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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta.
Essa é a verdade.
E a caminho do feriado, indo eu, falamos de relações tensas, processos tuti-fruti, puzzle madeirense, mas começamos por crédito mal parado.
E o apoio aos jovens para a compra de casa a crédito, será que pode incomodar o Banco de Portugal, Paulo?
Olha, pode incomodar. Parece que está mesmo a preocupar o banco central. Mário Centeno foi ontem muito claro sobre isso, em público. Primeiro, disse que não foi ouvido sobre a legislação que o governo está a preparar para que o Estado possa dar aquela garantia que pode ir até aos 15% do valor do imóvel, aquela parte que, por regra, os bancos não emprestam. Depois, Mário Centeno disse que o Banco de Portugal não vai abdicar, e aqui chega o palavrão, do cumprimento das regras macroprudenciais. Bom, o que isto quer dizer? Quer dizer que o banco central tem que zelar pela solidez dos bancos, do balanço dos bancos, e que o excesso de concessão de crédito pode pôr em causa esse objetivo. Portanto, há aqui dois interesses e objetivos em conflito. Por um lado, temos a vontade do governo ajudar jovens com baixos ordenados e com pouca capacidade de compra de casas, e estas estão muito caras, como sabemos. Por outro lado, está a estabilidade da banca, que o Banco de Portugal quer preservar, como é evidente, e faz parte do seu objetivo, da sua missão. Portanto, este processo legislativo ainda está a começar. Vamos ver como é que se vão gerir estes objetivos que são conflituantes.
Bruno, então o que é preciso para Miguel Albuquerque ser presidente do Governo Regional da Madeira?
Um mistério. Irineu Barreto, o representante da República na Madeira, ouviu ontem todos os partidos com assento na Assembleia Regional. Anunciou que hoje vai indigitar Miguel Albuquerque como presidente do Governo Regional. Por isso, a pergunta é mesmo essa, é de saber o que é que precisa Miguel Albuquerque para suceder.
É Miguel Albuquerque.
É Miguel Albuquerque. E para que isso aconteça, o programa de governo tem de passar na Assembleia Regional. Se toda a oposição se unir e votar contra, não há governo. Mas mesmo com os votos contra de uma parte da oposição, o programa pode passar se houver mais votos a favor do que votos contra. Ou seja, se Chega, PAN e Iniciativa Liberal se abstiverem, os votos contra de JPP e PS não serão suficientes para impedir a formação de um governo do PSD, que, em princípio, contará com o apoio e os votos a favor, obviamente, do CDS. Terá sido essa a mensagem transmitida pelos vários partidos ao representante da República e que, no entender do Irineu Barreto, justifica esta decisão de indigitar Miguel Albuquerque.
Agora, boa sorte.
Boa sorte. Bom dia e boa sorte.
Bom dia e boa sorte. Paulo, então a operação tuti-fruti constituiu arguido mais um vereador. É o bloco central que está na mira?
De alguma forma, é isso mesmo que está aqui em causa. Porque o que está a ser investigado neste processo são entendimentos entre o PSD e o PS. Os dois partidos estão sob suspeita de troca de favores eleitorais à margem da lei e que, no fundo, podem ter desvirtuado alguns atos eleitorais. A maioria dos arguidos é do PSD e ontem ficámos a saber que o vereador social-democrata da Câmara de Lisboa, Ângelo Pereira, é mais um deles. Antes de mais, primeiro temos que ver se ele se mantém em funções, nesta sua condição agora de arguido, dado o seu envolvimento neste caso. Já saiu há poucos dias um vereador, precisamente pelo envolvimento no outro caso.
Foi Diogo Moura.
Exatamente. E depois vamos ver, depois desta primeira parte, que é mais política, vamos ver quando e como é que este processo avança. É que já há cerca de 50 arguidos constituídos neste processo. Esse é daqueles que vai ter que ir para o salão dos bombeiros para ser julgado. Ou para o pavilhão.
Ginásio Desportivo.
Ginásio Desportivo lá da terra. Em Lisboa, se calhar, vai para o Pavilhão Carlos Lopes.
Não, vai para o Carlos Lopes.
Portanto, imaginem 50 arguidos, mais os advogados de cada um e por aí fora, e testemunhas. Bom, vamos ver como é que isto vai correr. Estamos, portanto, perante um daqueles megaprocessos, daqueles que, de facto, ameaçam não ter fim. Já no final do ano passado foi criada uma equipa especial do DIAP de Lisboa, do Departamento de Investigação e Ação Penal, com cinco procuradores e cinco inspetores da Polícia Judiciária para trabalharem a tempo inteiro neste caso, apoiados por peritos informáticos e com uma sala exclusiva para os interrogatórios judiciais. Cá estão, uma sala, não é?
Um salão.
Um salão. E não é de festas este, certamente. Portanto, vamos ver se esta equipa especial e estes meios são eficazes para lidar com este volume todo, pelo menos de arguidos.
Vamos ver. E Bruno, as relações entre Israel e Espanha já conheceram melhores dias?
É um eufemismo, Carla, dizer isso logo pela manhã. Depois daquele conflito diplomático com a Argentina, que também já falámos aqui, parece que o governo de Pedro Sánchez se quer afirmar como ponta de lança da esquerda na Europa e no mundo. O governo espanhol cumpriu aquilo que prometeu, que era o reconhecimento da Palestina como Estado independente. Fez-lo ontem, juntamente com a Noruega e com a Irlanda. Esta decisão, que é mais simbólica do que, na verdade, um ato com grandes efeitos práticos, ainda que o simbolismo também conte nestas coisas, motivou uma forte reação do governo israelita. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Israel Katz, partilhou uma publicação no X em que afirmava que ao não demitir Yolanda Díaz, a vice-presidente do governo, e ao anunciar o reconhecimento do Estado da Palestina, o primeiro-ministro espanhol é cúmplice do incitamento ao assassinato do povo judeu e de crimes de guerra. Não poupou nas palavras o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita. Yolanda Díaz, a vice-presidente do governo, disse há dias que a Palestina será livre do rio ao mar. Uma frase que também é simbólica, mas que a ser aplicada significaria apagar Israel do mapa. Para já, o governo espanhol aposta em aliviar a tensão e não tenciona chamar o embaixador de Israel para consultas, nem retirar o embaixador espanhol de Israel.
Bruno Vieira Amaral e Paulo Ferreira com as perguntas que marcam esta manhã, sexta-feira. Há uma nova edição, é sempre a seguir ao Jornal das 7.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta.
Essa é a verdade.