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Oito da noite, altura de atualizarmos a informação na Rádio Observador. Eu sou o José Rafael Lopes. André Ventura pede aos portugueses para não transferirem a indignação que possam ter para a polícia. O presidente do Chega diz que as forças de segurança não têm culpa e que estão no terreno para manter a ordem. Na sede do Chega, esta tarde, André Ventura apelou aos manifestantes para não deitarem as culpas nas forças de segurança por um problema que, no entender do Chega, foi criado pelo PS e pelo PSD.
Não transfiram a vossa indignação para os polícias. A incompetência do que temos tido na habitação é do PS e do PSD. Não é dos polícias que ali estão, nem da Justiça, nem de outros. É do PS e do PSD. Ver alguns a fingir que não tiveram nada a ver com isto e agora a dizer que só querem deixar tudo igual, é uma grande hipocrisia.
André Ventura, que culpou também o PS pela crise da habitação, foi mais longe ainda nas críticas. Diz que o Partido Socialista destruiu sempre o país quando esteve no governo. São declarações aos jornalistas na sede do partido, no dia em que o Chega vai escolher o novo presidente. André Ventura é candidato único das eleições diretas. Ontem, o presidente do Chega divulgou a moção estratégica para um novo mandato de três anos, onde traça o objetivo de chegar a primeiro-ministro. Sábado marcado pelas manifestações contra o preço da habitação em Portugal, protestos em Lisboa e no Porto, epicentro destas manifestações. Muitos milhares de pessoas saíram à rua, estão neste momento no Rossio e também na Praça Dom João I. Começamos por Lisboa, onde o protesto convocado pelo movimento A Campada tem uma assembleia popular marcada para às 21h. Para já, Martim Madeira, agora em direto, estão a decorrer as intervenções abertas aos manifestantes que se tenham inscrito para falar.
Foi isso que explicou a organização desta acampada. Normalmente, é aberta a estas intervenções quando se dá a altura da assembleia popular. Desta vez, quando chegaram ao Rossio, já tinham um palco montado e decidiram abrir umas intervenções populares. Foi esse o nome que deram para antes dessa assembleia popular. Portanto, estas intervenções que não acontecem normalmente, pelo menos nos últimos dias que tem havido estas acampadas fora da hora da assembleia popular. Nessa intervenção, houve uma intervenção inicial por parte da acampada. A porta-voz Adriana Lima abriu esta declaração inicial para depois abrir o espaço das intervenções de microfone aberto, defendendo o direito à manifestação e questiona quem está no incumprimento da lei, se são os manifestantes ou se são os polícias.
Nenhum de nós tinha a dimensão da conversa que iria surgir através da acampada. O direito à manifestação, o direito ao protesto e o direito à reunião, assim como o direito à habitação, são fundamentais à Constituição, são direitos fundamentais. O que está a começar aqui e colocar em causa é: se o povo não pode sair à rua, se o povo não pode manifestar, mas se a polícia pode nos atacar de forma ilegal, então quem é que está a cumprir a lei, quem é que não está a cumprir a lei e, sobretudo, quem é que nos protege além de nós mesmos?
Aqui Adriana Lima a fazer este questionamento. Também passaram aqui dois representantes do movimento dos professores, o STOP. Daniel Martins, representante do STOP, diz mesmo que a CGTP está a avaliar a possibilidade de convocar uma greve geral, depois de uma reunião com seis sindicatos, e apela mesmo a que essa mesma greve aconteça.
O STOP, junto com mais seis sindicatos, provavelmente vocês já viram em um apelo, fez um apelo às centrais sindicais para que convocassem uma greve geral. Na passada semana, estes seis sindicatos reuniram com a CGTP. A CGTP disse-nos que estão a avaliar e que acham que é preciso tempo. Acho que a gente não se deve zangar. O que nós temos para vos dizer é o seguinte: há um desafio a partir daqui. Se nós queremos a greve geral, vocês têm que levar isso a todas as terras deste país.
Aqui Daniel Martins, representante do movimento dos professores, o STOP. Neste momento, ainda decorrem estas intervenções populares. Para às 21h está marcada a famosa assembleia popular, que já é habitual nestas manifestações.
Reportagem do Martim Madeira, que está a acompanhar este protesto convocado pelo movimento Acampada de Lisboa, que diz que o objetivo é voltar a colocar tendas na Praça do Rossio. A PSP já avisou que a tolerância para novos acampamentos na praça vai ser zero. No Porto, os manifestantes estão concentrados na Praça Dom João I, após uma marcha que começou na Praça da Batalha. Miguel Pinheiro Correia, agora em direto a esta hora. Já começou a assembleia popular.
