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Olá, sejam todos muito bem-vindos. Esta é a História das Histórias, eu sou o João Paulo Secador e continuamos na senda destas merecidas homenagens que tem feito Alberto Correia ao longo da semana. Hoje paramos em Germano Bento Ferreira. Ele que vai falar de cidade, a cidade de Viseu em sombra e luz. No fundo, tem a ver com o Germano Bento Ferreira e o seu talento pra arte da fotografia. Vamos saber mais sobre Germano Bento Ferreira. Bem-vindo, Alberto.
Germano Bento Ferreira, uma vida feita de sombra e luz como a sua obra, a fotografia. Durante pouco mais de 30 anos, fez de Viseu cidade sua. Desenhou com a sua arte, a sua história, que assenta no desenho de uma geografia, esse xadrez de mil imagens, onde ganha alma a pedra milenar e a gente que em seu tempo palmilhou um chão sagrado. Germano Bento Ferreira, cuja vida decorre entre 1912 e 1975, nasceu em Almeida e por destino traçado, veio parar a Viseu, onde cumpriu sua sina de descendente de Adão, ganhando o pão de acordo com a bíblica metáfora do suor do rosto, ao caso, à apaixonada arte da fotografia que cultiva e de onde o pão lhe chega, não sem alguma dor, como a Adão fora prescrito. Teve ateliê na Rua Formosa, onde hoje ainda vive uma memória, além daquela larga janela envidraçada, na vitrina que se olha ao subir de uma escada, nesse espantoso arquivo ali guardado, a cidade vista do céu e dentro dela, os retratos que recolheu como feitiço. Reservado em seu ser, sem que tal revelasse sujeição, homem inteiro comprometido com um viver de retidão, discreto que tal era exigência da função, elegância na forma de estar e na maneira de vestir e de uma seriedade a toda prova, que eu próprio vou testemunhar na breve narração que vou contar. Professor de História no Liceu Alves Martins, uma carreira a iniciar, confiei-lhe um qualquer volume de uma história de arte para que me reproduzisse em diapositivos as 24 imagens que suportariam a lição sobre o estilo gótico. Perfeccionista, Germano fotografou terceira vez as imagens indicadas e só então me entregou na perfeição os diapositivos que usei nas minhas aulas de História. Ainda as guardo, pelo tempo desgastadas, são memória. Fotografou inteira uma cidade, a paisagem marginal e a urbana, a terra, os jardins, o céu por cima dela e cá embaixo as praças, as ruas, as vielas. Fotografou o corpo, mas mais parecia fotografar as almas dos homens e das coisas. Basta olhar a Catedral e o claustro lateral onde o silêncio até se sente, a misericórdia e o museu onde ficou o corpo e a alma de Grão Vasco, a fonte de São Francisco e ler amores, o Palácio dos Albuquerques e sentir lá dentro a música da festa acontecer, o monumento a Viriato e sentir a coragem do caudilho, e as lavadeiras do Pavía e suas dores manifestas no estendal de roupa branca, e os cauteleiros vendendo a pouca sorte ou a fortuna, e o polícia sinaleiro, o retrato de Aquilino Ribeiro, que deixa ver o homem verdadeiro, a Praça do Rossio, a Igreja dos Terceiros, a cidade inteira. Germano é mestre inspirado. Há que ser lembrado. Não importa a estátua, o nome de uma rua. Salvaguarde-se o patrimônio. Arquive-se com ajustado tratamento de conservação a fotografia e coloque-se ao serviço da cidade fecundo documento que haverá de ajudar a contar a sua história.
Outra belíssima homenagem a este Germano Bento Ferreira. Obrigado, Alberto. De facto, ficamos com o olhar cheio das coisas belas que este homem fotografou, esta arte da luz e da sombra que ele soube dominar tão bem. Além de ter sido professor de História e ter sido um belíssimo fotógrafo, que fotografou a cidade inteira, como o Alberto disse, ficamos com esta semana de homenagens tão bem feita e tão merecidas a estes beirões que se destacaram. Mais uma vez, marcamos encontro. Até pra semana. Alberto, muito obrigado por todo este trabalho, todas estas memórias que nos trouxe.
Então, até pra semana.