dos europeus de Roma ao Diogo, juntamente com o Gabriel Lopes, e também nos Mundiais em Peru, onde ele também foi campeão do mundo e bateu o recorde mundial, também gostava de estar neste momento único da natação portuguesa e dessa afirmação a nível internacional, que seria a medalha, a primeira medalha portuguesa nos Campeonatos do Mundo. De facto, veio a acontecer.

Com esta medalha inédita, absolutamente inédita nos Mundiais de Natação, penso que de certa forma caiu também aqui uma espécie de mito que muitas pessoas tinham de que seria preciso um nadador sair para os Estados Unidos ou um país estrangeiro para ter a hipótese de chegar a este nível. Quer dizer, estamos aqui a falar de um jovem que está a fazer todo o seu percurso de sucesso em Portugal. O António José Silva já falou um pouco da aposta que tem sido feita pela Federação e passa, de facto, pelo pormenor também. Falou em biomecânica. É tudo trabalhado e tudo estudado aqui ao pormenor para conseguir alcançar esse nível de sucesso?

Sim, não tenho dúvidas. Nós experimentamos. Nós tínhamos uma de duas hipóteses. Não foi uma questão de experimentação, foi uma questão de disponibilidade e de recursos disponíveis para dar resposta às necessidades dos nossos nadadores. Quando nós assumimos a Federação Portuguesa de Natação, o nosso modelo de alto rendimento passava exatamente por descentralizar a participação dos nossos nadadores em centros de treino de referência mundial. Por quê? Porque à data, estamos a falar de 2012, 2013, 2014, primeiro mandato, não tínhamos recursos financeiros disponíveis. A Federação tinha um orçamento de cerca de dois milhões e quinhentos mil euros, 95% dos quais de contratos de programa do Estado, o IPDJ e Comitê Olímpico, e poucas receitas próprias. Portanto, não tínhamos condições para assumir aquilo que era a nossa vertente, aquilo que era a nossa prioridade, aquilo que era o nosso paradigma. Na exata medida em que fomos construindo o edifício, a estrutura do edifício da Natação Portuguesa, massificando, aumentando os números e passando a um orçamento, que é o orçamento que temos hoje em dia de oito milhões de euros, dos quais 35% são de contratos de programa com o Estado e 65% são receitas próprias, tivemos condições de fazer aquilo que nós acreditamos, que é trazer referências técnicas pra natação portuguesa, de tal forma que possam trabalhar com os nossos melhores nadadores, por um lado, e deixar escola junto dos treinadores, por outro lado. E foi nessa sequência que foi feito todo este edifício de contratação destas pessoas que dão resposta ao processo de treino. E por quê ao pormenor? Porque o processo de treino, como resultado que conseguiu aqui, é decidido em centésimas, portanto, tem que ter trabalhado à centésima. E não basta, com todo o respeito, eu sou pessoa de universidade, sou pessoa catedrático, a minha área é biomecânica e treino desportivo também. Mas uma coisa são os metodólogos do treino e os biomecânicos das universidades e que de vez em quando vão trabalhar com os atletas, seja no atletismo, seja do ciclismo, da natação, da canoagem, do que for. Outra coisa é ter um treinador com a sua equipe técnica a trabalhar no terreno diariamente, de manhã, à tarde e à noite, com os nadadores. E foi isso que nós fizemos, essa nossa grande alavancagem, que foi pôr uma equipe técnica dedicada e uma equipe de suporte ao processo de treino dedicado, que conseguisse dar resposta àquilo que são as necessidades dos nossos nadadores.

Já voltamos à conversa com António José Silva, presidente da Federação Portuguesa de Natação. Na segunda parte, vamos falar também do futuro e do que se espera agora, também de Diogo Ribeiro, já com os Jogos Olímpicos do próximo ano em Paris, na mira Estamos de regresso à conversa com António José Silva, presidente da Federação Portuguesa de Natação. António, projetando aqui também aquilo que poderá ser o futuro. O Diogo foi o primeiro português a conseguir os mínimos para os Jogos Olímpicos de Paris no próximo ano. Já está apurado para três distâncias diferentes. Com este resultado agora em Fukuoka, as atenções e expectativas serão também maiores. Isso é algo que também será importante gerir, até por parte do próprio atleta?

