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Fabrizio Matos é um dos artistas que participou neste novo ciclo que está em exposição no Museu do Caramulo, em Viseu, White Box um: Intervalos. É um artista que já tem por estilo habitual trabalhar o carvão e também os carros, os automóveis, um estilo que também costuma ser reconhecido por estar sempre em exposição no Museu do Caramulo. Comigo tenho uma das gestoras desta coleção, Inês Pina Ferreira. Muito boa tarde.
Olá, boa tarde. Bem-vindos ao Museu do Caramulo.
Tendo em conta que quem já vem visitar o Museu do Caramulo, já vem para ver exposições sobre automóveis, sobre carros, aqui com esta coleção temporária, Fabrizio também permite dar a conhecer mais outro estilo daquilo que pode ser feito no meio artístico com carros.
Exatamente. Sim. Aqui com o Fabrizio temos aquele verdadeiro complemento que sempre se ansiou com a criação do Museu do Caramulo, no fundo, esta ligação dos carros à arte. Aqui nós temos literalmente os carros expostos como uma verdadeira obra de arte, que no caso já o são, mas aqui estão sobre telas, sobre papel, em quadros. Portanto, conseguimos perceber essa exposição de carros aqui dentro do edifício da arte, o que é particularmente interessante para nós.
E Fabrizio já tem por hábito trabalhar o carvão ou foi um estilo novo, um método novo que adotou só para esta coleção?
Aquilo que o Fabrizio nos contou foi que quando recebeu o convite do curador desta exposição, José Maçãs Carvalho, ele estava precisamente a desenvolver um tema sobre o trabalho automóvel. E a explorar também toda esta dinâmica do carvão. No fundo, é um tema que já havia abordado anteriormente na sua prática, mas nunca através do desenho, que é o meio central que ele tem até desenvolvido nos seus últimos anos. Portanto, no fundo, aqui Fabrizio teve a oportunidade de se centrar também na coleção do Museu do Caramulo, tanto nos automóveis reais como na coleção de brinquedos que também temos, criando imagens ora lentas, que obrigam a um olhar mais minucioso, ora velozes pela acumulação de camadas visuais. Portanto, desse tal carvão que aqui vemos representado.
E precisamente nós estamos à frente de uma dessas peças, chama-se Alfa Romeo Disco Volante, em que é dada mesmo esta impressão de que o condutor vai em alta velocidade numa rua, numa estrada com bastante curvas. Faz também lembrar aquelas que são as estradas de Viseu.
Sim, e as estradas muito concretamente aqui da Serra do Caramulo. Ou seja, nós nesta sala encontramos dois grandes desenhos de Fabrizio Matos. Temos aqui à nossa frente o Alfa Romeo Disco Volante, que no fundo evoca a estética dos posters automóveis dos anos 40, 50 e tem precisamente a Serra do Caramulo como fundo. Depois temos também o Alfa Romeo Giulia GTA, que é a outra obra de Fabrizio Matos presente nesta sala, que é particularmente interessante porque essa obra surge a partir de uma conversa ouvida pelo próprio artista entre dois colecionadores, sendo que no fundo, o que o desenho aqui explora é a relação entre o mercado da arte e dos carros antigos.
Como é que o artista justifica aquilo que ele produziu para esta coleção com o tema da coleção, portanto, a Caixa Branca, White Box: Intervalos?
Temos que compreender que quando o José Maçãs Carvalho lança este desafio aos artistas, ele próprio vai mostrar qual é que é a sua ideia, que no fundo aqui era partir dos gabinetes de curiosidades, partir da coleção do Museu do Caramulo e depois deixa os artistas também explorar a sua própria criatividade. No caso, o Fabrizio já tinha uma ligação mais próxima com os automóveis, ou seja, é uma relação pessoal, que no fundo também este gosto dos automóveis foi-lhe transmitido pelos avós. Em Itália aprendeu a conduzir num Alfa Romeo, experiência que originou uma paixão duradoura pela marca, abrindo-lhe também portas para o mundo dos protótipos, dos engenheiros, dos pilotos. Portanto, o automóvel vai surgir aqui, na sua perspectiva, como um espelho de uma época política, econômica e cultural. Ele vai inspirar-se na coleção automóvel do Museu do Caramulo, também na coleção de brinquedos, como já referimos, mas sobretudo na sua própria experiência de vida, que acaba aqui também por juntar, como se costuma dizer, o útil ao agradável.
Era exatamente essa expressão que eu ia utilizar, essa sinergia de partir da própria inspiração para ir ao encontro daquela que já é a inspiração base do espaço que iria receber as suas obras e que agora estão aqui expostas no Museu do Caramulo. Inês, muito obrigada.
Obrigada.