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O judaísmo está bem representado, homenageado e recordado aqui no Centro de Memória Judaica de Vila Cova à Coelheira, uma localidade que ainda pertence ao concelho de Vila Nova de Paiva. Estamos bem perto do centro. Estamos no Centro de Memória Judaica, onde já percorremos vários símbolos, todos com o seu significado, em vários espaços, seja para orar, seja nos momentos mais privados, os momentos de casa, cada um tem o seu significado. No piso inferior, falamos de alguns deles. No piso superior, continuamos a conhecer alguns objetos ligados à tradição que foram doados por duas pessoas e também pela família destes dois judeus americanos que um dia visitaram este espaço e decidiram enriquecê-lo. À nossa frente, já a meio da sala do segundo piso, temos as velas de Shabbat. Esclarecemos aqui também uma grande dúvida ao que nos é ensinado nas aulas de história, e provavelmente que o Shabbat, afinal, não é bem o sábado, não é, Cláudia Ferreira?

É isso mesmo. Confirmo aquilo que acabou de dizer. Já falei num outro episódio, toda a informação que temos aqui escrita e afixada foi feita pelo senhor Khan, e ele tem aqui tudo bem explicado. O Shabbat começava no pôr do sol de sexta-feira até ao pôr do sol de sábado. Isso é que era o Shabbat. Já agora, isto eram candelabros pares, ou seja, dois que tanto podiam ser separados como juntos. Temos aqui essas duas versões. Acender as velas nestes candelabros era uma função das senhoras, porque eram elas que estavam nas casas. E toda a prática judaica também tem uma bênção. Neste caso, eles têm que: "Abençoado seja o Senhor, Rei do Universo, quem nos santificou pelos vossos mandamentos e que nos mandou acender as velas do Shabbat". Acontece isso, que é o Shabbat, o sábado, era o que denunciava muito estes judeus que vieram para aqui forçados a praticar, a converter-se ao catolicismo. Acontece que no sábado, que era o dia de descanso, não trabalhavam. Isso era algo que os denunciava. Também os denunciava o facto de não comerem a carne de porco. Daí também já ter falado da alheira ou da farinheira, como é conhecida. E eram algumas dessas coisas que nós temos aqui agora representadas na nossa frente, nestas colunas, que têm informação sobre famílias que vieram para Vila Cova à Coelheira e que praticavam a religião judaica às escondidas e que, por isso, acabavam por ser denunciados e tinham o Tribunal de Santo Ofício, a Inquisição, constantemente em cima deles. Muitas das vezes, para se salvarem, tinham de denunciar outros e às vezes até a própria família. Temos aqui estas três colunas, em que tem essa informação de várias famílias. Isto faz parte da exposição inicial deste espaço do Centro de Memória Judaica de 2017, assim como nesta parede, nós temos aqui a representação. Tem este fundo azul céu, que até nos traz alguma calma, mas que, por exemplo, o Menorah, que nós já vimos, e ainda bem que o vimos, devido à doação, que era o Menorah de nove braços, temos aqui o Menorah de sete braços, mas infelizmente este Menorah está aplicado aqui na parede e é uma aplicação tipo cartão plastificado. Era algo que, antes destas doações, enriquecia o espaço, mas não da forma que as doações agora o fazem. É óbvio que, por exemplo, o Sefer Torá que nós vimos há pouco, tê-lo aqui também nesta aplicação, não era tão fácil, não era tão compreensível. E eu pessoalmente falo em relação ao tefilin, que era uma peça que foi preciso ser doada para eu perceber realmente o fundamento e a função daquela peça que eu até aqui não tinha percebido. Deste espaço onde estamos agora, é isso que é importante destacar. As famílias que praticaram a religião judaica aqui em Vila Cova à Coelheira, e esta informação está toda na Torre do Tombo. E também estes elementos que estão nesta parede deste fundo azul céu, que estão todos eles relacionados com a religião judaica, desde Moisés a segurar a tábula dos 10 Mandamentos, o dito Menorah, a Sefer Torá, o Yad, que era o ponteiro também para conseguirem fazer a leitura da Torá, e também o elemento básico da religião judaica, a Estrela de David.

São elementos que, muitos deles estão nesta parede, que foram transportados para a realidade através destas doações que foram feitas e que tanto enriquecem e ajudam a compor este Centro de Memória Judaica de Vila Cova à Coelheira. E é por cá que tem estado sua Nossa Cultura a visitar este espaço que, como o nome diz, é um centro de memória para que ela seja preservada e não seja esquecida.