Sim, essa é uma componente determinante no processo do resultado desportivo, que é a componente psicológica, a maturidade com que ele consegue controlar a ansiedade competitiva e consegue controlar as variáveis comportamentais que podem influenciar no resultado. Aliás, a diferença entre a meia-final do Diogo e a final demonstra exatamente isso, a sua capacidade e a aprendizagem que teve naquele processo de atenção máxima, que é uma meia-final, que até nem correu muito bem ao Diogo, e a capacidade que ele teve de aprender e se superar para a final. Isto é algo que se aprende com o tempo. Quando eu falava em maturidade, falo exatamente nisto. A maturidade tem que ver exatamente com o processo de aprendizagem, que leva a que os nadadores ou qualquer atleta consiga evoluir face àquilo que são as condições que se apresentam, as variáveis que se apresentam em contexto competitivo. Mas, por outro lado, há o aspecto positivo. Qual é o aspecto positivo? É que o Diogo começa a ganhar a confiança como atleta de referência, de tal forma que consiga estar mais à vontade nos palcos das competições internacionais. É exatamente isso que também é a vantagem que decorre de um resultado. Ou seja, cria uma expectativa maior, mas dá-lhe outra confiança para encarar momentos competitivos importantes que resultam da sua experiência e da aprendizagem.

Obviamente, com este resultado, e não querendo fazer futurologia, porque depende de muitos fatores, mas há uma esperança maior que possamos ter também uma inédita medalha, eventualmente em Paris.

Eu não sei se há uma esperança de podermos ter uma medalha em Paris. O que eu sei é que a margem de progressão que o Diogo tem é muito grande. Estamos a falar do Diogo, mas poderíamos estar a falar de outros nadadores que representam a seleção nacional, representaram a seleção nacional aqui nos Campeonatos do Mundo, uns que já acabaram e outros que ainda vão começar. Isto para dizer o quê? Para dizer que a expectativa existe, como é óbvio, mas aquilo que é exigido a estes nadadores e que nós, Federação Portuguesa de Natação, exigimos em qualquer participação competitiva de seleções internacionais, nos diferentes escalões, seja de junioridade, seja júnior, seja absolutos, como é o caso, é que eles encarem a competição de uma forma de superação, porque se melhorarem a sua marca, de certeza que batem o recorde nacional. E se bater o recorde nacional, as probabilidades de serem qualificados para uma meia-final e final, e depois de estar numa final, poderem lutar por um lugar de pódio são muito grandes. Portanto, é uma luta consigo próprio, não é uma luta com os outros. E é isso que a gente quer transmitir. Agora, não há dúvidas que se o Diogo continuar com a sua margem de progressão, o que é natural, porque é muito novo e ainda vai evoluir muitas componentes de treino, as possibilidades e as probabilidades de alcançar resultados de nível internacional nas competições são muito grandes e aí também se inserem os Jogos Olímpicos, onde ainda existe um ano para trabalhar. Portanto, exatamente há um ano, aliás, desde ontem faz um ano para o início dos Jogos Olímpicos na natação desportiva, na natação competitiva. Portanto, o Diogo tem a partir de agora um ano para melhorar determinadas componentes do treino e para lutar pelo seu sonho, que é uma final olímpica, estando numa final por uma medalha olímpica.

O que referia há pouco é interessante e ajude-nos também a perceber o que vai na cabeça de um nadador. Portanto, o objetivo é sempre melhorar a sua própria marca, tentar fazer cada vez menos tempo e a partir daí, o que vier, se vier uma medalha, obviamente, mas é sempre superação, não é?

