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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta.

E esta quinta-feira falamos do longo adeus de António Costa, dos lucros recorde da TAP, mas Bruno Vieira Amaral, primeiro vamos a uma luta que promete animar os próximos tempos. Depois de tudo o que temos assistido, afinal agora quem é o líder da oposição?

Depois de um dia de impasse, foi finalmente eleito ontem à quarta tentativa o presidente da Assembleia da República, mas o que vem aí é mais importante e é mais interessante, que é a corrida para a liderança da oposição. Só começou agora. Vimos ontem que ainda nem tinha começado. Nós pensávamos que tinha tudo ficado definido no dia das eleições, mas não. A corrida para a liderança da oposição começou agora. André Ventura, em modo "eu é que sou o presidente da junta", abriu as hostilidades, tomou a dianteira, disse que o acordo entre PS e PSD para a eleição do presidente da Assembleia da República deixa antever outros entendimentos futuros, nomeadamente quanto à aprovação de orçamentos, e que assim o Chega assumirá o papel de liderar a oposição, um papel que André Ventura se sente perfeitamente apto para desempenhar. É quase o papel da vida dele. Mas Pedro Nuno Santos, que em nome da estabilidade institucional apresentou uma solução ao PSD para a presidência da Assembleia da República, a eleição de Aguiar Branco, não perdeu tempo e veio logo dizer que quem vai liderar a oposição é o PS. "Sou eu, eu é que sou o presidente da junta." Eu não sei se alguma vez o cargo oficioso de líder da oposição foi tão desejado, tão disputado, mas o que é certo é que temos aqui, popularmente falando, dois galos para um poleiro e que nos próximos tempos vamos ver quem é que sai como rei da capoeira ou pelo menos vice-rei. O vice-rei da capoeira.

Vamos ver. Entretanto, Bruno, em relação a António Costa, isto é um adeus ou é um até já?

Ainda não sabemos, mas tem sido uma despedida muito longa.

As despedidas são muito difíceis.

São difíceis. Está a ser difícil para António Costa cortar o cordão umbilical que o liga ao governo. "O Imenso Adeus", "The Long Goodbye", é um livro policial de Raymond Chandler, já devem ter visto alguma das adaptações para cinema, mas esta é a primeira vez que há uma adaptação para a política portuguesa. Até agora não tinha havido. Tem sido mesmo uma longa despedida. E ninguém diria, há uns anos António Costa parecia cansado, desejoso de ir para a Europa e nem a maioria absoluta o animou muito. Víamos o cansado, sem grande ânimo. Estava um bocadinho com o tempo, como se costuma dizer. Teve os seus momentos de ânimo, sim, alguns, mas a chama já não estava lá, aquela chama de António Costa. E agora nos últimos dias como primeiro-ministro, António Costa recuperou a confiança. Não sei se lembram daquele slogan "Costa avança com toda a confiança".

Perfeitamente.

Agora é avança para a porta de saída e ele está a avançar, um bocadinho contra a vontade, mas está a avançar. E o que dá a entender é que por ele continuava a fazer isto até ao fim da sua vida política, que é despedir-se dos amigos europeus, a dizer adeus ao Presidente da República, entregar ao sucessor uma pasta de transição repleta de obras prontinhas a estrear e a fazer balanços, que é o que se faz nestas despedidas. E ontem António Costa fez mais um, talvez seja o último, talvez não.

Talvez. Até dia dois.

Até dia dois ainda muita água vai correr debaixo das pontes. E este balanço teve direito a PowerPoint e tudo, é uma especialidade do PS. Não sabemos se será o último, mas no essencial o primeiro-ministro confessou que gostaria de ter encontrado o país tal como o deixa agora, queixou-se das múltiplas crises que teve de enfrentar e lamenta não ter avançado mais depressa em algumas áreas, como por exemplo, a habitação. Para finalizar, deixou no ar uma promessa ou uma ameaça. "Já não é comentador e ainda não é comentador", disse António Costa, "mas talvez venha a ser." Foi o que ele disse. Vai andar por aí. Isso vai decerto.

Bruno, e é inevitável, temos de falar da TAP. O que fazer com este lucro?

Olha, eu trouxe um número, que é precisamente o número dos lucros que a empresa apresentou: 177,3 milhões de euros. Podia ser a dívida de algum clube português de futebol, mas não, são mesmo os lucros que a transportadora aérea portuguesa apresentou ontem. São um recorde, nunca a TAP tinha voado tão alto.

Estás forte nos slogans.

Estou. Isto mostra que hoje é sexta-feira.

É jeito de me tirar ideias.

Este é um valor quase três vezes o lucro apresentado em 2022, de 65,6 milhões de euros, e há outros números impressionantes no relatório apresentado pela empresa. Houve recorde também nas receitas operacionais, que atingiram os 4,2 mil milhões de euros e os 15,9 milhões de passageiros transportados representam uma subida de 15% relativamente ao ano anterior, embora aqui ainda fiquem aquém dos 17 milhões de 2019, o último ano pré-pandemia. A partir daí, baixou um bocadinho. Mas há sempre um mas nestas histórias. A aterragem no último trimestre do ano passado não foi muito suave. A companhia registou prejuízos de 26,2 milhões de euros e isto em parte devido aos acordos da empresa com os trabalhadores. Os custos com trabalhadores quase duplicaram para 722 milhões de euros. E agora esta, que é a pergunta que os portugueses devem estar a fazer neste momento, é se a TAP está em condições ou não de começar a devolver o dinheiro que o Estado injetou na empresa. Eu estou interessado em saber, gostava muito de saber. Ricardo Pena Roias, o presidente do Sindicato do Pessoal de Voo da Aviação Civil, defendeu isso mesmo ontem aqui em conversa contigo, Carla. Dificilmente a empresa poderá devolver a totalidade do dinheiro injetado pelo Estado, mas seria um sinal de responsabilidade, de agradecimento por todo o esforço feito pelos portugueses para salvar a TAP, ou então podiam, eu não digo começar a devolver à empresa, mas oferecer uma viagem a cada português. O que é que vocês acham?

Em géneros.

Em géneros, pagar em géneros uma viagem a cada português. Quer dizer, não sei se todos os portugueses estariam ansiosos por viajar na TAP. Não sei, não estou eu a dizer.

É só uma ideia. Bruno Vieira Amaral com as perguntas que marcam a atualidade segunda-feira. A nova edição é sempre a seguir ao Jornal das 7.

A questão é difícil. Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta.