Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Esta é a história do dia da Rádio Observador. Isabel II é a Rainha das rainhas. Este é o som do avião privado que está ao serviço de Isabel II. A Rainha viajou esta segunda-feira do Castelo de Balmoral para o Castelo de Windsor. O avião que transportava a monarca do aeroporto de Aberdeen, na Escócia, para Londres, não conseguiu aterrar à primeira, devido a uma tempestade elétrica. No último instante, quando tentava a aterragem, o piloto acelerou e elevou de novo o pequeno jato. Foi necessário esperar por uma trégua meteorológica. O aparelho com apenas 13 lugares terá abanado nas manobras de aproximação à pista e o piloto só conseguiu aterrar à segunda. Aos 96 anos e já em terra firme, a Rainha Isabel II sentou-se no banco da frente do Range Rover e de ar sereno seguiu para Windsor. Londres vai festejar o jubileu durante quatro dias. Isabel II festeja os 70 anos de reinado. Quem é esta mulher que não deveria ser rainha e se tornou num símbolo da monarquia? Será Isabel II a última grande rainha? Hoje converso com Maria Ramos Silva, editora de lifestyle do Observador. Bem-vinda, Maria.

Olá, Ricardo.

Esta nossa conversa achas que dispensa o visionamento da série The Crown na Netflix ou não?

Bom, eu diria que dispensa, até porque a quinta e última temporada, que só estreia em novembro, não vai além dos anos 90. É uma desilusão para alguns dos fãs. Estavam à espera de mais, não vamos por aí. Porque esse era um período marcado pelo divórcio do príncipe Carlos e pela aquela trágica morte de Diana. É um dos momentos de maior tensão no reinado de Isabel II.

E Maria Ramos Silva, falámos muito sobre este tema antes de gravarmos o episódio, porque temos aqui um problema sério. Como vamos encaixar 70 anos de reinado e 96 anos de vida num episódio de 20 minutos? Achas que vamos conseguir?

Nós vamos tentar. Eu, que já tive a sorte de ver a Rainha a entrar de Bentley no Palácio de Buckingham, não sei se sabias esta informação.

Não.

Ficas a saber. É, de facto, um momento impactante, sobretudo quando me recordava que na altura tinha imensas pessoas conhecidas a viverem em Londres há muito tempo e eles diziam: “Mas como assim? Eu estou aqui há anos, nunca vi a Rainha e tu vens aqui uma vez e vês a Rainha. Isto é inaceitável.” Mas eu trago-te mais um número impressionante para juntar a todos esses. E eu penso que deixam bastante clara essa extensão do reinado e também a cobertura geográfica de Isabel II, se quiseres. Isto a propósito deste meu encontro com a Rainha. Em 2018, segundo o YouGov, 30% dos britânicos diziam já ter estado perto da monarca. Ora, eu acredito que muitos súbditos vejam Sua Majestade, na verdade, como é carinhosamente tratada em casa e já a tratem também dessa maneira.

Isabel ou Lilibet, como é tratada no círculo mais íntimo, Maria, não deveria ter sido rainha.

A few hours ago, I discharged my last duty as king and emperor. And now that I have been succeeded by my brother, the Duke of York, my first words must be to declare my allegiance to him.

Não devia. Durante o reinado do seu avô, Isabel II era a terceira, na verdade, na linha de sucessão ao trono britânico. Ela não devia ser rainha, tal como o seu pai não devia ter sido rei, algo que só aconteceu na sequência da abdicação do seu irmão, que reinou enquanto Eduardo VIII. Ele trocou o trono, como se lembram, pelo amor por uma socialite, a Wallis Simpson. Um caso, aliás, muito polémico na altura e que nós recordamos até hoje.

Norte-americana.

Exatamente, norte-americana. Ora bem, acontece que o pai de Isabel II era um fumador compulsivo. George VI morreu em 6 de fevereiro de 1952, vítima de um cancro nos pulmões. E nesta altura, aquela que viria a ser a futura monarca encontrava-se numa viagem oficial ao Quénia. A jovem princesa estava a visitar naquela altura o Treetops Hotel, um hotel no topo das árvores, no coração da floresta queniana, e foi o seu marido que lhe deu a notícia da morte do pai. Sobre este momento, aliás, há uma história muito curiosa. O escritor e comentador britânico William Shawcross viria a dizer, num documentário da BBC, que Isabel II é A única mulher no mundo que subiu a uma árvore enquanto princesa e desceu já na qualidade de rainha.