Já arrancou essa assembleia, José Rafael, e neste momento, antes de se discutir esse ponto mais importante, esse ponto central de todas estas assembleias, está a ser discutida a resposta que será dada a Pedro Duarte nesse impasse que dura há já muito tempo. E aqui temos ouvido várias pessoas que falam, antes de serem votadas, duas hipóteses: ou reúnem com Pedro Duarte aqui no Rivoli ou não reúnem. E esta posição intransigente, que não é compatível com a posição também do presidente da Câmara, que diz que quer receber estes manifestantes, sim, mas não todos, naturalmente, um grupo representante deste movimento para reunir na Câmara Municipal. Os manifestantes dizem que o Rivoli é uma hipótese que vai ganhando força, é a solução adequada porque fica perto da Praça Dom João I e assim entendem que há um meio-termo entre as exigências de um lado e do outro. Mas também temos ouvido muitas pessoas que dizem que a única solução é Pedro Duarte dirigir-se à Praça Dom João I e, por isso, também há alguns manifestantes que não concordam com essa hipótese da reunião no Rivoli. É um tema que ainda está a ser discutido neste momento, com várias opiniões. Foram feitos vários anúncios antes das votações em si mesmas. Foi anunciada a criação de um site para divulgar o que é discutido aqui nas atas. Também foi lançado, ou está já à venda, por parte deste movimento, um porta-chaves em formato de tijolo, que serve como esse objeto que recriam e identifica. A venda deste porta-chaves será para ajudar as custas judiciais do manifestante que foi detido depois de ter ameaçado ou ter sugerido que deveria ser lançado um tijolo à casa do primeiro-ministro Luís Montenegro. Para já, é isso que vai sendo discutido aqui na Praça Dom João I, na expectativa de que dentro em breve se comece a ser votada essa pernoita, sendo que no arranque da assembleia foi logo dada essa indicação de que há essa intenção e que já estão a ser também partilhadas informações de segurança para aqueles que poderão dormir aqui. Há essa intenção por parte da organização. Veremos, através da votação aqui na assembleia, se se vai verificar essa vontade de voltar a montar tendas na Praça Dom João I.
O repórter da Rádio Observador, Miguel Pinheiro Correia, em direto da Praça Dom João I, no Porto, onde se concentram milhares de pessoas em mais um protesto pelo direito à habitação. Sobre estas manifestações, o ministro da Administração Interna reforça o apelo para que exista tranquilidade e cumprimento da lei. Luís Neves reconhece a legitimidade destes protestos, mas reforça o apelo para que as manifestações corram da melhor forma.
O que se espera é que, de facto, as manifestações decorram como normalmente acontecem, quase a 100%, com toda a ordem, com toda a civilidade. É isso que se espera e que, de facto, cada um faça o seu trabalho e cada um cumpra a sua missão e, sobretudo, que se cumpra a lei.
As palavras de Luís Neves, ministro da Administração Interna, aqui um registo da Sic Notícias, à margem de uma cerimónia dos 100 anos dos Bombeiros de Ponte de Sor. Na atualidade internacional, em França, clima de tensão. Houve já confrontos entre os manifestantes e a polícia. A esta hora, há um forte contingente policial na rua, que já foi obrigado a utilizar gás lacrimogéneo perante os manifestantes. Na capital francesa, há registo também de confrontos com os manifestantes a atirarem pedras aos agentes de segurança, numa altura em que o governo francês aponta para 320 mil os participantes nas manifestações de hoje, 70 mil em Paris, sendo que foram mobilizados 70 mil agentes da polícia para responder ao tumulto popular. Na Alemanha, cenário semelhante. A polícia alemã cancelou a marcha em Colônia devido à presença de manifestantes mascarados e devido ao lançamento de bombas de fumo. A polícia alemã teve de utilizar canhões de água para conter a multidão. Tempo ainda para a atualidade internacional nos Estados Unidos, que negam qualquer envolvimento na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. Em conferência de imprensa, o secretário de Estado norte-americano, a administração de Donald Trump, recusa ter facilitado a saída de Flávio Bolsonaro. Diz que o candidato presidencial derrotado nas eleições presidenciais do Brasil já tinha um visto dos Estados Unidos e que a única decisão tomada por Donald Trump foi autorizar a entrada de Flávio Bolsonaro no país. O brasileiro viajou com a mulher e com as duas filhas, que atravessaram a fronteira do Brasil para a Argentina, onde depois embarcaram num avião privado rumo a Miami. Aterrou na quarta-feira após ter feito escala no Equador. Este episódio veio aumentar a tensão entre a administração de Donald Trump e o governo de Lula da Silva, que derrotou Flávio Bolsonaro na segunda volta das eleições presidenciais do Brasil. Notícia de fecho na Rádio Observador. A informação volta a ser atualizada no intervalo do jogo entre o Futebol Clube do Porto e o Estoril, da jornada 10 do campeonato. A emissão especial de desporto arranca já a seguir, na sua rádio de eleição.