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Esta é a história do dia da Rádio Observador: o que ganha Ronaldo com a ida para o Al-Nassr.

Hi, guys. See you soon.

O som que ouvimos é de um pequeno vídeo partilhado no Instagram, na conta de Cristiano Ronaldo. Mostra o jogador português sentado num avião a caminho da Arábia Saudita. Ronaldo foi apresentado esta terça-feira aos adeptos do Al-Nassr, em Riade.

I'm a unique player, so it's good to come in here. I beat all records there, so I want to beat a few records here as well. So for me it's a good chance. As you say, this contract is unique because I'm a unique player as well, so for me it's normal.

Great.

A cerca de um mês de completar 38 anos, o cinco vezes melhor do mundo soma agora mais um recorde. É atualmente o jogador de futebol com o salário mais alto de sempre. Ao longo deste episódio da História do Dia, vamos ouvir, a cada três minutos, este som. Este som quer dizer que a cada três minutos Ronaldo vai receber, pelas nossas contas, 1.140 € na conta bancária. Mas além do dinheiro, o que é que Cristiano Ronaldo ganha com tudo isto? Vou conversar com Mariana Fernandes, jornalista do Observador, especialista em desporto. Eu sou o Ricardo Conceição e esta é a história do dia. Bem-vinda, Mariana.

Olá, Ricardo.

Al-Nassr, Al-Nassr, como é que será a melhor pronúncia?

Diria que à partida será Al-Nassr, pelo menos é isso que temos ouvido mais também por parte dos sauditas.

Al-Nassr. Bom, vamos tentar. Daqui a instantes o nosso marcador sonoro vai indicar que Ronaldo já amealhou mais 1.100 € e mais uns trocos. Mariana, quanto é que vai ganhar na Arábia Saudita?

Cristiano Ronaldo vai ganhar a módica quantia de 200 milhões de euros por ano, sendo que assinou um contrato válido por dois anos, duas épocas e meia, mais uns pozinhos. Portanto, estamos a falar de perto de 500 milhões de euros por um contrato de dois anos e meio com o Al-Nassr.

E começamos esta conversa precisamente pelo dinheiro, porque para percebermos esta história, temos mesmo de falar de dinheiro, porque o dinheiro aqui tem um peso importante?

O dinheiro tem um peso muito importante a partir do momento em que Cristiano Ronaldo não iria ganhar este tipo de quantias em mais lado nenhum nesta altura da carreira.

E nos últimos dias começou a circular no Twitter um vídeo em que Cristiano Ronaldo comentava, com desdém, um louvor de Xavi a Messi.

O que me importa que Xavi disse? Xavi joga em Catar, não tem referência nenhuma, não jogava. Não sei se quer escada ou não.

O jogador português aqui a dar a entender que Xavi tinha perdido relevância. Isto em setembro de 2016, porque Xavi estava a jogar no Catar. Ora, durante o Mundial, agora do Catar, Ronaldo também desmentiu que ia para a Arábia Saudita, mas afinal acaba por ir.

Cristiano Ronaldo mudou de ideias muito depressa e isso fica bastante claro porque esta proposta, vinda do Al-Nassr ou de um qualquer outro clube saudita, já tinha surgido no verão e até por valores superiores. Portanto, no verão, Cristiano Ronaldo recusou uma proposta muito semelhante de duas temporadas e meia por 250 milhões de euros na altura. Não se sabe se foi do Al-Nassr, não se sabe se foi de outro clube saudita, mas recusou. Na altura, há poucos meses, há menos de um ano, por querer ainda jogar na Europa, por querer ainda jogar a Liga dos Campeões e por entender que aquilo que tinha feito na Europa ainda não era suficiente. Ora agora, na apresentação no Al-Nassr, diz precisamente o contrário, que o que fez na Europa já é suficiente, ganhou tudo, o trabalho no continente europeu está feito, portanto, pode agora dedicar-se a conquistar, digamos assim, outro continente. Portanto, esta ideia que ele tinha de que não era propriamente um final de carreira que ele desejasse, era algo claro e era claro há muito poucos meses. Portanto, claramente, algo mudou a partir do momento em que o Cristiano Ronaldo decide que a melhor opção e o melhor passo pra sua carreira é de fato assinar com o Al-Nassr e mudar-se para a Arábia Saudita.