É uma imagem incrível.

É impressionante.

E para a história de Isabel II, há também uma personagem de grande importância, e convém aqui falar um pouco dela, que é a Rainha Mãe.

A Rainha Mãe, é verdade, até por uma questão genética. Porque se há algo que nos faz pensar como é que a rainha ocupa tanto tempo neste reinado, são 70 anos, de facto, deve-se, por um lado, porque o pai morre muito jovem, ainda com 52 anos, mas em simultâneo, porque a sua mãe viveu até aos 101. Portanto, há ali uma espécie de patrimônio genético.

Há bons genes.

Há bons genes ali a correrem na família e, portanto, de alguma forma, isto terá contribuído para esta longevidade no trono. Por outro lado, era uma mulher de fibra. Nós lembramo-nos de uma série de hábitos peculiares associados à Rainha Mãe, uma figura também bastante afável, mas sabemos que era uma âncora e não tinha nem um papel decorativo no contexto do próprio reinado do marido, enquanto o acompanhou nesse processo, e da mesma forma também já o marido tinha morrido. Não era de todo uma figura meramente decorativa na vida familiar, já ao lado da sua filha enquanto monarca. Sabemos que era de facto uma mulher muito forte, até aos seus últimos dias, e certamente uma inspiração para o reinado de Isabel II.

Como pilar da monarquia britânica. Mantendo ainda aqui este lado mais biográfico destas figuras, o marido, o príncipe Filipe, também é essencial para compreender melhor quem é Isabel II.

Sim, foi o companheiro de uma vida. Uma união inicialmente muito polêmica, dadas as raízes do futuro Duque de Edimburgo. E convém recordar que eles eram primos afastados. Os dois conheceram-se quando Isabel tinha apenas 13 anos. A ligação prevaleceu durante a adolescência da futura rainha. E depois, finalmente, a 20 de novembro de 1947, Isabel casou-se com Filipe, na Abadia de Westminster, na altura uma cerimónia com imenso impacto.

I have gained that Elizabeth Alexandra.

I, Elizabeth Alexandra Mary.

Take thee Philip.

Take thee Philip.

To my wedded husband.

To my wedded husband. Ela foi transmitida via rádio e, portanto, 200 milhões de pessoas ficaram coladas àqueles aparelhos em casa a seguir toda a cerimónia. O casal estava apaixonado. É, de facto, uma história de amor como a conhecemos desde o início, apesar depois de uma série de turbulências nas décadas seguintes, mas esta não era de facto uma escolha muito consensual. O Filipe era estrangeiro, a começar, não tinha sequer uma posição financeira favorável ou qualquer reino sobre o qual reinar. E para além do mais, as suas irmãs estavam casadas com nazis, não foram sequer convidadas para o casamento real. O que acontece é que Filipe, agora então príncipe consorte da rainha Isabel II do Reino Unido, haveria de abdicar dos seus títulos, mudou de religião para fazer de Isabel sua mulher. Abdicou também de uma carreira promissora na Royal Navy, de modo a apoiar a jovem rainha. E, portanto, há de facto ali uma relação muito próxima, de cumplicidade, de pedra e cal até à sua morte em 9 de abril de 2021.

E casam em 47, ali dois anos apenas depois da Segunda Guerra Mundial. E os filhos?

Eles tiveram quatro filhos, Carlos, o herdeiro ao trono, Ana, André e Eduardo. Eu diria que cada qual à sua maneira foi colocando desafios ao casal, entre casamentos, divórcios e outras polémicas pelo caminho. Digamos que o filho do meio, pelo menos nos anos mais recentes, o Duque de York, é aquele que provavelmente mais dores de cabeça tem dado à mãe.

O Príncipe André. Vamos deixar os netos, os casamentos e os divórcios para outra oportunidade. Deixamos essa conversa para outro episódio.

É melhor. Vamos fazer como The Crown. Pelo menos por agora, deixar casos como Harry e Meghan de fora.

