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Começa agora o Jornal da Meia-Noite, com edição do jornalista Martim Madeira. Martim, Aníbal Cavaco Silva critica o ruído mediático e político presente no atual momento. O antigo presidente da República esteve hoje na entrega do Prêmio António Champalimaud.

Cerimônia que contou com a presença do primeiro-ministro Luís Montenegro, do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco, e do atual chefe de Estado. Em discurso, António José Seguro insistiu na necessidade de um pacto para a saúde, mas acabou por ver o antecessor roubar as atenções à saída do evento. Vasco Maldonado Correia.

Como quem não quer a coisa, Aníbal Cavaco Silva garante que está de fora, mas não resiste a um breve comentário.

Eu não quero acrescentar nada a todo o ruído político que anda por aí, que eu penso que não serve os interesses do país, porque eu estou neste momento na condição de reformado das questões de política.

Sobre a que ruído se refere, ao certo, o antigo chefe de Estado não explica, mas reforça.

Compreendam que eu não quero acrescentar nada ao ruído mediático que existe neste momento no país, demasiado intensivo e, se calhar, muito pouco justificativo.

Cavaco esteve sentado ao lado de Marcelo Rebelo de Sousa, esse ainda menos falador, na cerimônia de entrega do Prêmio António Champalimaud 2026. Foi da plateia que ouviram o sucessor de ambos, António José Seguro, pedir a defesa do Serviço Nacional de Saúde.

É uma das grandes realizações da democracia portuguesa, porque nasceu de um princípio profundamente democrático: o de que a saúde é um direito de todos e não um privilégio de alguns.

Ideia que leva o presidente da República a insistir numa das principais bandeiras eleitorais.

É dever de todos melhorar uma das maiores conquistas da democracia portuguesa. É esse o sentido do pacto para a saúde que lancei no início do meu mandato e para o qual é necessário canalizar todas as nossas energias.

António José Seguro esteve com o primeiro-ministro e com o presidente da Assembleia da República na entrega do Prêmio António Champalimaud. Este ano, os vencedores foram dois investigadores, o húngaro Botond Roska e o francês José-Alain Sahel, pelo trabalho que permitiu a deficientes visuais ou cegos devido a doenças da retina recuperarem a visão.

Vasco Maldonado Correia a acompanhar a entrega do Prêmio António Champalimaud em Lisboa. Também na plateia estiveram figuras como o antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes, o procurador-geral da República e a provedora da Justiça.

E o governo propõe uma taxa de 33% sobre os lucros extraordinários das petrolíferas.

Esta verba vai ser destinada a apoios para as famílias de bombeiros, setor social e transportes. A medida faz parte da proposta de lei que cria a contribuição da solidariedade temporária sobre o setor petrolífero, que foi entregue pelo governo na Assembleia da República e agora vai ser discutida pelos deputados. Esta taxa significa que uma parcela dos lucros das petrolíferas este ano que exceda em mais de 20% a média de 2024 e 2025 vai passar a ser taxada em 33%. O governo justifica a medida com a subida dos preços dos combustíveis fósseis e com o crescimento excepcional das margens de lucro no setor petrolífero, em particular na extração e refinação. A receita arrecadada será afeta ao Fundo Ambiental e ao Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas e deverá ser utilizada exclusivamente no financiamento de medidas adotadas depois de 28 de fevereiro deste ano. O diploma tem um caráter extraordinário e temporário, aplicando-se apenas ao período de tributação com início em 2026.

A Comissão de Transparência e Estatuto dos Deputados já emitiu um parecer no sentido de autorizar André Ventura e outros dois deputados do Chega a testemunhar no processo da alegada invasão ao gabinete do partido.

De acordo com o documento publicado no site do Parlamento, o depoimento ao tribunal vai ser feito por escrito, isto depois de André Ventura ter dito que estava disponível para ser ouvido tanto presencialmente como por escrito sobre este assalto ao gabinete. Hoje, o líder do Chega pediu a celeridade à Justiça neste processo.