As you mentioned before, in Europe, my work it's done. I won everything. I played the most important clubs in Europe, and for me now is a new challenge.

Numa entrevista a Piers Morgan no final de novembro deste ano, a entrevista a Piers Morgan no final de novembro deste ano, Cristiano Ronaldo tinha dito precisamente que não era o dinheiro que o motivava e que queria continuar a jogar ao mais alto nível.

If it was just about money, you would be in Saudi Arabia, right? Earning this king's ransom, but that's not what motivates you. You wanna keep

Exactly, because I still believe that I can score many goals and help.

Nesta entrevista a Piers Morgan, Cristiano Ronaldo refere ainda, e temos de recordar que foi ali mesmo à beira e mesmo antes do início do Campeonato do Mundo, ele refere que ainda quer ajudar a seleção e ainda se sente preparado para ajudar a seleção, não só no Mundial do Qatar, como até no Europeu de 2024. Como sabemos, no Mundial do Qatar correu como correu, portanto as coisas não correram propriamente bem. Foi até suplente utilizado nos dois últimos jogos e não sabemos como é que será o futuro de Cristiano Ronaldo na seleção nacional.

Exatamente, Mariana. Achas que ainda é possível vermos Cristiano Ronaldo com a camisola da seleção das Quinas? Falaste no Europeu 2024.

Ele já disse que quer chegar a esse Europeu de 2024. Também já disse várias vezes que quer continuar a jogar até aos 40 anos. Ora, faz 40 anos só em 2025, portanto, estamos dentro dessa janela temporal que ele quer atingir. Acho que a ideia de vermos ou de voltar a ver Cristiano Ronaldo com a camisola da seleção nacional, depende muito daquele que for o próximo selecionador nacional. Se estivermos a falar de uma política de evolução de continuidade, em que, por exemplo, olhamos para um cenário em que é Rui Jorge a subir do sub21 para a seleção nacional, parece-me perfeitamente provável que Cristiano Ronaldo volte a ser convocado, até porque vai ser avaliado na base com que todos os outros são avaliados, através da competitividade, dos golos, dos jogos, de estar a ser utilizado ou não. E sabemos que Cristiano Ronaldo, muito provavelmente, se estiver a um nível médio bom fisicamente, será muito utilizado no Al-Nassr e vai provavelmente marcar muitos golos na Arábia Saudita, portanto, esse fator, pelo menos esse indicador, funciona a seu favor, naturalmente. Se estivermos a olhar para um corte completo com aquilo que tem sido o passado recente, com uma contratação de um treinador como José Mourinho ou de outro nome um pouquinho mais disruptivo, a vida de Cristiano Ronaldo torna-se um pouquinho mais complicada na seleção nacional, por não existir essa política de continuidade, por não existir essa ligação tão forte que Cristiano Ronaldo tinha a Fernando Santos e tinha, pelo menos até aqui, à Federação Portuguesa de Futebol.

E depois há a candidatura saudita à organização do Mundial de 2030, salvo erro, com a Grécia e o Egito, não é?

Exatamente.

Ronaldo pode ser um trunfo para a Federação Saudita de Futebol?

It's simple. I come in here to win, to play, to enjoy, to be part of the successful of the country and the culture of the country.

O Ronaldo é claramente um trunfo para a Federação Saudita, é claramente um trunfo para o regime saudita, e esta contratação é claramente a pensar nisso. Portanto, a partir do momento em que o Cristiano Ronaldo é contratado ou é sequer abordado pelo Al-Nassr, nada disto é inocente e nada disto é pensar apenas no plano desportivo e na evolução do futebol na Arábia Saudita. Tudo está associado a esta candidatura ao Mundial 2030 e todos sabemos o impacto enquanto influenciador, enquanto quase produto de marketing que Cristiano Ronaldo tem enquanto figura, e para isso basta olharmos para a quantidade de seguidores no Instagram que a conta do Al-Nassr cresceu. Estamos a falar na ordem dos milhões, a partir do momento em que Cristiano Ronaldo foi anunciado como contratação. Portanto, nada disto é inocente e isso percebeu-se também nesta conferência de imprensa de apresentação enquanto reforço do Al-Nassr, a partir do momento em que ele diz que está na Arábia Saudita não só para desenvolver o futebol, mas para ajudar o país. E eu acho que esta é uma das frases mais importantes e acho que a grande dúvida que temos nesta altura é se realmente este ajudar o país, esta ideia de ajudar a Arábia Saudita está precisamente ligada àquela ideia que ainda existe e que ainda não se percebeu se é verdade ou não, de Cristiano Ronaldo pode ser embaixador dessa candidatura conjunta da Arábia Saudita, do Egito, também da Grécia, à organização do Mundial 2030, que como sabemos, tem também em cima da mesa uma candidatura de Portugal, de Espanha e da Ucrânia, à organização desse mesmo Campeonato do Mundo. Portanto, poderemos aqui abrir a porta a um cenário em que Cristiano Ronaldo é opositor, digamos assim, oponente direto da Federação Portuguesa de Futebol.

