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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder a essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta, essa.

E esta segunda-feira falamos da política que dá pouca saúde, da saúde que tem falta de atração e da atração fatal dos doutores e engenheiros. Chegados a 2025, já no primeiro trimestre de 2025.

Ia terminar.

Quase a terminar. Ainda há quem declare habilitações que não tem?

É verdade. E vão sobrando, de facto, os exemplos de pessoas que exercem cargos públicos e que declaram formalmente níveis de habilitações literárias que não obtiveram. Ou que, tendo um diploma na mão, levantam dúvidas sobre a forma como chegaram a esse diploma. O caso mais polémico, sabemos nós, da nossa história política, foi o do antigo primeiro-ministro José Sócrates e a sua licenciatura em Engenharia. E o mais recente é o de Ângela Almeida, deputada do PSD, que inventou uma licenciatura que não obteve e acabou excluída das listas agora para deputados nas legislativas de maio. A doutora Ângela, como a própria se autointitula ou intitulava, justificou que não passava de maledicência quem dizia que ela não tinha, afinal, aquele diploma, mas a universidade confirma que Ângela Almeida não é licenciada. De facto, a cultura do país dos doutores e engenheiros tem destas coisas. Muitos pensam que o título académico vale mais do que a honestidade.

É verdade, Paulo. E o SNS só é atrativo para alguns?

É o que parece, para alguns profissionais, entenda-se. As contas estão no público e dizem-nos que em quase um ano, basicamente os 11 meses de exercício deste governo, o Serviço Nacional de Saúde atraiu mais de 2700 novos profissionais. É uma boa notícia, num setor que vive há anos com problemas de falta de efetivos, mas é só uma meia boa notícia, se quisermos, porque desses 2700, apenas menos de 200 são médicos especialistas. E esta, sabemos, é uma das grandes carências do Serviço Nacional de Saúde. Foram, sobretudo, enfermeiros e outros profissionais de saúde que decidiram então ingressar no SNS. Há concursos médicos que vão sendo abertos, mas que ficam desertos, por falta de candidatos. E nos enfermeiros também nem todas as vagas são preenchidas. Por mais necessários que sejam, estes novos efetivos, parece, não vão resolver os problemas, porque são profundos, do serviço.

E entretanto, a política está imprópria para cardíacos.

Mesmo. Aqui não há metáforas. A tensão é muita, as polémicas sucedem-se, as eleições estão à porta, o que significa agendas, no mínimo, de 18 horas por dia para os líderes políticos e partidários e para os candidatos, milhares de quilómetros a palmilhar por esse país fora e muito estômago para aguentar com as críticas e com o lombo de porco assado das emendas, que é típico das emendas de campanha. E os políticos são de carne e osso, como todos nós. Na sexta-feira, sabemos, Luís Montenegro esteve durante algumas horas no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, devido a um episódio de arritmia cardíaca, que o próprio diz que o aflige por vezes. Descanso, basicamente, foi a receita médica. O tal descanso que nas próximas semanas vai ser impossível.

Completamente.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder a essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta, essa.