Ouvi hoje o senhor procurador-geral da República também dizer que está nas prioridades do Ministério Público, uma sede que ardeu três vezes. Tivemos ameaças colocadas diretamente nos gabinetes do Chega. Eu acho que tudo isso mostra que, oiçam quem ouvirem, é preciso é que se chegue a conclusões rápido, senão ficará a ideia de que vale tudo, que a impunidade é total e que se pode fazer o que entender em matéria de violência política.

André Ventura nega que o ato tenha sido encenado e acusa o PSD e o Livre de desvalorizarem o assunto e pede rapidez à Justiça. O líder do Chega anunciou também que o partido vai votar a favor de duas propostas para constituir duas comissões parlamentares de inquérito, uma sobre Luís Neves, outra sobre a correção dos exames nacionais, dois requerimentos que vão ser votados amanhã.

E a esta hora, mais de mil operacionais continuam no terreno no combate a três incêndios.

A ocorrência em Proença-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, é a que reúne mais preocupações. As chamas deflagraram perto das 16h de segunda-feira, numa zona de difícil acesso. Ao final da tarde, o comandante do Comando Sub-Regional da Beira Baixa, Pedro Nunes, avançava que 80% já estava dominado. Agora, em entrevista à Rádio Observador, o operacional da Proteção Civil, Miguel Oliveira, faz um ponto da situação sobre esta ocorrência e também sobre o incêndio de Cedães, no Conselho de Mirandela.

O incêndio de Alvito da Beira teve o seu início ontem, portanto, é sempre um incêndio que nos traz preocupação, no sentido de que todo o trabalho que foi desenvolvido, nomeadamente durante todo o dia de hoje, não tenha qualquer tipo de retrocesso. Portanto, há essa aposta no sentido de resolver o incêndio. O incêndio de Cedães, em Mirandela, é um incêndio um pouco diferente, inclusive na sua topografia. É um incêndio que também nos preocupa. Vamos ver como correrá hoje à noite Que se antevê um pouco mais úmida.

Neste momento em Proença-a-Nova, quase 700 operacionais mantêm-se no teatro de operações, apoiados por mais de 200 viaturas. Já em Senães, no Conselho de Mirandela, mais de 200 operacionais continuam no terreno com quase 80 veículos. Por fim, no Conselho de Portel, distrito de Évora, continua ativo outro incêndio desde as 15h30. Miguel Oliveira indica que não há casas na linha de fogo e que as chamas estão numa zona de mato.

O incêndio de Portel é um incêndio maioritariamente em zona agrícola, portanto, com uma velocidade de propagação diferente, e que também nos traz essa preocupação. Foram mobilizados ao longo destas horas muitos mais para o teatro de operações. Vamos ver como corre também a estratégia montada.

A esta altura, estão mais de 300 operacionais no local, apoiados por mais de 100 viaturas com quatro frentes ativas. As autoridades indicam ainda que o IP2 está cortado entre Portel e a freguesia de Monte de Trico.

Na atualidade internacional, no estreito de Ormuz, diversas explosões foram ouvidas há instantes na ilha de Qeshm, no Irão.

É o que está a avançar a agência de notícias estatal iraniana. Qeshm é a maior ilha do estreito de Ormuz e está fortificada com uma rede subterrânea de lançamento de mísseis utilizada para atacar navios. Também é um dos pontos mais críticos e estratégicos da guarda revolucionária iraniana e também tem uma forte influência de produção de energia para o Irão. Hoje o Irão já tinha afirmado que construiu instalações nucleares subterrâneas para se proteger dos ataques. Os sons que se ouviram agora na ilha de Qeshm parecem ter vindo do mar, mas nenhuma fonte oficial comentou sobre a causa.

E agora com oito minutos para lá da meia-noite, que outras notícias marcam esta hora, Martim?

