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A Nossa Cultura está na Casa da Ribeira, em Viseu, e estamos agora a admirar um tear de madeira, uma peça fantástica que terá cerca de dois metros de altura, por dois de profundidade e dois de largura. Quem nos vai explicar um bocadinho o porquê desta peça estar aqui é a Diana Silva, que trabalha aqui na Casa da Ribeira. Olá, Diana. Por que esta peça está representada aqui neste museu?
Olá, António. Este tear e esta arte da tecelagem, que nós vemos que é uma arte milenar, faz parte também do artesanato tradicional da nossa região de Viseu. Os trabalhos no tear desde sempre aqui existiram. Nomeadamente, nós temos uma freguesia que é Varzea de Calda, onde se costumava dizer que casa sim, casa não, existia um tear, e onde era muito característico, ainda se semeia o linho e o ciclo do linho lá, de se trabalhar no tear e onde podemos fazer inúmeras peças.
Os fios que estão neste momento neste tear, falou no linho, mas não são linho.
Não, no caso disto aqui é uma teia, que são os fios que estão aqui enrolados neste tear de algodão. Poderia ser uma teia de linho também, mediante o trabalho que a artesã quer fazer.
À volta do tear temos outras peças que também estão relacionadas. Estou a olhar aqui para uma, que tem um bico de metal muito comprido, que está apoiado, suportado numa peça de madeira. Eu quando olho para isto de repente, a primeira imagem que me vem à cabeça é a da Bela Adormecida que picou o dedo e adormeceu para sempre. Corremos este risco aqui, Diana?
Não, não corremos o risco. Isto aqui é um caneleiro, que serve para encher a canela que colocamos depois dentro da lançadeira, que é a peça que parece quase uma barquinha, que depois nós vamos lançar de um lado para o outro com o tipo de tecido que a peça neste caso vai ser feita, que poderá ser um algodão, um lã, um resto de tecido, dependendo do tipo de peça que a artesã esteja a fazer. No caso do tear, o que está ali a fazer são uns paninhos com restos de tecidos. Esta parte da reciclagem, as pessoas usavam a roupa até não dar mais e depois aproveitavam.
Faziam estes novelos de restos de trapo?
Sim, faziam estes novelos de resto de trapo que aqui as tecedeiras chamam de firmas, onde elas cortavam estas tirinhas de uma blusa, de uma saia, de umas calças velhas e faziam um novelo. Muitas vezes as pessoas faziam isto em casa. Nem toda a gente tinha um tear, quando iam ao tear já levavam os novelos com a roupa e depois só pagavam a mão de obra do fazer, por exemplo, as famosas mantas de trapos e de farrapos que no inverno serviam para colocar como colcha nas camas, porque isto sendo tecido ficavam muito pesadas.
E quentinhas.
E quentinhas, sim.
Aqui do lado esquerdo temos uma outra peça de madeira, que eu vou lhe perguntar, em primeiro lugar, qual é o nome e depois também qual é a função.
É uma adobadoira, que serve exatamente para adobar, neste caso, quando falamos da parte do linho, que é colocado à volta da adobadoira e depois é começado a criar os novelos para as linhas não eriçarem. E a artesã consegue depois criar o novelo com os fios todos certinhos.
E aqui assim andando para o nosso lado direito, temos então alguns exemplos de produtos finais que podem sair deste tear.
Sim.
Isto são panos de cozinha, são individuais para os pratos?
Poderemos chamar de um individual. Este aqui é de algodão, portanto foi usado numa base de uma teia de algodão e a linha que se entrelaçou foram também fios de algodão, depois a artesã usou aqui um lilás nas pontas para dar um toque diferente. Podem também servir para colocar em cima de uma mesinha de cabeceira. Normalmente, com restos de tecido, estes individuais servem mais para colocarmos na mesa das refeições.
É então este núcleo dedicado ao tear, que está aqui na Casa da Ribeira, em Viseu. A Nossa Cultura veio ver e garantimos que podem vir em segurança, que não há risco de ninguém picar o dedo e ficar a dormir durante muitos anos à espera que chegue o príncipe encantado.