Ótimo. A questão é exatamente essa. A questão é: aquilo que se pode exigir ao nadador é que ele melhore a sua prestação, porque a única variável que ele controla é a sua prestação. O resto ele não consegue controlar. Consegue controlar como? Indiretamente, porque se melhorar a sua prestação, vai melhorar a sua posição na classificação. Como disse muito bem, o tempo de entrada do Diogo dava-lhe o sétimo ou oitavo lugar. Quando vai para a final, estava com o sétimo lugar. Se ele não se superasse e se ele não melhorasse a sua marca que fez, de 23.05 para 22.80 na final, não conseguiria lutar por lugar de pódio. Mas como melhorou, que é aquela variável que ele pode controlar, e bateu o recorde nacional, a probabilidade que ele tem, devido ao seu nível, de lutar por lugar de referência, que é o lugar de pódio, é muito grande, que foi aquilo que se verificou. É isso que os nadadores têm que estar focados, em não se preocuparem com os outros, mas se preocuparem com a sua prestação e com as componentes que podem controlar. E é isso que o Diogo é bom. O Diogo é muito bom porque tem uma mentalidade competitiva muito forte. Consegue estar com o nível da excitação pré-competitivo ótimo, sem estar suficientemente nervoso para quando entrar na água, olhar só para si, para as suas competências, para as suas habilidades e chegar ao fim e ver no marcador eletrónico se ficou em primeiro, segundo, terceiro ou qual foi a classificação que ficou, neste caso, ficou em segundo lugar.

O Diogo é já comprovadamente um grande talento, mas também por isso penso que há aqui uma outra questão que surge, que é: este será um caso isolado na natação em Portugal ou acredita que nos próximos anos teremos outros talentos que poderão também emergir nas piscinas?

Não tenho dúvidas. Já temos, não é teremos, já temos outros talentos que estão a emergir nas piscinas. Aliás, a prova evidente disso são os resultados da natação portuguesa nestes mundiais. Ainda ontem tivemos o João Costa a fazer mínimos olímpicos Numa prova excecional que se melhorasse pouco mais um pouco lhe daria uma final no Campeonato do Mundo, que não é coisa de somenos importância. A Angélica André, na maratona olímpica dos 10 km no Campeonato do Mundo, ficou em quarto lugar. O dueto da natação artística foi à final. Portanto, isto não são casos aleatórios ou isolados. É fruto de um trabalho estruturado, pensado, estratégico, que faz com que os talentos potenciais lhes sejam criadas as condições de promoção e enquadramento para que possam atingir o resultado de alto nível. Aliás, há um acrónimo muito grande, uma designação muito lata que se chama a identificação, a seleção, a promoção e a orientação de talentos desportivos. Nós podemos identificar muitos talentos. O Diogo é um talento que podia ser identificado e ser selecionado, como foi. Mas se não houvessem medidas de promoção e enquadramento deste talento, o enquadramento todo necessário, técnico, estrutural, organizativo, ele nunca conseguiria concretizar o seu potencial talento em sede de competições internacionais. Portanto, tudo isto é um sistema e este sistema está montado. Agora, é preciso que na cadeia de entrada haja talento e o percurso seja montado e o processo seja montado para potenciar este talento. O que é que pode ocorrer? Muitas vezes o talento não nasce, tem que ser procurado e pode não existir. Pode ocorrer a escassez de talento, que faz com que depois, durante o sistema, não se concretizem porque não têm potencial atlético para isso acontecer. Neste caso, estamos na presença de um atleta com grande potencial, que lhe foram dadas as condições para concretizar. E há outros, como já foi dito, e acredito que há outros que já estão identificados e que podem seguir este processo na natação portuguesa. Não é todos os dias que temos Phelps, que tem 24 medalhas de ouro olímpicas, que é um talento. Não nascem todos os dias talentos desses. Podem existir talentos menores que não deixam de ser talentos, mas não são o Phelps. Portanto, a diferença é essa. Mas está feito também que não é dar um pontapé numa pedra e aparecem quatro ou cinco Diogo Ribeiro diariamente.

Obrigado, António José Silva.

Muito obrigado pela vossa disponibilidade.

António José Silva é presidente da Federação Portuguesa de Natação. Esta foi a história do dia. E tenho ainda um pedido que é importante para nós. Se acompanha diariamente a história do dia, não se esqueça de clicar em seguir na plataforma que usa habitualmente para ouvir podcasts. Neste episódio, ouvimos sons do programa Nem Tudo o Que Vai à Rede é Bola, da Rádio Observador, e ainda da Federação Internacional de Natação. A sonoplastia é da Beatriz Martel Garcia, a música do genérico, do João Ribeiro. Eu sou o João Santos Duarte. Até amanhã.