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Sejam bem-vindos ao programa "A Nossa Cultura". Meu nome é Martim Madeira. Estamos aqui no Teatro Viriato a analisar a exposição "O Teatro Também é Nossa Casa". Estamos com Ângela Rocha. Falamos há pouco do processo criativo e agora estamos mesmo a olhar para a obra em si, para a maquete em si. Uma maquete que diria que tem cerca de 70 cm de altura, sem contar a parte de baixo. Mas a maquete tem cerca de 70 cm de altura. E um dado curioso, pelo menos do que eu vejo desta maquete do teatro, que está muito bem feita, é que tem raízes embaixo. Isto significa o quê? O teatro está enraizado na cidade? É a interpretação que podemos fazer?

Eu acho que as pessoas são livres de fazerem a interpretação que quiserem. Isso faz parte de qualquer criação artística, deixar sempre um espaço aberto para que caiba o lugar de cada um. Agora, eu acho que numa tentativa de uma réplica o mais parecida com o teatro original, é importante mostrar o espaço que não se vê muitas vezes. E é, no fundo, esta ideia do trocadilho entre o que é uma cultura e o que é um lugar que já criou raízes. Já são mais de 25 anos e que se vai construindo, mas revelar esse lado que muitas vezes nós não vemos nos edifícios, mas que simbolicamente existem e que dão o sustento, o alimento, seja a cultura alimentada pelo público, seja a cultura alimentada pelo lugar e tudo aquilo que ele permite.

Mas também pode ser a cultura que também alimenta a cidade?

Sem dúvida, eu acho que sim. Portanto, é muito bem-vinda essa observação também, Martim.

Esta maquete, de facto, é impressionante e é muito realística, parecida mesmo muito ao teatro. Para dar um contexto e a descrição que aqui vamos fazer, por mais difícil que seja, não é uma forma bem uniforme. O teatro tem aqui pelo menos três fachadas principais: a fachada principal que nós vamos analisar, depois uma do lado esquerdo, uma do lado direito. Temos depois em cima, no telhado, o corpo do teatro e toda uma instalação que, em princípio, parece-me ser o teatro em si. Esta parte aqui de cima está descrito, por exemplo, "homenagem ao público", é onde está situada a plateia?

Não. Aí é uma outra janela. Na prática, corresponde à sala de ensaios do teatro. Esta maquete também nos permite uma coisa que não é possível na realidade, que é contornarmos inteiramente o edifício do teatro e portanto percebermos o quão grande e quanto espaço é necessário para a construção e para o trabalho de todas as pessoas envolvidas no teatro. Podemos ter acesso à zona dos camarins, podemos ter acesso à zona da produção. Temos aqui uma tridimensionalidade e aí apercebemo-nos também da dificuldade deste edifício não ser regular, ou seja, ele não é um paralelepípedo. É uma forma bastante complexa que nos dá a conhecer toda essa tridimensionalidade. Nós podemos andar em torno de todo o teatro e podemos ver nele diferentes fechaduras. E aí acho que é o código certo de perceber que as chaves que nós recebemos poderão ser introduzidas porque correspondem à dimensão da chave-mestra que recebemos e podemos introduzir essa chave e ativar cada um destes pequenos universos.

Uma chave, já agora, Ângela, se me permitisse ver a chave, porque não a descrevemos ainda muito bem. É uma chave bastante pequenina, lá está, provavelmente do tamanho da falange do dedo, em que vocês tentaram ter o logo do teatro, acabaram por optar por um formato mais em coração. A mim parece-me. Este formato em coração também é propositado, apenas estético, tem algum simbolismo com o teatro?

Na verdade, não há chaves iguais e isso também era uma questão importante. A individualidade eu acho que é sempre de realçar e é uma chave-mestra simbólica e portanto não precisaria de corresponder exatamente a um formato específico. A única coisa que foi importante para nós manter era a ideia de um objeto que tivesse algum detalhe e que parecesse antigo, ou seja, que fosse realmente uma forma tridimensional, este convite ser tridimensional e que as pessoas pudessem não só utilizá-lo aqui na exposição, mas depois, como eu já vi acontecer, utilizaram-no como colar ou como porta-chaves. Portanto, introduziram no seu cotidiano, que eu acho que é uma coisa também interessante, de desvanecer um bocadinho as fronteiras entre o espaço de dentro e o espaço de fora, porque queremos que a cultura chegue a toda a cidade. E portanto, haver esta chave, mesmo que tu podes emprestar a tua chave a alguém para ir ver. Sendo que há esta coisa: tu só emprestas as tuas chaves a alguém em quem confias, a alguém que queres que também faça parte de um momento ou de uma experiência que te fez algum sentido e portanto existe essa partilha e esta conversa que vai além do teatro.

Esse simbolismo de intimidade e vamos então entrar no íntimo deste teatro. Agora no próximo episódio analisaremos mais estas janelas que são abertas com esta chave nesta maquete bastante grande, com estas raízes, numa espécie de pentágono, diria, não sei quantos lados tem mais ou menos, mas parece-me ser uma espécie de pentágono. Pelo menos parece-me ter cinco lados. Esta maquete grande, vamos então depois no próximo episódio começar por esta fachada principal e abrir estas janelas com estas chaves que vão mostrar a intimidade deste teatro.