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Miguel, em destaque a esta hora, o Primeiro-Ministro diz que Portugal é uma democracia madura com um sistema de justiça muito qualificado.

Na inauguração do novo Palácio de Justiça, em Beja, Luís Montenegro defendeu que a democracia em Portugal funciona e elogia o sistema de justiça português. O Primeiro-Ministro refere também que é responsabilidade dos democratas não permitir que os extremos políticos asfixiem a democracia.

Felizmente, Portugal é não só uma democracia madura, uma democracia que funciona, uma democracia onde até os extremos podem aparecer e manifestar o seu ponto de vista de forma democrática. Não podem é asfixiar a democracia, isso não podem. E isso os democratas também devem, naturalmente, cuidar de garantir. Mas Portugal é uma democracia madura e tem um sistema de justiça que é muito qualificado.

Neste discurso, Luís Montenegro realçou também que o argumento de que a justiça está em crise nunca vai desaparecer e é uma expressão normal do sistema.

Em tribunal, José Sócrates voltou a ser ouvido em mais uma sessão do julgamento do processo à Operação Marquês. O ex-primeiro-ministro falou sobre política e diz que o grande mérito do atual governo foi recuperar os projetos que Sócrates quis promover.

José Sócrates considera que o governo liderado por Luís Montenegro recuperou alguns dos projetos que foram anunciados durante o tempo em que esteve à frente do governo. Menciona alguns desses projetos: o TGV, o novo aeroporto ou até a terceira travessia sobre o Tejo. Critica, José Sócrates, o governo do PS, liderado por António Costa, que não seguiu em frente com esses projetos e atribui o mérito ao atual governo por ter optado por recuperar projetos do ex-primeiro-ministro.

Mas José Sócrates também aponta baterias à direita, que acusa ter levado a cabo uma campanha contra as PPP durante o tempo em que esteve na governação do país.

E, por isso, acusa a direita de só ser contra as PPP quando eram do Partido Socialista. José Sócrates refere que, na altura em que governou, as taxas foram as melhores e também das menores da Europa, em comparação com as anteriores PPPs feitas nos governos de Durão Barroso e António Guterres. Critica também o Ministério Público pela conduta em relação a este tema e a Luís Marques Mendes, porque enquanto comentador televisivo, ele fez comentários sobre as PPP, o que resultou num inquérito.

Pedro Passos Coelho também esteve na lista de visados destas críticas feitas hoje por José Sócrates.

Diz que foi o governo de Pedro Passos Coelho a contribuir para o chumbo do Tribunal de Contas sobre o TGV. José Sócrates garantiu que o Grupo Lena perdia dinheiro mesmo com a indemnização do Estado pelo incumprimento do contrato que tinha sido feito com os consórcios Elos, dos quais o Grupo Lena fazia parte, na sequência do chumbo do Tribunal de Contas. Sobre isso, diz que não tem dúvidas. José Sócrates refere que o chumbo era objetivo do governo que lhe sucedeu, o de Passos Coelho, ao optar por abandonar o projeto. O ex-primeiro-ministro volta a lançar-se contra Pedro Passos Coelho quando ainda era oposição de Sócrates. Critica o social-democrata por defender uma política de redução do investimento público e de austeridade, e não uma política expansionista. Acusa também Pedro Passos Coelho, o então líder do PSD, de achar que tudo era um risco e que o investimento público era um investimento improdutivo. Tudo isto foi dito durante a manhã, em tribunal. A sessão foi, entretanto, interrompida. Durante a tarde, José Sócrates deve responder a questões sobre o dossiê das casas na Venezuela e em Paris.

A Iniciativa Liberal criticou o governo por falar num país das maravilhas e pede uma política capaz de pensar além do próximo mandato.

Mariana Leitão fez hoje o discurso de encerramento nas jornadas parlamentares da Iniciativa Liberal, que decorreram entre ontem e hoje no Porto. Disse Mariana Leitão que a atual leitura que o governo faz do Estado não bate certo com a vida dos portugueses no dia a dia. Refere que há mais de um ano que o governo está a falar de um país das maravilhas. Neste discurso, Mariana Leitão referiu que Portugal tem perdido competitividade, tem apontado também, Mariana Leitão, para a subida do preço da habitação, os problemas nas urgências e a descida na captação de investimento estrangeiro. E com tudo isto, a presidente da Iniciativa Liberal refere que Portugal tem apenas corrido atrás do prejuízo e que não há estratégia governativa para os próximos 20 anos. Perante isso, pede, Mariana Leitão, uma política que pense nas próximas gerações e diz que Portugal precisa de políticos que pensem para lá do próximo mandato.