Já voltamos à conversa com a jornalista de desporto do Observador, Mariana Fernandes. Vamos tentar perceber que liga vai Ronaldo encontrar na Arábia Saudita e se este era realmente o fim da carreira como se sabe.

E o resto é história, com João Miguel Tavares e Rui Ramos, às quartas-feiras depois do Jornal do Meio-Dia e sempre em podcast.

Estamos de regresso à conversa com a jornalista de desporto do Observador, Mariana Fernandes. Mariana, em épocas muito diferentes, mas Beckham e Pelé foram para os Estados Unidos. Xavi, já falámos dele, foi para o Qatar. Eusébio acabou no Beira-Mar, em Aveiro. Ronaldo termina a carreira, ou não, no Al-Nassr, na Arábia Saudita.

So for me is not the end of my career to come in South Africa. This is why I wanna change and to be honest, I really don't worry about what the people say.

É assim tão incomum para um fora de série, que é aquilo que o Ronaldo é, acabar, ou não, nas Arábias?

Não, não é. Aquilo que é estranho e aquilo que é incomum e aquilo que todos nós estamos a estranhar, foi aquilo que já falámos. Ou seja, Cristiano Ronaldo sempre afastou esta ideia de querer afastar-se da Europa, sempre afastou esta ideia de querer deixar a Liga dos Campeões. Sempre insistiu, principalmente no verão, na ideia de que queria permanecer muito competitivo nas competições europeias e por isso é que até procurou uma alternativa ao Manchester United, na altura em que o Manchester United não se qualificou para a Liga dos Campeões através da Premier League. Portanto, como ele pôs sempre a bitola tão alta, como ele próprio, para a sua própria carreira, sempre colocou o nível tão alto, mesmo agora, já aos 37 anos Todos nós estamos a estranhar este final em que abdica da Europa, abdica da Liga dos Campeões e decide então começar a jogar na Liga da Arábia Saudita.

Mas ele teve vários convites.

As nobody know, but I can say now I had many opportunities in Europe, many clubs in Brazil, in Australia, US, even in Portugal many club try to sign me, but-

Convites que não iam fazer dele, apesar de tudo, o herói que será em Riade. E eu acho que isso também fez alguma diferença e também teve alguma influência na tomada de decisão de Cristiano Ronaldo. Ele sabia que ficando na Europa, fosse ainda assim num grande clube europeu, fosse ainda assim num dos principais clubes da Europa, dificilmente ia ter o estatuto que teve, por exemplo, quando chegou novamente ao Manchester United, o estatuto que teve quando chegou a Turim. Eu acredito que dinheiro à parte, competitividade à parte, Europa à parte, a ideia, a certeza de saber que será o jogador mais importante do campeonato da Arábia Saudita, de saber que será um ídolo em Riade, também mexeu com a cabeça e com a tomada de decisão de Cristiano Ronaldo.

O Ronaldo foi cinco vezes o melhor do mundo. Não é previsível que Portugal venha a ter nos próximos anos ou até nas próximas décadas, outro como ele. E há um apelo que aqui recordamos, um apelo do ex-selecionador Fernando Santos. Eu peço sinceramente, deixem o Ronaldo em paz. Ele não merece. Sinceramente, por tudo que ele já fez pelo futebol português, acho que não merece. Este apelo, Mariana, "deixe o Ronaldo em paz", faz algum sentido ou não? Ou foi o próprio Cristiano que se colocou aqui numa posição que se tornou insustentável tanto para o Manchester United ou para a seleção?

