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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.
A pergunta pare um parecido de arrados?
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Mais uma noite a contar carneiros e nada. Não consegui dormir. Só a pensar nisto. Sócrates. Sócrates.
Como eu te entendo.
Está a ganhar ao sistema judicial.
Está a ganhar?
Sócrates, um. Sistema judicial, zero.
Se fosse por essa amplitude.
Já era mais de uma.
Era goleada.
Era goleada.
Pois, é goleada mesmo. O intervalo está a dar uma abada, é assim que se diz, não é?
É.
E portanto...
Dizia-se lá.
Dizia-se, ainda se diz, em bom português. E estamos no intervalo, de fato, porque o julgamento tem estado parado há muitos dias, com as peripécias das entradas e saídas de advogados. E o Observador ontem fez as contas e já foram suspensas 35 sessões do julgamento, que se traduzem que implicaram 93 dias de paragem. Portanto, isto está 93 a zero, assim números redondos. Ele já conseguiu passar isto de 93 para zero.
No rugby às vezes acontece.
Claro. Sim, isto é resultado para o rugby. Isto é uma enorme vantagem neste jogo para o ex-primeiro-ministro, que está no fundo também a demonstrar as fragilidades do sistema judicial quando aparece alguém que tem recursos e com determinação mesmo à séria para travar o julgamento. Alguns dos crimes imputados a Sócrates prescrevem já em junho. Outros já prescreveram, atenção, mas os próximos são em junho. Portanto, no meio disto tudo, é fazer as contas, quantos dias é que faltam para continuar a parar isto.
Pois é, mas que se estamos a falar em vitórias, o Chega também teve uma, na Justiça.
Teve uma vitória na Justiça, não contra a Justiça, não é a mesma coisa que o caso Sócrates. O Ministério Público decidiu arquivar as denúncias contra aqueles cartazes polêmicos de André Ventura, campanha para as presidenciais. As mensagens que visavam o Bangladesh, os ciganos e os imigrantes foram denunciadas com o argumento de que eram frases racistas e xenófobas e que poderiam configurar um crime de discriminação, incitamento ao ódio e à violência, mas não foi esse o entendimento do procurador. Carlos Rodrigues considerou que as mensagens, os cartazes não ultrapassam, de forma alguma, e estou a citar, aquilo que é o escudo protetor conferido pela liberdade de expressão na dialética política. Com o Estado português tantas vezes obrigado a indenizar cidadãos pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, pode ser um sinal de que a Justiça começa a olhar de outra maneira para a liberdade de expressão. É uma forma de vermos o copo meio cheio. Por muito desagradáveis que sejam as mensagens, a Justiça decidiu, está decidido.
Pronto, pois está. Paulo, e o que se passa com o Chega nas autarquias?
Nas autarquias, o que se passa é que há cada vez mais eleitos que estão a dizer: "Chega, estou farto disto e vou-me embora, vou deixar o cargo". O último caso é o da vereadora do Chega na Câmara de Ourém, que foi conhecido ontem, renunciou ao mandato. Rita Sousa invoca razões pessoais para sair. Também é um clássico neste cargo e neste partido ou noutros quaisquer, e até de governos, razões pessoais. Em vários outros casos, os vereadores deixam o partido, mantêm o cargo e passam a independentes. Já são quase uma dezena nestas condições. E nos últimos dias também, nos últimos três dias, em São Vicente, na Madeira, onde o Chega conquistou uma das três câmaras que daí, o presidente da autarquia, do partido, claro, retirou os pelouros aos dois vereadores também eleitos pelo partido. Aqui a guerra é dentro do Chega, não é do Chega com outros partidos. E como se vê, castalhem, é um partido que funciona na perfeição.
Bruno, ainda há dias falávamos sobre isto. O relatório sobre a mortalidade infantil finalmente apareceu.
Pois, não é bem o relatório da comissão de acompanhamento, mas a DGS resolveu falar sobre os dados e, aliás, revelar dados do triênio 2022 a 2024, e também avançar algumas possíveis explicações para o aumento das taxas de mortalidade fetal e também infantil. Temos finalmente então esses dados. Em 2024, houve um aumento nos óbitos de fetos com mais de 22 semanas de gestação e também nos óbitos de crianças com menos de um ano. A mortalidade fetal aumentou de 3,9 para 4,1 nos anos de 2022 e 2024. E esta taxa, e esta é já uma das possíveis explicações também para este aumento, foi mais elevada entre mães de nacionalidade estrangeira, o que vem confirmar aquilo que já suspeitava, podemos estar aqui perante um problema de acompanhamento durante a gravidez destas grávidas. A taxa de mortalidade infantil diminuiu em 2023 em relação a 2022, mas voltou a subir em 2024. Passou de 2,7 por cada mil nascimentos em 2022 para 3 em 2024. A DGS fala de uma série complexa de fatores. Sublinha, no entanto, a necessidade de fortalecer as estratégias de prevenção primária, o diagnóstico precoce e a melhoria também da resposta na assistência, porque na maior parte dos casos, trata-se de situações evitáveis, desde que haja a devida assistência e acompanhamento. Ainda assim, e vejamos o lado positivo, Portugal continua a apresentar números melhores relativamente à média europeia, aquela que é a joia da coroa, uma das joias da coroa do SNS, que são os números da mortalidade infantil, mesmo assim continuam a ser melhores do que na União Europeia. Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.
A pergunta pare um parecido de arrados?
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer