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A Rádio Observador está em Lazarim, no Centro Interpretativo da Máscara Ibérica, à frente de um mapa da Península Ibérica com vários pontos onde esta máscara é muito conhecida. Continuamos a conversa com o Fernando Ribeiro, da Câmara Municipal de Lamego. Fernando, as máscaras de Macedo de Cavaleiros acabam por ser um pouquinho mais conhecidas do que estas máscaras de Lazarim. Por quê?
Neste momento talvez o sejam, apesar de elas terem uma origem muito semelhante e provavelmente, ao longo do tempo, elas permaneceram e existiram de forma conjunta, mas se calhar durante muito tempo, desconhecendo um pouco o que uns e outros faziam. Neste momento, Podence é patrimônio imaterial da humanidade, logo tem um destaque diferente do de Lazarim. Nós estamos neste processo, neste momento estamos a ultimar, porque está em consulta pública, o registro do Entrudo de Lazarim no patrimônio imaterial português. Julgamos que a publicação será feita ainda durante este mês, mas entretanto também já estamos a preparar a candidatura às boas práticas da UNESCO, que lhe permitirá ter uma classificação também de cariz mundial e que nós achamos que isso terá como resultado um conhecimento tão grande como o de Podence. Ou seja, elas devem coexistir, todas elas têm as suas particularidades, todas elas têm a sua origem praticamente iguais.
Era isso que eu ia perguntar. A origem é semelhante?
É muito semelhante, sim. A única coisa que difere são, de fato, os fatos, algumas manifestações, a forma como se fazem, mas todas elas, se nós víssemos e só ouvíssemos o que se passa, se calhar diríamos que eram as mesmas manifestações.
E neste mapa da Península Ibérica, Fernando, o que nós vemos? Vemos vários pontos onde há tradições semelhantes com essa origem comum.
Exato. Praticamente com os mesmos sentidos, com os mesmos objetivos, e está muito diversificado na zona da raia entre Portugal e Espanha, vai do norte, não tão a sul, mas mais a centro.
Galiza até à Estremadura, não é?
Sim, essencialmente da Galiza até à Estremadura. Eu não posso dizer se aqui estarão representadas todas esse tipo de manifestações, mas eu penso que 90% estará aqui representado.
Vemos algumas diferenças nas imagens destas máscaras. Conseguiria identificar a máscara de Lazarim e de Lamego, comparando com, por exemplo, os seus primos espanhóis que vemos aqui? O que difere, para quem nos está a ouvir?
Difere essencialmente a máscara. É a máscara que é o elemento identitário do Entrudo de Lazarim.
Portanto, é aquela máscara feita de madeira.
Madeira de ameixeiro, que é esculpida praticamente de uma forma manual e ainda é bastante rústica.
De uma forma mais tradicional, talvez, que os seus primos afastados.
Não sei se seria mais tradicional, mas foi, pelo menos, a identidade que Lazarim acabou por adquirir. Não classificaria desses termos. Todas as outras são bastante interessantes. E depois tudo aquilo que anda à volta do Entrudo, ainda mais interessante se torna, e poderá haver ligeiras diferenças. Eu também não conheço todas as manifestações e a forma como elas se fazem, mas grande parte delas tem sempre o queimar do velho e o do fogo pretender ir para o novo e o renascimento, e por isso todas elas acabam por ser muito semelhantes. E acaba por ser um elemento, apesar de diferenças, muito de identidade e de aproximação entre os diversos lugares tão distantes.
Este mapa da Península Ibérica tem uma, duas, três, quatro, cinco máscaras, cinco regiões com esta tradição. São as únicas ou pode haver mais que ainda estejam neste momento a ser descobertas?
Não, são bastante mais. Eu não sei exatamente.
Não tenho o número exato, mas existem mais tradições. Nós destacamos algumas.
Por que estas em particular, Tatiana?
Para vermos a diversidade também que existe em termos do território. Depois temos também na nossa aplicação, ali já temos um leque mais alargado de tradições com a sua descrição, fotografias. Quer de Portugal, quer de Espanha. Destacamos aqui algumas, Lazarim, claro, e Podence. E depois foi mesmo também pela sua diversidade territorial, mais nesse sentido.
Acredito que Tatiana também tenha essa facilidade de identificar a máscara de Lazarim comparando com os seus primos espanhóis, mas pra quem nos ouve e quem não conhece, o que é diferente, por exemplo, da máscara de Lamego pra máscara de Castelo e Leão?
Por exemplo, a máscara não é pintada, não existe qualquer pintura na máscara de Lazarim. São feitas em madeira, conforme o doutor Fernando referiu há pouco. É muito nesse sentido. E também o próprio fato, muitas das vezes também difere de outras tradições. Neste caso, em concreto.
Os próprios fatos são diferentes.
Os próprios fatos são diferentes. No caso de Castelo e Leão, desta festividade em concreto, este traje é muito específico desta personagem e é sempre o mesmo traje que sai à rua. E aqui em Lazarim, conforme o doutor Fernando disse, os trajes são todos os anos novos, portanto, são criados fatos novos todos os anos.