Eu acho que é um apelo que faz sentido quando foi feito, ou seja, na altura e no contexto de um campeonato do mundo, quando era preciso, de facto, que, neste caso, a comitiva portuguesa olhasse para dentro e não olhasse apenas para Cristiano Ronaldo, quando era preciso para a equipe e para o próprio Fernando Santos, que as polêmicas acalmassem um bocadinho para que a equipe se pudesse, de facto, concentrar nos jogos que tinha pela frente. Acho que o apelo nessa altura fez sentido e percebo o porquê de Fernando Santos o ter feito. Agora, não podemos aqui quase escoltar Cristiano Ronaldo daquilo que foram os últimos meses. Aquela entrevista a Piers Morgan foi completamente destruidora para a imagem que todos nós tínhamos de Cristiano Ronaldo, ou seja, de alguém que agradecia e que tinha todo o tipo de gratidão, principalmente àquele clube, ao Manchester United, ao clube que à partida lhe deu praticamente tudo. Tudo aquilo que é dito naquela entrevista foi um bocadinho o despedaçar de uma imagem que o mundo tinha de Cristiano Ronaldo. E o fato de ter acontecido tão pouco tempo antes de um mundial, o fato de ele ter plena noção, porque há 20 anos que é uma figura pública, há 20 anos que tem impacto mediático. Portanto, tinha noção de que quando aquela entrevista sai, e sai já numa altura em que a seleção estava quase a ir pro Qatar, ia ter muito impacto no campeonato do mundo, o timing, todos os timings, até o timing da própria rescisão que acontece já durante o mundial, ia obviamente ter influência na seleção nacional. Portanto, eu percebo o apelo de Fernando Santos, mas é impossível desculpabilizar Cristiano Ronaldo por tudo aquilo que aconteceu.

E há um outro capítulo também interessante, que é a ruptura com o empresário de sempre, Jorge Mendes.

Sim, que eu acho que tem uma leitura muito importante e muito impactante naquilo que é também o último ano de Cristiano Ronaldo. Se olharmos para as últimas atitudes do jogador português, vemos uma clara política, claras atitudes de isolamento face àquelas que foram as figuras mais importantes da carreira nos últimos tempos. Começamos logo por Fernando Santos, que era uma figura, principalmente na seleção nacional, muito próxima de Cristiano Ronaldo, e que claramente entra aqui em rota de colisão no Mundial do Qatar. Temos também o afastamento do Manchester United, como já dissemos, o clube de sempre, com quem tinha ligações muito próximas e que agora, obviamente, não tem qualquer ligação. E agora esta ruptura até com o próprio Jorge Mendes, o empresário de sempre, que fica completamente afastado desta negociação com Al-Nassr. Portanto, quem assume a negociação é Ricardo Regu, amigo próximo, também assistente pessoal de Cristiano Ronaldo, que também está envolvido nas negociações, que passa algum tempo em Riade a fechar esta negociação, e Jorge Mendes não tem qualquer influência. Ele que tinha tentado durante o verão colocar Cristiano Ronaldo em outros clubes europeus, que tinha falhado nessa missão e que Cristiano Ronaldo tinha de alguma forma também responsabilizado por esse falhanço na hora de encontrar uma solução para a saída do Manchester United.

Na tal entrevista, e já aqui falámos dela, na tal entrevista a Piers Morgan, Ronaldo diz e queixa-se. Diz que o Manchester United não tem ou não lhe dá as condições de treino que devia ter. Diz que é um clube quase parado no tempo.

Since Sir Alex Ferguson left, I saw no evolution in the club. The progress was zero.

Agora, na Arábia Saudita, vai ter essas condições.

A partir de sim, ou seja, estamos a falar de clubes que são periféricos, mas de clubes que têm muito dinheiro para se equipar.

Todas as máquinas estão garantidas.

Sim, todas as máquinas, todas as infraestruturas, tudo aquilo a que Cristiano Ronaldo estava habituado, principalmente na Juventus e principalmente no Real Madrid, a partir de terá todos esses elementos para trabalhar na Arábia Saudita.

