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Esta é a história do dia da Rádio Observador: Os dias do Adeus. Como é que os britânicos estão a despedir-se de Isabel II?
Just to be here and to be near the royal family and feel the atmosphere and it's the sadness, and we just need to be part of it.
What do you think about having now a new king?
Yes, that's lovely, but it's going to be hard to say, God save the king, because we've used the Queen all my life. It's been Queen all my life, so king is going to be difficult.
Toda a vida tive uma rainha e vai ser estranho agora ter rei. O sentimento aqui expresso por Janet, num testemunho à Rádio Observador, será certamente partilhado por muitos outros milhões de britânicos. Eles que durante toda a vida se habituaram a essa constante. Durante 70 anos o mundo podia dar muitas voltas, mas a rainha era Isabel II e a rainha estava lá, inalterável como sempre. Janet veio prestar homenagem a Isabel II no memorial no Green Park, perto do Palácio de Buckingham, e trouxe a filha e a neta. Uma mistura de gerações que representa bem o alcance de Isabel II. E foi a mais nova, a pequena Beatrice, que insistiu que viessem trazer as flores.
She's nice, kind, she's done everything for us and she's lovely.
Is it important for you to bring the children here also?
Yeah, Beatrice asked if she could come down. She wanted to be here when the funeral was on, but obviously, we said no, so we decided to come down today to give some flowers, but it was Beatrice's idea to come down, wasn't it, sweetheart? Yes.
São 10 dias em que os britânicos se despedem de Isabel II. O corpo da rainha ainda está na Escócia. Este domingo saiu de Balmoral num cortejo até Edimburgo, acompanhado nas estradas por milhares de pessoas. Depois viaja para Londres, onde vai ficar em câmara ardente até ao funeral, na segunda-feira, 19 de setembro, na Abadia de Westminster, abadia histórica onde reis e rainhas são coroados e onde Isabel II se casou. O rei Carlos III foi oficialmente proclamado no sábado em Londres e no domingo foram realizadas também cerimónias de proclamação na Escócia, Gales, Irlanda do Norte e outros membros da Commonwealth, como a Austrália e Nova Zelândia. Nesta história do dia, vamos perceber como os britânicos têm estado a despedir-se de Isabel II e vamos falar também do que está previsto acontecer esta semana, na contagem decrescente para o funeral da rainha. Eu sou o João Santos Duarte e hoje vou falar com o Luís Soares, enviado especial da Rádio Observador a Londres. Bem-vindo, Luís.
Olá, João.
O centro oficial das homenagens à rainha Isabel II, aí em Londres, tem sido Green Park, perto do Palácio de Buckingham. É lá que está o memorial, uma vez que os acessos ao palácio foram cortados. Tu tens passado por lá também nas últimas 48 horas. Descreve-nos um pouco o ambiente que tens encontrado.
Tem sido um ambiente misto, digamos assim. Se por um lado, há alguma emoção e há alguma comoção por causa da morte da rainha, por outro lado, há também alguma expectativa e até alguma satisfação pelo facto de haver um novo rei. Isso é, por um lado, uma situação que causa alguma estranheza, o facto de ao longo de todos estes anos haver uma rainha, falarem da rainha, e agora passarem a ter um rei. Mas centrando-nos no que se tem passado neste Green Park, que fica exatamente ao lado do Palácio de Buckingham, tem sido um local para onde foram trazidas todas as flores, que nos primeiros dias, nas primeiras horas, foram colocadas junto ao Palácio de Buckingham. Elas foram todas colocadas num local que foi devidamente identificado neste Green Park, logo ao lado. O local está vedado, tem uma entrada, tem uma saída, e é aí que as pessoas vão entrando e vão colocando, depositando, sobretudo em torno das árvores e também em filas, as flores com mensagens e também alguns balões para homenagear a rainha. Entre as emoções que se podem encontrar, há alguma comoção também, alguma emoção pela morte da rainha, porque é alguém que diz muito a estas pessoas e que as pessoas se habituaram a ver aqui no Reino Unido como um exemplo e, portanto, há certamente e naturalmente uma certa comoção.
I wanted to come and just pay my respects to Her Majesty, who I'm a big fan of.
Why was she so important?
Well, like a lot of English people, I've had her my whole life. Always had a queen, never a king. And she steered our country with such grace and elegance.
E depois alguma estranheza, porque efetivamente passam a ter rei e isso é algo que é estranho. Depois, temos também uma outra situação que é alguma surpresa, nomeadamente das pessoas mais velhas, pessoas mais idosas e que acompanharam, provavelmente, grande parte, se não todo o reinado da rainha Isabel II. Alguma surpresa pelo facto de haver tanta gente, tantas pessoas que estão ou têm estado, e vão continuar a estar, naturalmente, a prestar estas homenagens à rainha.
