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Olá e sejam muito bem-vindos à História das Histórias, eu sou o João Paulo Sacadura. Alberto Correia, historiador, investigador e etnógrafo em Coimbra, continua na senda das suas grandes homenagens que tem estado a fazer nestas últimas semanas. Hoje é a vez de um grande vulto também a nível nacional, José Henriques Azeredo Perdigão, que viveu, como sempre, com a vocação de servir. Vamos saber mais sobre a sua ligação a Calouste Gulbenkian e a importância deste homem. Agora pela voz de outro grande homem, Alberto Correia. Bem-vindo, Alberto.

José de Azeredo Perdigão, cujo trânsito de vida vai de 1896 a 1993, teve a Viseu proverso de dourada história, a Casa do Miradouro, palacete quinhentista levantado às espaldas do Museu Nacional Grão Vasco, cerca de 1520, lá onde morou o seu pai, terra tenente, homem de letras, democrata, figura que honrou Viseu. Curso de Direito na Universidade Clássica de Lisboa, advogado aos 24 anos, um dos mais distintos homens do foro em Lisboa, é contactado em 1942 pelo filantropo Calouste Sarkis Gulbenkian, cidadão arménio refugiado em Portugal devido à Segunda Grande Guerra, que logo fará dele seu assessor jurídico. Sob os seus auspícios, a gigantesca coleção de arte de Calouste Gulbenkian vem para Portugal, desenham-se os estatutos da fundação, que ganhará o nome do mecenas e Azeredo Perdigão tornar-se-á seu presidente vitalício, que o foi durante 37 anos e, de corpo e alma, com o seu carisma, governará os destinos da Fundação Calouste Gulbenkian, que ele abrirá ao mundo e que haverá de transfigurar em Portugal, de acordo com o preceituado nos estatutos aprovados a 18 de junho de 1956, a arte, a ciência, a beneficência, a educação. Viseu ocupou sempre o coração de Azeredo Perdigão e, talvez porque envergonhada, a cidade não soube requerer quanto ele poderia ter oferecido devido a esta atração. Lembram-se algumas benesses. Apoio à remodelação da Casa Museu Almeida Moreira, 1978, à Escola de Enfermagem e ao seu lar de alunos da Santa Casa da Misericórdia, financiamento de um lote de habitação social no bairro de Santiago, o pouso de uma biblioteca itinerante, o popular carro dos livros, que desempenhou fecundíssimo papel cultural pela extensão do distrito, apoios ainda à área urbana, núcleos de ação cultural e ao Cineclube de Viseu. Patrocinou a solicitação minha, enquanto diretor do Museu do Grão Vasco, as exposições Terras do Demo, homenagem a Aquilino Ribeiro, Oda de Viseu e Museu do Grão Vasco, que se apresentaram no espaço da fundação e autorizou o restauro de 24 desenhos de Columbano das coleções do Museu do Grão Vasco, estudos que deram origem aos painéis que adornam os Passos Perdidos da Assembleia da República. Honram o seu nome a Escola Básica de 2º e 3º ciclo Dr. Azeredo Perdigão, em Abrantes, o Conservatório Regional de Música Dr. José de Azeredo Perdigão, a Escola de Andebol Dr. Azeredo Perdigão, o Projeto Beiras Observatório de Ideias Contemporâneas Azeredo Perdigão, a Avenida Calouste Gulbenkian, a Rua Dr. Azeredo Perdigão e a Rua Dr. Azeredo Perdigão, nas imediações, em Mundão. A medalha de ouro a ele entregue pelo município em 1968 e o Viriato de Ouro, entregue à família a título póstumo, premiaram a ação multímoda do exemplar cidadão que dorme no cemitério de Viseu.

Era ignorância minha, não sabia que o José de Azeredo Perdigão era visense e aí repousa, mas de facto teve um papel extraordinário na ligação e na confiança que Calouste Sarkis Gulbenkian lhe depositou, contudo que o país inteiro ganhou com a vinda desta coleção.

É uma figura única neste país.

Incrível. Grande homenagem também prestada a este grande homem que foi José Azeredo Perdigão. Muito bem. Por hoje estamos conversados. Alberto, um grande abraço para si e marcamos encontro amanhã. Bem-haja.

Até amanhã.