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Continuamos aqui na Casa de Santar e Magalhães, onde podemos encontrar várias peças de grande relevo histórico na história de Portugal. Tenho à minha frente, José Luís Vasconcelos e Sousa, uma capa de batismo que tem contornos muito especiais, não só por ser a capa de batismo do primeiro Marquês de Sant'Iria, mas também pelos padrinhos desta pessoa. Consegue nos contar?

Sim, exatamente. Já agora contextualizo também o que se passou no século XVIII. O primeiro Marquês de Sant'Iria nasce em 1783, em França, em Paris. Naquela altura deixou-se de fazer no batismo a imersão total da criança para imersão parcial. Isso levou que nascessem as capas de batismo extremamente trabalhadas, porque estamos na época do luxo do século XVIII, do Barroco. Esta capa foi lavrada em seda cor de salmão e metais dourados. Serviu o pai de Dom Luís de Sousa Coutinho Montemayor, que era embaixador da Corte em Paris, e o filho Luís de Sousa Coutinho Montemayor teve como padrinhos Luís XVI e Maria Antonieta.

Figuras incontornáveis da história.

Sim, e que infelizmente, com enorme tragédia, foram ambos decapitados. Mas o facto é que a capa sobreviveu e está hoje aqui em exposição no sentido impositivo da Casa de Santar e Magalhães.

Ao lado desta capa temos vários retratos das 16 gerações da família que tomaram conta deste edificado. Mas há aqui uma regra. Para contextualizar, havia dentro das famílias, vários filhos, e cada um recebia coisas distintas. O primeiro iria receber os títulos, o segundo iria para o exército, para militar, mas o terceiro iria para o clero. Os três retratos estão aqui, três gerações, creio eu, de elementos do clero pertencentes a esta família.

Sim, existia obviamente o morgadio, por isso o filho mais velho, o primogênito, ficava com a maior parte dos bens e havia de facto os segundos e terceiros filhos que seguiam ou carreira militar ou obviamente o clero. Temos muitos bispos na família. Talvez falar do que está em exposição aqui na Casa de Santar e Magalhães tem a ver com um arcebispo que acabou em cardeal. Temos aqui o retrato.

Cardeal Figueiredo.

Cardeal Figueiredo. O nome dele Pedro Paulo Figueiredo Melo e Cunha. Chegou a cardeal. E temos aqui as vestes cardinalícias, assim como o quadro a óleo dele próprio. Temos as vestes, a capa magna, temos o soleiro, temos a mursa, que é aquela pequena capa com capuz. Enfim, temos a alva, que está por baixo, que faz parte obviamente dos hábitos cardinalícios.

Temos também aqui uma pequena descrição daquilo que foi, toda a passagem e toda a vida do Cardeal Figueiredo, desde os seus tempos universitários na Universidade de Coimbra, até à parte mais eclesiástica da vida.

Sim, sem dúvida. Temos aqui todo o descritivo. Muito importante aqui para a Casa, por quê? Porque os seus serviços foram de tal maneira prestigiados pela Coroa que o título Visconde de Taveiro foi dado à sua sobrinha neta. E daí a Casa de Santar torna-se titular no século XVIII com o título de Viscondessa de Taveiro. Mais tarde, o filho da viscondessa de Taveiro, visconde de Taveiro, passa a ser também conde de Santar.

São certamente muitas histórias relacionadas com o clero. Nesta primeira parte da visita, podemos assim considerar, ao lado da capa de batismo encontramos também alguns paramentos que são representantes dos elementos do clero desta família ao longo dos séculos.

Sem dúvida. Aqui como temos uma capela, tínhamos missa. Aqui estão representadas estas casulas, cuja cor difere em função do período litúrgico, que ainda hoje em dia é assim. Na parte da frente têm este lado ovóide e na parte de trás retangular. Por baixo teriam sempre a alva, que ainda hoje em dia nas cerimônias litúrgicas é exatamente o mesmo. Figuram aqui em exposição no sentido de proteção da Casa de Santar e Magalhães.

Falando agora da capela de Dom Francisco de Assis, onde vai decorrer o próximo episódio.