Well, I just grew up with the Queen, because I'm an older person. It means so much to so many people. It's a very collective thing. It's very nice to be part of rather than just see it on television.
E no meio de tantos milhares de pessoas, como não podia deixar de ser, também encontraste portugueses.
Neste caso, até é engraçado, porque foram os portugueses que me encontraram.
Encontraram-te a ti.
Exatamente. Confesso que não tenho encontrado muitos portugueses naquela perspectiva que estamos habituados, de que se eu falar português em qualquer lado. Mas, efetivamente, eu estava em St James a acompanhar as cerimónias da proclamação do Rei Carlos III e estava concentrado, estava a ver informação, estava a escrever também algumas coisas, de microfone na mão, claro, e fui abordado por três portuguesas que estavam a fazer um vídeo, a questionar-se o que se passava ali, com tanta gente, com tanto aparato, e estavam a fazer um vídeo em que diziam: "Está aqui um jornalista português, vamos perguntar-lhe o que é que está aqui a acontecer". E eu expliquei-lhes o que é que estava a acontecer e, claro, aproveitei também a deixa para lhes fazer uma entrevista. E o que estão aqui a fazer nesta zona do Palácio de St. James?
A gente chegou na quinta-feira, por volta das 18h, quando estávamos no aeroporto, tivemos a notícia que a Rainha tinha falecido. O interesse era todo em ver a Rainha, porque achávamos que íamos ver a Rainha e não conseguimos.
E estão na expectativa agora de ver o Rei, já que não viram a Rainha, têm a expectativa de ver o Rei?
Sim, Carlos III. Agora passa a ser emblemática da cidade, portanto, também é um marco.
Há também muitos turistas em Londres que querem agora viver de perto estes dias históricos?
Sim, há bastantes turistas, alguns que vêm por causa destes dias históricos, outros que já tinham planeado vir e efetivamente acabaram por vir nestes dias que estão relacionados com a morte da Rainha Isabel II. Eu estive com alguns deles, estive na zona onde vão ser depois as cerimónias fúnebres, na zona de Westminster, também na zona do Parlamento britânico, e aí há efetivamente muitos turistas, continuam a existir muitos turistas, muitos grupos de turistas até com os tradicionais guias turísticos que vão explicando o que se passa. O que acontece é que eles não podem nestes dias entrar nos monumentos históricos porque eles estão fechados por causa da morte da Rainha, em homenagem à Rainha, os monumentos, sobretudo aqueles que estão relacionados com a monarquia, estão encerrados. Isso foi motivo de alguma frustração para alguns turistas, para outros nem tanto. Mas depois há também aqueles que são turistas internos, digamos assim, aqueles que estão aqui precisamente para vir prestar homenagem à Rainha, são até residentes no Reino Unido, noutras regiões do Reino Unido, e que vêm aqui a Londres precisamente para prestar uma homenagem e aproveitam também para alguns passeios e para tirar algumas fotografias.
I am deeply aware of this great inheritance and of the duties and heavy responsibilities of sovereignty which have now passed to me.
Ouvimos aqui o novo rei Carlos III a falar já após a sua proclamação oficial que aconteceu no sábado. Ajuda-nos também a compreender um pouco o que aconteceu neste fim de semana, nestas últimas 48 horas.
Há dois eventos, no fundo, a decorrer em paralelo, que é por um lado a morte da Rainha e todas as cerimónias fúnebres que vão ainda continuar durante alguns dias, mas também há essa proclamação do Rei, porque assim que a Rainha morre, Carlos passou a ser Carlos III, mas é preciso todo o ritual e todo o cerimonial necessário para que ele seja proclamado rei. E foi isso que aconteceu precisamente neste fim de semana. No sábado houve essa cerimónia no Palácio de St. James, em que houve a reunião que decidiu proclamar Carlos como rei, uma primeira parte em que estavam os responsáveis deste grupo que toma esta decisão e que proclama esta decisão, e depois uma segunda parte em que Carlos assinou todos os papéis e assinou realmente essa proclamação. Depois, no final, o Rei de Armas foi à varanda anunciar a proclamação, que foi feita às 11h e depois ao meio-dia, também no Palácio da Bolsa. Depois de ter sido feita a proclamação em Londres, a comitiva tem estado por estes dias também em várias regiões do Reino Unido a proclamar também Carlos como Rei Carlos III, nomeadamente na Escócia, no país de Gales, enfim, em todas as regiões em que é naturalmente necessário dizer à população, porque fazem parte do Reino Unido, dizer à população que tem um novo rei.
