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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder a essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta.
Hoje estou a sentir-me mais observada do que nunca, não estou a perceber. Vocês os dois estão a olhar muito para mim. Estou a fazer alguma coisa errada?
Temos aqui o Big Brother, certamente.
Está no ar, ainda bem que faz essa pergunta da Rádio Observador, em direto de Vila Nova de Gaia, do UAU. Paulo Ferreira e Júlio Magalhães, começamos o dia a falar de faca e queijo na mão, otimista irritante, verão perdido, mas Paulo, começamos por descentralizar o Por Aí.
Exato. Lembrei-me de uma música dos Boney M. Sonho Realizado Por Aí.
Sem cantar, não estou bem disposta. É muito cedo.
É melhor não passarmos por aí. É melhor não vivenciar essa experiência. Se a regionalização não avança, será desta que a descentralização vai mesmo acontecer?
O processo não tem sido fácil, como se tem visto, aliás, nos últimos meses.
Meses, aí estás a ser simpática, não é fácil há muitas décadas. Desde 1997, quando houve o referendo à regionalização, que foi chumbado. Nessa altura, prometeu-se que a descentralização avançaria. Mas sabemos que entre promessas e a sua concretização, há um oceano imenso pelo meio. E cá estamos, 25 anos depois, a discutir a passagem de funções e decisões do Estado central para os municípios. Os políticos não têm desculpa pelos atrasos na descentralização. Não avança porque não querem ou porque não sabem fazê-la. E a partir daqui podemos sempre perguntar: se não sabem descentralizar, será que sabem regionalizar? Provavelmente não. Vamos ver.
E é um verão perdido para a TAP.
Júlio, as notícias voltam a não ser as melhores. Acabamos de ouvir no noticiário.
É verdade. A presidente do conselho executivo da TAP veio ontem dizer que não conseguem dar resposta às imensas dificuldades vividas no aeroporto. Pediu desculpa, promete que no verão do próximo ano contam já dar respostas de excelência, mas avisou que a situação não vai melhorar nas próximas semanas. Pelo que confirma-se, este verão está perdido, são milhões a voar e volta a ficar o aviso: os próximos meses de férias não são bons para viajar de avião e a recuperação da TAP sofre mais um adiamento ou, se quiserem, mais um rombo.
Será que o convívio com António Costa também está a transformar Marcelo Rebelo de Sousa num otimista irritante?
O presidente está muito otimista como seu. Aliás, na viagem agora ao Brasil.
É verdade, ontem o presidente da República Português disse que o desconvite de Jair Bolsonaro para aquele almoço, que dominou a agenda nos últimos dias, foi uma coisa boa que lhe aconteceu nesta viagem. Porque Marcelo e Portugal foram muito falados a propósito disto no Brasil, nos últimos dias, na imprensa. E sabemos como Marcelo gosta de atrair atenções, de ocupar o centro do palco. Portanto, cá temos a transformação de um contratempo diplomático, que é sempre, numa coisa boa. Mas de facto, o presidente da República tornou-se uma estrela no Brasil nos últimos dias, com a sua simpatia e facilidade com que faz contacto direto com as pessoas, com as populações.
E tira selfies.
E tira.
E tira selfies.
E dá uns mergulhos.
E dá uns mergulhos valentes. E portanto, tudo correu bem. Até este desconvite de Bolsonaro foi bom e tudo está bem quando acaba bem.
E Putin tem mesmo a faca e o queijo na mão.
Para já, pelo menos não dá sinais de fragilidade.
É, se dúvidas houvesse, bastava ouvir as palavras do Papa Francisco ontem numa entrevista. Dizia ele: "Se Putin me abrir uma janela de oportunidade para eu ir à Rússia falar de paz, eu irei". Depois, confirmou que a seguir à viagem ao Canadá, ia vir à Ucrânia. Estas palavras são mesmo um sinal de impotência perante a prepotência de Vladimir Putin, que olha para uma União Europeia sem muita capacidade de manobra para impedir a invasão da Ucrânia e só com a autorização dele é que o Papa vai à Rússia. Caso contrário, Francisco tem mesmo que se resignar. Não há sinais de mudança neste conflito.
Pois não. Ainda bem que faz essa pergunta, sempre com o Paulo Ferreira e o Júlio Magalhães. Amanhã há mais, marcamos encontro depois das 07h15.
A questão é difícil. Eu acho que a sua questão é muito importante. Eu não lhe vou responder a essa pergunta, porque não me apetece. Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta.