A Galp e a Moeve já não vão avançar para a junção dos negócios. As negociações entre a Galp e os acionistas da Moeve, os fundos Mubadala (de Abu Dhabi) e Carlyle, não chegaram a bom porto e, assim, as negociações terminam e a operação que iria juntar a rede de retalho e os negócios industriais cai por terra.
“Na sequência do anúncio de 8 de janeiro de 2026, relativo ao acordo não vinculativo celebrado entre a Galp e os acionistas da Moeve, Mubadala Investment Company e The Carlyle Group, e após um período de negociações aprofundadas entre as partes, não foi possível alcançar um acordo”, indica a Galp em comunicado, acrescentando que, “ao longo de todo o processo, as partes mantiveram-se empenhadas na avaliação dos potenciais benefícios decorrentes de uma combinação das atividades de downstream, com o objetivo de estabelecer uma parceria duradoura e geradora de valor”. Mas não foi possível. As razões não são especificadas, dizendo apenas a Galp que, “embora o racional estratégico subjacente à operação proposta continue a fazer sentido, as partes não conseguiram alcançar o alinhamento comercial necessário para estabelecer uma parceria duradoura e geradora de valor a longo prazo”.
A Galp garante que o fim das negociações “não tem impacto nas operações atuais da Galp nem na confiança da empresa no potencial de criação de valor autónomo do seu portefólio de downstream. E também não altera a convicção da Galp quanto às oportunidades que a consolidação do setor pode representar para reforçar a competitividade, a escala e a capacidade de investimento dos negócios”.
Assume o compromisso de “transformação em curso das suas atividades comerciais e industriais, com vista a assegurar a sua competitividade e sustentabilidade a longo prazo”, garantindo que “as iniciativas de otimização do portefólio em curso, apoiadas por parcerias estratégicas ao longo da cadeia de valor, continuarão a proporcionar oportunidades de criação de valor adicional através de modelos de investimento mais eficientes na utilização de capital”.
Paula Amorim, presidente do conselho de administração da Galp, citada em comunicado diz acreditar “no racional estratégico da consolidação dos negócios de downstream e das parcerias estratégicas, assentes num forte alinhamento e numa visão partilhada, que continuarão a ser fundamentais para reforçar a nossa competitividade, apoiar a transformação dos nossos negócios e assegurar um crescimento sustentável.”
As negociações entre a Galp e os acionistas da Moeve visavam criar duas empresas. Uma com os ativos de venda de combustíveis e outra com a atividade industrial. Na primeira destas empresas, a Galp teria o mesmo poder que a Moeve, mas na segunda cederia o controlo da refinaria de Sines que ficaria numa nova empresa detida em maioria pela Moeve que tem duas refinarias e duas petroquímicas (nas refinarias) em Espanha e quatro petroquímicas no exterior: Indonésia, China, Canadá e Alemanha.