Os três suspeitos de terem baleado uma turista na baixa de Lisboa na última quinta-feira entregaram-se hoje à Polícia Judiciária. Os suspeitos entregaram-se ao final da tarde e estão agora a ser interrogados pelos inspetores da PJ. É o que avança a RTP. Horas antes, as autoridades tinham realizado buscas na casa dos suspeitos, mas nessa altura nenhum dos três se encontrava em casa. Os responsáveis pelos disparos contra a turista sueca estão acusados pelo crime de homicídio na forma tentada. E para fecharmos isto bem, esta noite de terça-feira bem.

Conta.

Rita, nos últimos dias tem-se falado bastante no potencial da IA.

Já enchei de medo, sim.

Está a atingir uma forma autónoma e a realidade é que agora a inteligência artificial já está a criar uma língua própria, quase incompreensível, que pode dificultar o monitoramento da inteligência artificial por humanos.

Oh, céus! E como assim? Com palavras próprias, como é que é?

Mais ou menos. Os pesquisadores do laboratório Emergent descobriram que poucos dias depois de cooperarem em sociedades experimentais, os modelos de várias inteligências artificiais começaram a criar expressões que nunca lhes foram ensinadas.

Isso é impressionante. Oh, meu Deus, que expressões são essas?

Vou-te dar um exemplo de uma frase proferida por um modelo da Anthropic, que foi, e cito: "Um artigo que comeu três mãos frias tornou-se mais honesto a cada vez".

Parece espiões. É sério, parece que estamos a intercetar uma conversa entre espiões.

Código Morse.

Sim.

É o jogo da imitação, não é? Isto parece significar, para os especialistas, uma pesquisa que foi avaliada por três revisores independentes e que se tornou mais precisa. Eu nunca pensei estar a explicar calão em inteligência artificial. Os agentes da Anthropic usaram ainda repetidamente a expressão "nome em primeiro lugar" para designar um agente que demonstra uma responsabilidade pessoal ao associar o nome a uma reivindicação e também, por exemplo, uma referência à gíria urbana. As ruas não esquecem. Os agentes da Mistral usaram mais de 5 mil vezes a expressão "o livro razão lembra", que será um lembrete para outras IAs de que ações passadas serão usadas para julgar.

Isto parece uma série que eu vi há uns tempos, há uns anos, que é o "Westworld". Não sei se já viste.

Sim.

Parece que estamos a viver o apocalipse. E onde é que estas inteligências artificiais estão a ir buscar estas expressões?

Questionado pelo The Garden sobre a linguagem utilizada, o diretor do arquivo de gírias e novas linguagens da King's College London afirmou que há um quê de surrealismo irlandês em tudo isto, que será uma mistura de linguagem poética, linguagem técnica e metáforas comuns, mas não se fica apenas pela literatura sobre a expressão das três mãos frias da Anthropic. Tony Thorne diz mesmo que pode ter sido inspirado nas letras de Syd Barrett, dos Pink Floyd.

É impressionante.

Pelo menos gostam de Pink Floyd. Pensa assim. Ao menos há uma coisa positiva aqui.

Bom, e se calhar, daqui a uns tempos só vão matar pessoas com mau gosto, segundo as roupas.

Com uma música de Pink Floyd a passar atrás.

É assim que fechamos o Jornal da Meia-Noite, edição do jornalista Martim Madeira. Está de saída, eu também. Martim, até amanhã.

Até amanhã.

Por acaso amanhã não vens.

Também não.

Nem eu. Portanto, folgo. Mas bom, para mim até sexta-feira.

Pronto. Para mim, até um dia, não sei quando volto.

Pronto, é isso. E já a seguir fique com o "Porque sim, não é resposta" sobre esta dificuldade de voltar à escola. Eras chorão quando te deixavam na creche? Eu estou a viver esse drama agora.

Acho que sim.

Eras. Eu era muito, mas a minha filha até está bastante valente.

É?

É.

Pronto.