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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

E começa aqui a edição desta quinta-feira do "Ainda Bem Que Faz Essa Pergunta", Paulo Ferreira. Falamos hoje de bebês que nadam, também de rendas congeladas, de salvadores da pátria, mas vamos começar por inquéritos policiais.

Isso mesmo, Nelson. Já passaram mais de dois meses do acidente e a GNR decidiu agora chamar a viúva do trabalhador atropelado pelo carro onde seguia Eduardo Cabrita. E o ministro que foi testemunha do acidente já foi ouvido para os autos?

Bem que se saiba, nem uma pista sobre isso, nem uma luz.

Nem sobre isso, a audição ou não do ministro, nem sobre a velocidade a que ia o carro. Mas o ministro tentou logo nas primeiras horas, como sabemos, lançar na praça pública alguns dados para responsabilizar a vítima. Agora a GNR chamou a viúva, que não testemunhou o acidente, note-se, para tentar obter alguns traços de personalidade de Nuno Santos, que foi a vítima. E será que o ministro que ia no automóvel já foi interrogado? Bom, já agora a pergunta que se repete: e a que velocidade seguia o carro?

São perguntas que aguardam resposta. Ainda vamos precisar de um salvador da pátria para descobrir isso, Paulo.

Olha, dava jeito. Mas por que nós vemos também um salvador da pátria, já que falamos nisso, em todos os que cumprem com competência as suas funções?

Haveria que é um velho tic português. Desta vez é Gouveia e Melo, candidato a salvador.

É isso mesmo. Para muita gente, o líder da task force da vacinação é candidato a salvador da pátria, devia ser candidato a presidente da República, a primeiro-ministro, enfim, no fundo, candidato a tudo. Foi o próprio que ontem colocou água nessa fervura. Gouveia e Melo disse que não é político e que qualquer ser que apareça como salvador da pátria é mau para a democracia. Bom, cá está, de facto, um pouco de bom senso, que por vezes escasseia por aí. Estamos tão pouco habituados a que alguém cumpra decentemente as suas funções, que depois tendemos, obviamente, a endeusar quem o faz.

E continuamos aqui também a andar às voltas com a política de habitação.

É mesmo. E até quando vão ser os proprietários dos imóveis a substituir-se ao Estado na política social de habitação?

Esse é um velho debate que até já vem do tempo de Salazar.

Vem do tempo de Salazar, do congelamento das rendas, do chamado tempo da outra senhora. E desde então passaram-se duas coisas nestas décadas. Primeiro, nunca tivemos um verdadeiro mercado de arrendamento e o Estado sempre achou que uma política de habitação não era um assunto seu, da sua responsabilidade, mas que era da responsabilidade dos proprietários dos imóveis. E o resultado está à vista, sobretudo nas grandes cidades, poucos imóveis no mercado e preços inflacionados. E dá a ideia que o governo não aprendeu, porque admite ainda manter o congelamento das rendas, prolongar o congelamento das rendas que foram contratadas antes de 1990. Parece que não temos mesmo emenda.

Olha, e terminamos com bebês.

Bebês. E de que os bebês do anúncio estão à espera para processarem a Expo 98?

Como foste lembrar esse famoso anúncio com os bebês nus, nadando debaixo d'água.

É, toda gente que viu o spot se lembra dele na televisão. Era bem bonito o anúncio, o spot, e como sabemos, foi muito eficaz, porque nos lembramos dele passados muitos anos, passados 20 e tal anos. Bom, mas os tempos mudaram e se a moda do bebê da famosa capa do disco dos Nirvana, de que falamos por estes dias, pega, vamos ter agora os adultos que entraram no anúncio da Expo enquanto bebês também a pedir indenizações e a fazer acusações de pornografia infantil. Enfim, parece que o mundo está um bocadinho louco. É a única coisa que podemos dizer.

Perguntas que marcam a atualidade todas as manhãs na Rádio Observador, com o Paulo Ferreira, também disponível em podcast este Ainda Bem que Faz Essa Pergunta.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.