Vamos parar nos anos 90.

Vamos parar nos anos 90 e evitar mais dores de cabeça para a Rainha.

Vamos olhar aqui para Isabel II enquanto chefe de Estado e perceber também a importância dela do ponto de vista político e social. Todas as semanas a monarca recebe o primeiro-ministro em audiência, é a audiência semanal. Quantos chefes de governo, Maria Ramos Silva, já conheceu Isabel II?

Ora bem, nós falávamos de números impressionantes há pouco. Imaginas como será uma agenda de trabalho de 70 anos, Ricardo? Isto são 3640 semanas de trabalho, talvez com algumas folgas pelo meio, eu diria. Mas bom, ao longo deste tempo, Isabel II conheceu 14 primeiros-ministros, o primeiro dos quais Winston Churchill. Enquanto isso, pela Casa Branca passaram 13 presidentes, que Sua Majestade foi conhecendo, naturalmente, dançando até com alguns. E já agora, o seu reinado coincide com sete papados.

E já que estamos a falar de política, Maria, é conhecido o pensamento político de Isabel II?

Bem, quem melhor que a Rainha de Inglaterra para fazer o papel de Rainha de Inglaterra, pergunto eu. A Rainha é acima de tudo um símbolo de unidade, de coesão, de diplomacia e alguém que põe o país e a Coroa acima de todos os interesses e opiniões pessoais. Mas, e vale a pena incluir aqui o mas, também é verdade que a Rainha tem sido hábil a enviar algumas mensagens, muitas delas através do guarda-roupa. Eu não sei se te recordas, nesta fase inicialmente que eu vou falar, não te recordas porque eras muito jovem, mas a Isabel II abraçou com algum arrojo os tempos do pós-guerra, viveu com euforia aquela fase também no guarda-roupa para comunicar um desejado final feliz E não deixou de enviar uma mensagem sonante no rescaldo do Brexit. Ela vestiu-se com as cores da bandeira da União Europeia, depois do famoso referendo em 2016, e por ocasião da abertura do Parlamento britânico, lá apareceu com aquele seu look azul e amarelo, naquilo que foi lido como um sinal de desaprovação dos resultados.

E ela é sempre irrepreensível na forma de vestir, mas é muito curioso que manda esses sinais com a roupa, não é?

Sim, não foi o único, mas a rainha tem especial atenção na escolha das cores, que é determinante. Ela própria diz: uma rainha não poderia vestir-se de bege, porque senão não iria sobressair no meio da multidão.

Não seria uma rainha.

Não seria uma rainha, obviamente. E, portanto, aquele colorido, aquele garrido que nós vemos constantemente na rainha é, de facto, diferenciador e ajuda não só a localizá-la, mas também a destacá-la nesse sentido. Da mesma maneira que não a vamos ver vestida com as cores da famosa Union Jack. Há ali uma série de rituais que são rigorosamente seguidos.

Union Jack, que é a bandeira do Reino Unido.

Precisamente.

E não sabemos se gosta de futebol ou de críquete, mas sabemos que gosta de cavalos.

Sabemos antes disso que adora os seus estimados Corgis e que tem sentido de humor, digo eu, porque só uma monarca com esse predicado é que aceitaria que o emoji oficial do Jubileu de Platina fosse um Corgi, que é uma imagem divertidíssima.

Que é um cão.

É um cãozinho, exatamente. Aliás, a rainha é conhecida pela sua vasta coleção de Corgis ao longo destes anos todos. E depois a enorme paixão pelos cavalos, claro. Convém lembrar que o estado de saúde de Isabel II é cada vez mais frágil. É a razão para se ter mantido afastada dos holofotes nos últimos meses. E ela em 10 de maio, falha mesmo a abertura oficial do Parlamento britânico. O que nós não esperávamos é que poucos dias depois reaparecesse de forma exultante no evento equestre Royal Windsor.

Three cheers for Her Majesty, the Queen. Hip hip!

Hurray!

Para assistir ao desempenho dos seus cavalos, para entregar troféus e para distribuir muitos sorrisos e boa disposição. Ela estava, de facto, muito feliz com aquele momento.

Isabel atravessou várias eras. Ela começa na idade do ouro da rádio. Agora estamos na idade da imagem, da televisão, do vídeo, das redes sociais.

