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A contagem dos votos começou com um falso arranque. Depois de divulgar os primeiros resultados, com apenas 0,25% dos votos apurados, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a publicação dos números durante duas horas — até ao (re)encerramento das urnas, às 19h00 (22h00 em Lisboa). Quando a contagem foi retomada, a corrida entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro revelou-se renhida, com duas mudanças na liderança antes de o Presidente brasileiro garantir um quarto mandato inédito.

Os primeiros resultados davam vantagem a Lula da Silva, mas a publicação dos números foi interrompida pouco depois das 20h10 (hora de Lisboa), na sequência da decisão de prolongar o horário de votação por duas horas. A suspensão foi confirmada pelo TSE, que indicou que a contagem só seria retomada depois do fecho das urnas.

Com o reinício da contagem, Flávio Bolsonaro passou para a frente da corrida. Às 22h45 (hora de Lisboa), com 13% dos votos apurados, o senador do Partido Liberal (PL) tinha uma vantagem de apenas 0,06 pontos percentuais sobre Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT).

A tendência voltou a inverter-se cerca de 45 minutos depois. Às 23h30 (hora de Lisboa), com 56% dos votos contabilizados, Lula recuperou a liderança, embora a diferença entre os dois candidatos continuasse abaixo de um ponto percentual. A partir daí, o Presidente começou a consolidar a vantagem, num resultado que viria a confirmar a sua reeleição.

Com mais de 70% dos votos apurados, por volta das 23h50 (hora de Lisboa), o ambiente na sede de campanha do PT já era de festa. Num vídeo publicado por Rafael Fonteles, governador do Piauí e aliado de Lula, o Presidente surgia visivelmente emocionado enquanto os apoiantes celebravam o que consideravam ser uma vitória histórica. “Lula tetra!”, gritou Fonteles, numa referência ao quarto mandato presidencial do petista.

Pouco depois, o instituto Datafolha projetava a vitória de Lula, uma previsão acompanhada também pelos jornais brasileiros Nexo e Estadão. Às 00h10 (hora de Lisboa), com 97% dos votos apurados, o TSE confirmou que a eleição estava “matematicamente decidida” a favor do candidato do PT.

Às 00h35 (hora de Lisboa), com 99,87% dos votos contabilizados, Lula tinha obtido 64.156.472 votos, correspondentes a 51,76% dos votos. Trata-se da maior votação de sempre da sua trajetória política e de um aumento superior a dez milhões de votos em relação à primeira volta, quando conseguiu 53.879.538 votos.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, somava à mesma hora 59.784.442 votos, equivalentes a 48,23%. O candidato do PL também aumentou a votação em relação à primeira volta, quando tinha conseguido 56.104.503 votos, mas não foi suficiente para impedir a reeleição de Lula.

A participação eleitoral também aumentou. A abstenção caiu de 21,08% na primeira volta para 19,21% na segunda, o equivalente a uma redução de cerca de três milhões de eleitores que não foram às urnas. Ainda assim, perto de 30,5 milhões de eleitores ficaram em casa.

Minas Gerais: o barómetro eleitoral que voltou a acertar no vencedor

Minas Gerais foi o único estado a inverter o resultado entre as duas voltas, confirmando o peso eleitoral de um território frequentemente considerado um barómetro das presidenciais brasileiras. Desde 1989, o estado tem coincidido com o vencedor nacional em todas as eleições presidenciais, o que faz dos seus resultados um indicador importante a seguir durante a noite eleitoral.

Minas Gerais, o “espelho” do Brasil: Bolsonaro venceu na primeira volta mas Lula quer virar resultado do “estado-pêndulo”

Na primeira volta, a 4 de outubro, Flávio Bolsonaro tinha vencido em Minas Gerais, com 48,24% dos votos válidos, contra 43,33% de Lula. Na segunda volta, a tendência inverteu-se: com 99,68% das urnas apuradas, o Presidente conseguiu 50,39%, contra 49,61% do adversário. A diferença entre os dois candidatos ficou abaixo dos 100 mil votos.

A abstenção no estado também diminuiu, passando de 22,81% na primeira volta para 20,32% na segunda, embora tenha continuado acima da diferença registada à escala nacional. A inversão em Minas Gerais foi, assim, uma das mudanças mais relevantes da noite, num estado cujo comportamento eleitoral voltou a acompanhar o resultado nacional.