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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

E esta segunda-feira falamos de abrir os olhos, mas só às sextas, terrorista fora da caixa, polícia bom, polícia mau, mas começamos a recuar para ganhar balanço. Na Iniciativa Liberal, aposta-se em Blanco?

É mais ao contrário, Carla. É mais o deputado Bernardo Blanco, até aqui membro da Comissão Executiva da Iniciativa Liberal, parecer apostar numa futura liderança do partido. Não amanhã, não daqui a duas semanas ou dois meses, talvez daqui a dois anos. Quem nos conta isto muito bem, e muito bem explicadinho, é a Inês André Figueiredo, num artigo no Observador, que procurou perceber o significado da movimentação de Blanco, que mesmo promovido a vice-presidente da Comissão Executiva por Rui Rocha, preferiu ser cabeça de lista ao Conselho Nacional. E garantiu, de caminho, que não está de candeias às avessas com o líder. E qual a razão para este autoafastamento? É que se se mantivesse na direção, os estatutos impediriam Bernardo Blanco de continuar na direção daqui a dois anos. Conclusão: para se distanciar do círculo próximo do poder, agora é porque tenciona voltar para lá e já com outro estatuto, provavelmente com o estatuto de líder.

E Paulo, quando se fala de ação policial, há rusgas boas e rusgas más?

Claro que sim. Aliás, estamos a ver isso, como em quase tudo. Há rusgas do bem e rusgas do mal, tal como há aqueles papéis estereotipados, se quisermos, de polícias bons e de polícias maus. Sobretudo quando se trata de ações da polícia na zona do Martim Moniz, em Lisboa, e está obviamente montado o escândalo, a indignação, o horror por parte de uma parte da opinião publicada, por causa da rusga da semana passada. Mas rapidamente as redações foram à procura, foram aos arquivos e notaram que isto não é caso único. Por exemplo, em fevereiro de 2007, uma operação da PSP focada no controle da imigração ilegal fez ali naquela zona 29 detidos. E nesse dia, quem queria atravessar o Martim Moniz, independentemente da nacionalidade, se quisermos, teve que obrigatoriamente mostrar a identificação às autoridades, porque o Martim Moniz estava cercado. Depois, no ano seguinte, mais duas operações entre o Martim Moniz e Alameda. Depois, em 2010, em dezembro, nova operação, o objetivo era a interceção de suspeitos em situação ilegal no território nacional. E em 2023, isto para não ser exaustivo, mais uma operação de combate à imigração ilegal naquela zona. Ora bem, nenhum destes casos motivou a indignação de agora e por quê? Há aqui uma pista. Em todos estes casos, estávamos perante um governo de esquerda. Portanto, estas eram rusgas do bem, como sabemos, e a que aconteceu na semana passada já é uma rusga do mal.

Bruno, então por falar do mal, quem é afinal o autor do ataque no mercado natal em Badeburgo, na Alemanha?

Chama-se Taleb Al Abdulmo sen, nasceu na Arábia Saudita há 50 anos, é médico psiquiatra e vive na Alemanha desde 2006. Estes factos divulgados pela generalidade da imprensa não suscitam grande discussão. A partir daí, tudo se torna mais confuso. Supostamente, era ativista e é ativista ainda, foi detido, anti-imigração islâmica para a Europa, que teria simpatia pelo partido de extrema-direita AFD e pelo multimilionário Elon Musk, isto de acordo com a sua pegada digital, que incluía insultos e ameaças às autoridades alemãs, que até já tinham motivado um alerta da Arábia Saudita à polícia germânica. Mas então como é que um suposto partidário da extrema-direita e contra a islamização da Europa, entra com um carro a alta velocidade no mercado natal, matando cinco pessoas e deixando dezenas de feridos, num método usado por terroristas islâmicos noutras ocasiões? Não se sabe. Taleb estava de baixa e quem o conhecia disse que era uma pessoa perturbada, desagradável no trato e com tendência para acreditar em teorias da conspiração. E nós, a certa altura, com tanta informação que não bate certo, já não sabemos no que acreditar.

E entretanto, está na hora de abrir a pestana, Paulo? Está na hora da caminha. Não.

É, mas aí é mais para mandar para a caminha.

Aqui não. Tem é para abrir a pestana.

Aqui é o contrário. Tem de abrir bem a pestana.

Abre a pestana, Tana. Isto aqui não é um filme. Não conhece essa? Desculpem.

Tu conheces. Cantava o Carminho.

É uma canção antiga.

Ok, essa não conheço. Bom, não sabemos se André Pestana conhece essas músicas ou não.

Não, essa eu não conheço.

É capaz de conhecer. André Pestana diz que sim, que está na hora de abrir a pestana. Ele é o líder do STOP, como sabemos, o Sindicato de Todos os Profissionais da Educação, anunciou a sua candidatura à Presidência da República e escolheu este mote bem-humorado que brinca com o seu próprio nome: está na hora de abrir a pestana. Diz que é uma candidatura independente dos partidos, como resposta a um desafio que lhe foi lançado por 50 ativistas sociais, embora não concretize quem são esses ativistas. É o primeiro candidato assumido, aqui neste caso no campo da extrema-esquerda, e diz que se candidata, André Pestana, a favor dos trabalhadores, para os trabalhadores. Bom, vamos ver, em termos de popularidade, se muitos trabalhadores, sobretudo aqueles que têm crianças em idade escolar, se vão esquecer até às eleições do número de sextas-feiras em que os filhos ficaram sem aulas por causa das greves convocadas, precisamente pelo STOP, taticamente coladinhas ao fim de semana.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.