É mesmo. Eu diria que é preciso ter pelo menos mais de 80 anos, fazendo as contas por alto, para ter assistido a tanto como a Rainha. Ela passa pela Segunda Guerra, pela Guerra Fria, pela União Soviética, pelo seu colapso, pela queda do Muro, agora até a invasão da Ucrânia. Boa parte de todas estas notícias e acontecimentos passaram na rádio, sim, incluindo algumas das suas primeiras mensagens ao país, bastante icônicas. Depois veio a TV, primeiro a preto e branco, depois já a cores. E convém lembrar que mais de 20 milhões seguiram a coroação nos ecrãs em 1953, que foi outro marco no seu reinado.

God crown you with a crown of glory and righteousness, that having a right faith and manifold fruit of good works, you may obtain the crown of an everlasting kingdom by the gift of Him, whose kingdom endureth forever. Amen. God save the Queen.

Em qualquer um destes meios, eu não vou querer arriscar nos gostos musicais, mas a Rainha pode ter visto e escutado figuras como o Elvis, os Beatles, o David Bowie, os Sex Pistols, a Madonna, o Ed Sheeran. Isto só para te fazer uma breve viagem pela cronologia musical.

E há uma coisa que sabemos que não mudou nos hábitos da Rainha.

Pois é, o seu famoso Martini. É capaz de já ter mudado um pouco porque há sensivelmente um ano, um ano e meio, os médicos recomendaram uma pausa no seu Martini. Há alguma parcimônia, porque a idade é de facto avançada e portanto impõem-se ali algumas regras extra. Mas sim, é conhecido o seu peculiar gosto pelo Martini.

Falaste aí da coroação em 53. Estamos a comemorar agora os 70 anos em 22. Isto porque a coroação não foi imediata. Porque há a morte do pai e a coroação acontece só no ano seguinte.

Sim, há todo um ritual que é seguido. Uma pari passu.

E quando olhamos para o percurso da Rainha Isabel II, acidentado, houve vários abanões sérios, quer na família, quer na instituição. Isabel II parece nunca perder a pose, parece que sabe sempre o que tem de fazer em cada um dos momentos. É bem assessorada ou também é perspicácia da própria Rainha?

É capaz de ser uma combinação de ambos. A Rainha aqui parece um agente secreto muito competente. Aliás, lembrando esse célebre episódio em que surge ao lado de Daniel Craig protagonizando um sketch de James Bond, num episódio a propósito dos Olímpicos de Londres em 2012.

Mr. Bond, Your Majesty.

Também com muito sentido de humor, mas a verdade é que a Rainha, e é provavelmente um lado menos conhecido, sobretudo para as gerações mais novas, antes de ser rainha, teve um papel de estofo muito determinante, sobretudo na altura da guerra, contribuindo também para esse esforço na altura. A Rainha foi mecânica, foi motorista de caminhões e, portanto, é difícil, se calhar, para nós hoje imaginarmos alguém com uma estatura tão pequena como a Rainha e com ar às vezes já muito frágil, também dada a sua idade. Um metro e sessenta e três é a sua altura.

Não parece.

Não parece. Ela consegue estar, de facto, muito acima dessas dimensões físicas. E excedeu-se nessa altura. Mais uma vez, excedeu-se ainda jovem, mostrando toda essa sua resiliência ao serviço da nação E mais tarde, ao longo de todos estes anos de reinado, ombreando com qualquer líder e figura com quem se cruzou nos corredores do poder, sem que nós por um momento nos lembrássemos que era uma mulher de 1,63 m a lidar com o mundo de frente.

Ela vê-se a si própria como um símbolo da monarquia, portanto, nunca a vemos titubeante nesse papel.

Nunca. Eu não sei se haverá alguma imagem que nos deixe, de facto, essa ideia de que a Rainha possa ter hesitado. Provavelmente, e regressando aqui à questão familiar, nós recordamos certamente esse annus horribilis de 92, marcado por uma série de acontecimentos ao nível doméstico.

In the words of one of my more sympathetic correspondents, it has turned out to be an annus horribilis.