Is it strange to have a king now?
Very weird for Charles to be the king. I mean, I'm sure he'll be a good king, but it just feels a bit odd because he's the Prince Charles and now I keep hearing about Charles III. That's a little bit odd.
Nas tuas reportagens, tens obviamente também perguntado muito às pessoas sobre este novo rei, sobre Carlos III. Que opinião ou que expectativa é que os britânicos têm agora sobre Carlos?
Há também aqui opiniões mistas. Se por um lado há quem espere para ver, nomeadamente aquele cidadão mais idoso com quem nós falámos Dizia que é preciso esperar para ver. Ele viu muita coisa durante estes anos, durante o reinado de Isabel II e, portanto, saberá muito bem que houve algumas questões relacionadas com Carlos enquanto príncipe de Gales e diz que é preciso esperar para ver. Outras pessoas não têm grandes expectativas porque acham que é a sucessão natural e é importante terem um rei ou uma rainha, neste caso é um rei. Acham que é importante ter, porque é preciso que a monarquia continue e grande parte dos cidadãos do Reino Unido apoiam a monarquia e acham que é importante ter um rei. As expectativas são mesmo positivas, no sentido em que é preciso que exista alguém que represente a nação.
E na continuidade daquilo que foi Isabel II, não é? As pessoas também falam muito nessa questão de uma certa continuidade.
Exatamente, e apoiam isso porque respeitavam muito Isabel II, concordavam muito com a forma como ela sempre geriu a monarquia e esperam que isso continue da parte de Carlos III.
Estes são os aplausos à passagem do carro que transporta o caixão da Rainha, um momento a que milhares de pessoas quiseram assistir este domingo. O corpo de Isabel II começou a viagem em direção a Londres, mas para já ainda vai permanecer na Escócia.
Sim, é um percurso que ainda vai demorar até Londres, uma vez que a Rainha, como sabemos, morreu em Balmoral e só neste domingo é que o corpo saiu de Balmoral em direção a Edimburgo. O corpo da Rainha vai permanecer precisamente na Escócia durante mais alguns dias, nomeadamente até esta terça-feira, quando à noite ou ao fim da tarde, vai chegar a Londres. O voo final entre a Escócia e Londres está planeado chegar às 19h desta terça-feira. Depois, continua todo esse cerimonial já aqui em Londres, com o caixão a viajar desde a chegada ao aeroporto até ao Palácio de Buckingham. É lá que o corpo vai ficar nessa noite de terça-feira, na chamada Bow Room, que é uma das salas do Palácio de Buckingham. Depois, na quarta-feira, pouco depois das 14h, é a vez do corpo da Rainha viajar em público, numa viagem que vai sair do Palácio de Buckingham para o Westminster Hall, por volta das 14h. Esta viagem vai acontecer ao longo de cerca de 40 minutos, é isso que está previsto, ao longo de várias ruas, como o The Mall, que é a grande avenida que sai precisamente do Palácio de Buckingham. Também outras avenidas como a Whitehall, o Parliament Street, o Parliament Square, que são zonas onde eu estive também por estes dias e que apesar desta cerimônia acontecer apenas na próxima quarta-feira, já há muitos preparativos aqui nesta zona, com muitas baias de segurança ao longo dos passeios para impedir as pessoas de passarem dos passeios para a estrada, para que permitam que esta procissão acabe por passar e possa passar sem qualquer problema até chegar a Westminster Hall, que é onde vai ficar em câmara ardente o corpo da Rainha Isabel II. E lá vai ficar durante alguns dias, até ao dia de segunda-feira, quando acaba o velório de Estado e quando o caixão vai sair do Westminster Hall para a Abadia de Westminster, que é precisamente ao lado e é onde se vai realizar o funeral de Estado, sendo que nessa segunda-feira, dia 19 de setembro, será feriado no Reino Unido.
Obrigado, Luís.
De nada, João.
Luís Soares é o enviado especial da Rádio Observador a Londres nestes dias históricos em que os britânicos se despedem da Rainha Isabel II. Pode acompanhar as reportagens do Luís na rádio ou também ler no site os artigos dos nossos outros enviados, a Cátia Bruno e o João Porfírio. Esta foi a história do dia. Neste episódio usámos também sons da BBC News. A sonoplastia é da Beatriz Martel Garcia e a música do genérico, do João Ribeiro. Até amanhã!