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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta, essa.

Começa agora, ainda bem que faz essa pergunta, Paulo Ferreira e Júlio Magalhães. Esta quinta-feira falamos dos carros de combate que passaram na inspeção. Tabu a dobrar, abençoado turismo. Majuca, começamos por: toda a ajuda é bem-vinda.

É verdade e a propósito da ajuda à Turquia, quem dá o que pode a mais não é obrigado.

Até porque ontem seguiram meia centena de operacionais portugueses.

Vem isto a propósito de ontem estar a ouvir uma conversa de cidadãos comuns num café, que diziam que perante a dimensão da tragédia, mandar cerca de 150 operacionais é pouco, diziam mesmo que era ridículo e ainda por cima estavam atrasados, pois só poderiam prosseguir ontem à noite. O número de operacionais que enviamos foi certamente o solicitado e poucos a multiplicar por muitos países serão certamente muitos. Isto a propósito que estaremos a ajudar como solicitado, digo, e provavelmente como podemos. Fosse sempre assim, darmos só o que podemos e provavelmente eventos que organizamos, como a Jornada Mundial da Juventude, seriam também feitos à medida do que o país consegue.

Reparam como o turismo continua a ser uma espécie de abono de família da nossa economia.

É mesmo, Paulo, e os dados sobre o emprego parecem mesmo confirmar isso.

Confirmam. O turismo é o setor que tem feito a diferença pela positiva. Esses últimos dados do emprego, divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística, confirmam que o desemprego tem estado a subir nos últimos meses. E se não sobe mais é porque os setores do alojamento e da restauração, mais concretamente, criaram bastantes postos de trabalho no último ano, cerca de 50 mil. É o turismo a puxar pela economia e pelo emprego, depois de ter passado por dois anos muito maus, por força dos encerramentos provocados pela pandemia. Ironicamente, é também um dos setores mais amaldiçoados por muita gente que o responsabiliza, por exemplo, pela subida de preços do imobiliário. Mas seguramente que a nossa vida não seria melhor sem a força do turismo, como se pode ver.

E no espaço político de Luís Montenegro, há agora dois tabus.

O Chega e o Rui Moreira não têm respostas prontas.

O líder do PSD tem andado preocupado em ser incisivo, em manter a pressão alta sobre o primeiro-ministro, fazendo questão sempre, nas várias deslocações pelo país, de fazer de António Costa o seu alvo, papel que, de resto, lhe é devido, por ser o líder do maior partido da oposição. Mas agora tem dois tabus. Rui Moreira é cada vez mais apontado para ser candidato do PSD às europeias. O presidente da Câmara do Porto deu duas entrevistas em dois dias para dizer que nem, ou seja, depois de dizer nem que nem, nem que sim, ou melhor, nem que não, nem que sim. Deixaram que um almoço com ambos e vários pesos pesados do PSD fosse noticiado para baralhar as contas e nem um nem outro confirmaram se sim ou se não. Já o Chega ontem voltou a dizer que quer ir para o governo e tem que ser com o PSD. E Luís Montenegro também ainda não encontrou forma de dizer definitivamente que não ou que sim. Dois fantasmas que vão estar sempre na sala do líder do PSD.

E lá conseguimos desenrascar três tanques Leopard 2 para enviar para a Ucrânia.

Pelo menos foi o que o primeiro-ministro disse, confirmou ontem, não é?

Não os vimos seguir. Aliás, isso está previsto para março, estes carros de combate devem seguir em março, mas isto foi um parte difícil, como sabemos. Primeiro assistimos a divergências entre o ministro dos Negócios Estrangeiros e a ministra da Defesa, e depois soubemos que uma maioria dos tanques que as Forças Armadas dispõem estavam inoperacionais, a precisar de peças. Parece que pelo menos três deles passaram na inspeção periódica e já podem seguir. Mas isto não deixa de ser embaraçoso verificar que o grau de prontidão de equipamento militar é muito fraco. São muitos anos com fraco investimento, sem manutenção, muito desleixo. Felizmente que aqui no retângulo albeira mal plantado não há sobressaltos de defesa. Se houvesse, podíamos estar reféns das peças que temos de encomendar na Alemanha.

Paulo Ferreira e Júlio Magalhães com as perguntas que marcam a atualidade. Amanhã há nova edição.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta, essa.