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Continuamos aqui na vila de Santar, uma vila a cerca de 20 minutos de Viseu, da cidade de Viriato, onde encontramos muito daquela que foi a história do país, na sua naciscência em 1143, ou até um pouco antes, até ao período da atualidade. Continua comigo José Luís de Vasconcelos e Sousa. Mais uma vez, muito obrigado. Pergunto-lhe agora esta origem da Casa Santar e Magalhães, no local onde nós estamos. Este projeto foi reconstruído em 2013. Por quê? Qual foi a ideia?
O projeto foi reconstruído em 2013, porque a família Vasconcelos e Sousa, a minha família, nomeadamente o meu irmão e eu, e a minha mãe, que nessa altura ainda estava viva, queríamos preservar e manter este património e saber qual era a melhor maneira de fazê-lo. E por isso, surge uma ideia inovadora. Reparamos que Santar tem duas características muito singulares. A primeira é que, do ponto de vista topográfico, é atravessada por jardins, de norte a sul e de este a oeste. E estes jardins vão desaguar, em termos metafóricos, claro, em jardins de vinha. Por isso se estende urbanisticamente em todos os recantos. O segundo aspecto que reparámos é uma componente de sustentabilidade social. Normalmente falamos sempre da sustentabilidade económica e da sustentabilidade ecológica, mas esta foi crucial neste projeto, que é a coesão social, a dignidade humana, as boas relações de vizinhança, as boas relações com a comunidade, que permitiu fazer o quê? Permitiu quebrar muros, juntar jardins, criar pontes e juntar jardins. E criar uma nova narrativa, que é visitar uma vila histórica através dos seus jardins. E o que acontece hoje em dia é que o visitante vai visitar Santar, através dos seus jardins, e descobre o seu charme, as pessoas, o património, tanto religioso, como já falámos, a Igreja da Misericórdia, que data de 1637, a Igreja Matriz, que data de 1110. Descobre também o património solarengo, o património vernacular, descobre a gastronomia, descobre os seus vinhos, enfim, no fundo, descobre também a beleza de saborear a vida bucólica de campo e as suas experiências e o saber fazer das tradições ao longo dos tempos.
Certamente uma panóplia de experiências que têm para oferecer e por isso, e até porque os próximos episódios vão conter algumas das peças, alguns dos lugares, salas, que poderão os nossos ouvintes visitar aqui em Santar. Pergunto-lhe de uma forma muito geral, mas também muito sintética, o que o visitante pode esperar desta visita à Casa de Santar e Magalhães?
Relativamente à casa, a visita começa pela casa. No primeiro andar, no rés-do-chão da casa, temos o centro de interpretação, onde se descobre primeiro a história da casa. Já vem há 16 gerações, por isso a casa data do fim do século XVI para o princípio do século XVII, a parte mais antiga. A capela, que data do século XVII. Por exemplo, a cozinha velha, que também data do século XVII, onde é muito interessante porque temos uma fonte alpendroada com uma cúpula esférica e que essa fonte de nascente natural era um privilégio na época. Não tínhamos água canalizada, como é óbvio, e ter uma fonte dentro de casa era verdadeiramente um privilégio.
Para além destes locais, neste caso, dentro de casa, a capela, a cozinha e também uma história que certamente vamos contar datada logo do início do século XVII. Também temos os jardins, este unir pontes, este quebrar muros e também unir várias famílias. Explique-nos este conceito através de cinco jardins, certo?
Certo. O projeto Santar Vila Jardim reúne, por isso o quebrar muros, criar pontes e juntar jardins, junta cinco casas que aderiram de imediato. Um deles foi o jardim aqui da Casa de Santar e Magalhães, a Casa da Magnólia, a Casa das Fidalgas, hoje Hotel Valverde Santar, a Casa Ibérico Nogueira, a Misericórdia e recentemente, porque este projeto está aberto, é um projeto plural, por isso temos a Nossa Senhora da Piedade também que se juntou a este projeto. Aqui os jardins propriamente dito. É importante dizer que o jardim da Casa de Santar e Magalhães é um jardim histórico. Este jardim nasce justamente pós a restauração. Francisco Lucas de Melo, que era filho de um genovês, por isso de influência italiana, por isso este jardim ganha a força da influência italiana e é um jardim renascentista. Na base, é um jardim renascentista de influência italiana, onde os conceitos ordem e geometria realçam-se neste jardim. Por quê? Porque tem quatro patamares que descem em declive num eixo vertical à casa, separando em parcelas praticamente simétricas. Tudo isto rodeado por uma balaustrada em granito, que no fundo é a continuação do jardim da casa, no sentido renascentista e humano, de desfrute, de recreio. Esta balaustrada termina depois numa escada, em granito, que vai ter a um bosque, a um bosquete de castanheiros da Índia, onde tem um lago em elipse. Esta ordem, esta geometria, está na base do jardim da casa. Mais tarde, ele recebe influência francesa e por isso começa a ter um parterre de broderie, um parterre de buxo, aqui no primeiro patamar, preenchido de rosas, por sua vez, uma alameda de camélias que é contornada por hidrângeas. E tudo isto cria todo um impacto cênico de expressão de jardim formal francês, com estatuária também, com repuxos de água, já muito no sentido barroco, de expressão barroca.
Certamente um cenário ideal para várias visitas, não só no inverno, no verão, em todas as estações do ano, para os nossos visitantes desfrutarem e que vão também poder conhecer mais nos próximos episódios.