A Câmara Municipal de Sintra não consegue saber ao certo quantos alunos aguardam ainda colocação nas escolas do concelho.

Na sexta-feira, a Federação Nacional dos Professores, a FENPROF, dava conta de mais de 740 alunos ainda sem vaga nas escolas do município de Sintra. Esta manhã, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, disse que esse universo é, afinal, muito mais baixo, mas não concretizou o número. E disse também que, supostamente, o problema estaria resolvido antes da abertura do ano letivo. À Rádio Observador, na última hora, o presidente da Câmara Municipal de Sintra, Marco Almeida, explicou que o município não consegue acompanhar a evolução desta situação porque não tem acesso ao portal das matrículas.

No dia 4 de setembro, houve uma reunião entre o Ministério da Educação, a Câmara Municipal de Sintra e os diretores dos agrupamentos de escola. Nessa reunião, foi possível, por empenho das senhoras e dos senhores diretores, fazer-se a colocação de dezenas e dezenas de alunos. E ficaram, de facto, alguns alunos por serem colocados com o compromisso da parte dos senhores diretores que se arranjaria uma solução para esses alunos.

O pedido de Marco Almeida, presidente da Câmara Municipal de Sintra, refere que houve uma reunião realizada no início do mês e que permitiu colocar dezenas de alunos. Admite, ainda assim, que alguns continuaram sem vaga.

Não é possível à Câmara Municipal de Sintra dizer e afirmar quantos alunos ainda não têm turma atribuída. Isto porque as inscrições são feitas através do Portal das Matrículas, que é uma plataforma gerida pelo Ministério da Educação. Eu desejo, já de conta dessa disponibilidade, a Câmara Municipal de Sintra gostaria de ter acesso ao Portal das Matrículas para percebermos no nosso conselho, ao momento, em cada minuto, quantos alunos estão por colocar, até para que a Câmara também se possa envolver na procura de soluções para estes alunos que ainda não têm turma atribuída.

Para esta tarde está agendada uma reunião entre o Ministério da Educação, o município e os diretores das escolas do Conselho de Sintra. À semelhança do que aconteceu ontem para os casos de Lisboa e que permitiu colocar 613 alunos nas escolas da capital. A expectativa do autarca Marco Almeida é de que seja possível resolver a situação dos alunos sem escola no Conselho ainda durante a tarde de hoje.

Em Proença-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, o incêndio da Atalaia entrou em fase de resolução, mas o fogo em Alvito da Beira está a preocupar os operacionais.

Em Alvito da Beira, estão ainda dois setores ativos das cinco áreas consumidas pelas chamas. O autarca de Proença-a-Nova diz à Rádio Observador que a estimativa é que a área afetada seja acima dos 700 hectares. Os meios estão a ser reforçados ao longo do dia. Neste momento, o site da Proteção Civil refere que no local estão cerca de 600 operacionais, 200 viaturas terrestres e seis meios aéreos. Isto em Alvito da Beira. O presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, João Lobo, confirma à Rádio Observador que não foram afetadas habitações, apenas alguns imóveis, como arrecadações e palheiros. O segundo comandante sub-regional da Proteção Civil da Beira Baixa, Tiago Marques, explica que a reativação deste incêndio deve-se ao vento forte no local e ao declive acentuado no terreno.

Temos dois setores ativos dos cinco setores geográficos que temos organizado este teatro de operações, em que temos três incêndios já em resolução. No entanto, temos um setor que a esta hora nos está a dar aqui mais alguma preocupação, uma vez que houve aqui um alinhamento de dois fatores, declive e vento, e o incêndio está a reativar.

Já o incêndio da Atalaia, também na vila de Proença-a-Nova, entrou em fase de resolução. A Proteção Civil garante à Agência Lusa que os operacionais vão manter a vigilância. Neste momento, no teatro das operações para este incêndio, estão alocados cerca de 180 operacionais, 65 viaturas e também um meio aéreo. No total, são mais de 800 operacionais no combate às chamas a esta hora, nestes dois incêndios em Proença-a-Nova, estão a ser apoiados por sete meios aéreos.

Vamos ao futebol. Na antevisão ao jogo contra o Benfica, Rúben Amorim garante que nunca esteve em cima da mesa um regresso a Portugal.

Diz que nenhum outro convite, que não o do AC Milan, o fariam voltar a trabalhar já nesta fase. O treinador português falou do que pretendia para a carreira depois de ter deixado o Manchester United, foi despedido. Foi questionado sobre se teve um convite ou não para treinar o Benfica na época passada. Garante Rúben Amorim que tinha na cabeça fazer um ano sabático e que o cenário de regressar a Portugal claramente não estava em cima da mesa.