Mas sabem trabalhar com as máquinas?

Isso é outra questão. Ou seja, só com o tempo e só com o futuro é que poderemos saber de que forma é que este futebol da Arábia Saudita vai evoluir. Mas acho que é um futebol, e é preciso fazer essa distinção. Não estamos a falar de um Qatar. Ou seja, este é um país com cultura futebolística.

Que liga é esta, Mariana?

Eu acho que todos nos lembramos ainda dos tempos de Jorge Jesus no Al-Hilal. É um país que, apesar de tudo, enche estádios com milhares de pessoas. Temos 40, 50, 60 mil pessoas dentro dos estádios a assistir futebol. É um país que gosta de futebol. Não estamos a falar, mais uma vez, de um Qatar, de uns Emirados Árabes Unidos. É um país que de facto percebe, aprecia e sabe o que é futebol. É uma liga onde esse mesmo Al-Hilal, onde esteve Jorge Jesus, é o clube mais importante, é o clube também mais vitorioso, é o recordista de títulos, e o Al-Nassr surge, se calhar, na segunda posição atrás do Al-Hilal. O Al-Nassr foi campeão pela última vez em 2018/19, com o Rui Vitória, portanto, é um clube que também tem alguma tradição com treinadores portugueses. Artur Jorge esteve lá, Hélder Cristóvão também. O facto de termos portugueses no Al-Nassr não é propriamente uma novidade, é um país e um clube que sabe o futebol português, que conhece o futebol português de alguma forma, ainda assim é uma liga que não tinha uma megaestrela. Portanto, se calhar, o nome mais conhecido acabava por ser o Éver Banega, que esteve muitos anos no Sevilha e que no ano passado foi para a Arábia Saudita, mas que não tinha uma megaestrela. E eu acho que isso também fez influência e o facto de Cristiano Ronaldo sentir claramente que será o jogador mais importante deste campeonato.

E ele pode jogar já ou vai demorar?

Ele diz que está pronto para jogar. Ele esteve a treinar, como sabemos, no centro de treinos do Real Madrid, em Valdebebas, pediu ao Real Madrid para lá treinar sozinho. Nesta apresentação, disse que está pronto para jogar já na quinta-feira, no próximo jogo do campeonato. Resta saber se, de facto, o treinador pretende que ele jogue já na quinta-feira.

Além de muito dinheiro e de termos estado a ouvir os plims do dinheiro a cair na conta a cada três minutos, Cristiano Ronaldo, Mariana Fernandes, ganha o quê com este que poderá ser, ele diz que não, mas que poderá ser o final da carreira?

Ganha, à partida, a possibilidade de concretizar aquilo que foi sempre o seu objetivo: jogar competitivamente até aos 40 anos. À partida, ganha isso. Ganha a possibilidade de se manter uma opção para a Seleção Nacional de forma prática, pragmática. E ganha ainda a possibilidade, e esta é outra das dúvidas que também ainda existem, de voltar à Premier League, porque, pelo menos a imprensa inglesa garante que existe neste contrato com o Al-Nassr, a possibilidade de Cristiano Ronaldo poder escolher ir para o Newcastle, se o Newcastle se apurar para a Liga dos Campeões, isto porque, e este é o pormenor, a Arábia Saudita é dona do Newcastle. Portanto, existe essa possibilidade, uma possibilidade que não é confirmada, mas que a realizar-se, a concretizar-se, explica um pouco mais o porquê de Cristiano Ronaldo ter optado por esta opção nesta altura. Portanto, ganha principalmente essas três coisas e ganha, como dissemos, novamente, a ideia de que pelo menos num país, pelo menos em Riad, será uma das pessoas mais importantes a andar naqueles relvados.

Obrigado, Mariana.

Obrigada, Ricardo.

Mariana Fernandes é jornalista de desporto do Observador. Até agora, e só durante o tempo deste episódio, Ronaldo já ganhou 7.600 €. Esta foi a história do dia. O som de Fernando Santos foi registado pela RTP e ouvimos ainda os sons da entrevista feita por Piers Morgan. Este episódio contou com a colaboração da jornalista Inês Batista. A sonoplastia e a música do genérico são do João Ribeiro. Eu sou o Ricardo Conceição. Até amanhã.