E recordamos também do momento em que provavelmente a sua popularidade, que costuma estar sempre ali na casa dos 90%, tenha estado um pouco mais em baixo. E ela esteve especialmente debaixo de foco quando Diana morreu e quando há ali um silêncio sepulcral e perturbador que leva a nação a questionar se afinal a nossa Rainha, podemos contar com ela ou não.

So what I say to you now as your Queen and as a grandmother, I say from my heart. First, I want to pay tribute to Diana myself. She was an exceptional and gifted human being.

E a Rainha, na altura, provavelmente até terá sido mal interpretada. Eu estou em crer que a Rainha não terá tido apenas uma hesitação sobre o que fazer, mas naquele momento, provavelmente foi a avó que esteve à frente da Rainha, enquanto durante uma semana se refugiou com os seus netos, então ainda muito jovens, em Balmoral, provavelmente também a pensar que passo tomaria a seguir. A verdade é que se vê naturalmente obrigada a tomar uma posição e essa posição foi naturalmente ao encontro daquilo que a população esperava.

E perante esse sentido de responsabilidade e por esse sentir o trono e o peso da coroa, para Isabel II, abdicar não será uma opção.

Eu acho que vale a pena recordar a mensagem da Rainha no seu 21º aniversário. É verdade que recuamos bastante no tempo, mas eu acredito que a mensagem continua válida. Nesse momento, Isabel II prometeu dedicar a sua vida a este papel numa emissão que na altura se tornou icónica e que continua a ressoar. Eu penso que a mensagem é bastante cristalina. Eu passo a citar um bocadinho o que ela disse na altura: "Eu declaro à vossa frente que toda a minha vida, seja ela curta ou longa, será dedicada ao vosso serviço e ao serviço da nossa grandiosa família imperial." Portanto, por tudo isto, eu diria que abdicar está fora do plano.

Isabel Maria Ramos Silva, é a última rainha. Nós jornalistas gostamos de títulos que consigam resumir, às vezes de uma forma pomposa e eficaz, as ideias que queremos transmitir. E nestes tempos, Isabel será a última rainha? Será a rainha das rainhas?

Eu arriscaria que sim. Nós gostamos de títulos, penso que gostamos também de rituais, cerimónias e algumas regras que a Rainha e o seu reinado-

Mesmo os republicanos.

Mesmo os republicanos.

President of Portugal, Your Majesty. Good morning. Good morning, Majesty. Well, it's very nice to meet you. It's an honor. Very glad to see you. An honor for us and for Portugal. Oh, that's very kind. We remember your visit. Oh, sir. The two state visits to Portugal. Two states, yes. One in '57. I was a child. I'm sure you were, yes. When you were arriving in Lisbon at the Railway Pass, you know that big square? Yes. In the carriage. In the carriage. With General Craveiro Lopes. I was there as a child, first row, seeing you.

Ela é uma espécie de avó da nação e de alguma forma também de avó europeia, se quiseres, mesmo entre os corações republicanos, que não se reveem, obviamente, no regime monárquico, mas que não conseguem deixar de prestar o seu tributo a alguém que soube sempre qual era o seu dever, que esteve no sítio certo, à hora certa, que disse quase sempre as coisas certas. Portanto, eu diria que ela simboliza uma era irrepetível, é uma espécie de cápsula do tempo, de um tempo e de um modo também únicos, com origens que, se virmos bem, remontam quase ao século XIX e que chegam até ao século XXI e esse tal tempo do TikTok e do Instagram, como tu bem dizias. E é fascinante porque atravessa todo este tempo de uma forma praticamente imaculada.

Acho que ainda vamos ter de fazer outro episódio, Maria Ramos Silva, mas obrigado.

Vamos a isso, para os próximos 70 de reinado.

Acho que sim. Obrigado, Maria.

Obrigada, Ricardo.

Maria Ramos Silva é editora de lifestyle e é presença habitual na Rádio Observador, no programa PopUp, que está também disponível em podcast. Esta foi a História do Dia. Neste episódio ouvimos vários sons históricos que estão disponíveis no YouTube. São sons da BBC, também da British Paté e da Presidência da República Portuguesa. A sonoplastia e a música do genérico são do João Ribeiro. Eu sou o Ricardo Conceição. Até amanhã.