Era muito claro desde o primeiro dia que eu não iria treinar em Portugal, que eu não iria treinar. Essa foi a minha decisão, que eu iria parar e ter um ano parado com a minha família, que eu já ando a prometer há quatro anos. Isso era muito claro, mas depois o importante é perceber que eu recebi uma chamada do Milan, tive uma conversa com os donos do Milan e eles convenceram-me a começar a trabalhar mais cedo. E portanto, isso pra mim é o mais claro. Eu não ia trabalhar, claramente não ia trabalhar em Portugal, não ia voltar a Portugal neste momento. Surgiu o Milan, acho que nenhum outro convite me faria voltar a trabalhar.

Garantia deixada por Rúben Amorim um dia antes de jogar contra o Benfica para a Liga Europa. O técnico destaca a história de ambos os clubes. Lembra que o Benfica já perdeu duas finais da Liga dos Campeões com o AC Milan.

Também o ponta de lança Gonçalo Ramos falou aos jornalistas nesta conferência de imprensa.

É mais uma cara portuguesa que agora representa o AC Milan e é mais que tem um passado ligado às Águias. Por isso mesmo, o avançado português garante que se marcar o Benfica, não vai festejar.

Porque o Benfica é a minha casa, digamos assim. Eu passei mais tempo no Benfica do que na casa da minha família, então não vou festejar. Quero muito marcar, sem dúvida. Se possível, mais que um, mas não vou festejar.

Gonçalo Ramos, avançado do AC Milan, jogador que Rúben Amorim quis levar para Milão. O AC Milan e Benfica joga-se amanhã. É às 8 p.m, no Estádio San Siro. É a primeira jornada da fase de liga da Liga Europa. É também um jogo que vai poder acompanhar com relato em direto aqui na Rádio Observador.

Vamos a outras notícias em destaque a esta hora.

Um atropelamento junto ao apeadeiro da Aguda, em Vila Nova de Gaia, obrigou ao corte da Linha do Norte nos dois sentidos. Uma fonte do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Porto adiantou que o alerta foi dado pouco depois do meio-dia e que há um ferido grave. Para o local foram mobilizados elementos dos bombeiros da Aguda, do INEM e também da GNR. Foi inaugurado hoje em Leiria um memorial em homenagem à depressão Kristen e aos profissionais de saúde. O memorial foi criado no Hospital de Leiria a partir de uma raiz arrancada pelo temporal que atingiu gravemente a região em janeiro. O presidente da Unidade Local de Saúde lembrou que durante os 19 dias da catástrofe em Leiria, foram atendidos nos serviços de urgência mais de 1800 utentes. A tempestade causou também centenas de feridos, desalojados e prejuízos superiores a 5.000 milhões de euros. Para fechar, já estreou o novo podcast+ do Observador. Conta a história de Annie Silva Pais Filha do último diretor da PIDE, que abandonou tudo para se juntar à revolução cubana.

Chama-se "Os Escândalos de uma Revolucionária" e revela a história da filha única de Fernando Silva Pais, um dos homens mais próximos de Salazar.

Sim, Ani Silva Pais vivia em Cuba há dois anos com o marido, um diplomata suíço, e de repente desapareceu, sem deixar rasto. Isto aconteceu durante dois meses, ninguém soube nada dela. Vamos revelar aqui um cheirinho deste novo podcast do Observador.

Há pelo menos uma coisa que não bate certo. Ani escreveu duas cartas na mesma data. Raymond recebeu a primeira, onde a mulher o informava de que iria partir nesse mesmo dia para a Europa. Na segunda, enviada a Roberto Meléndez, a portuguesa também anunciava que iria viajar para o mesmo destino, mas só no dia seguinte. A maior prova de que algo de muito errado se está a passar reside no próprio papel da carta enviada a Meléndez. Esta mensagem não foi escrita em papel de telegrama. Vem numa folha com o timbre do Havana Riviera, o hotel-cassino inaugurado dois anos antes da Revolução Cubana, no bairro de El Vedado, pelo gângster russo-americano Meyer Lansky. Esta mensagem é a primeira indicação que Raymond Candau tem de que a mulher, afinal, talvez estivesse mesmo no avião que aterrou na véspera na capital cubana, vindo da Cidade do México.

"Os Escândalos de uma Revolucionária" é o novo podcast Plus do Observador, é uma série narrada pela atriz Bárbara Branco, música original de Franky Chaves. A investigação e os guiões são da jornalista Inês André Figueiredo.

Há um episódio todas as terças-feiras no site do Observador, plataformas de podcast e também no YouTube. Pode ter acesso antecipado a todos estes episódios se for assinante do Observador.