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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta, essa.

Começa agora uma nova edição do Ainda Bem que Faz Essa Pergunta, da Rádio Observador. Hoje falamos de quem quer ir para o governo. Quem? Furacão Chega, renúncias partidárias, mas para começar, já sabemos quem são as forças vivas do PSD de que fala André Ventura, Paulo?

Já sabemos, aliás, ouvimos há pouco nas notícias, porque essas mesmas forças vivas fizeram questão de se dar a conhecer num manifesto divulgado esta noite. Defendem o acordo entre a AD e o Chega, porque dizem: "Só um acordo que garanta um governo estável, com compromissos sólidos para quatro anos, coloca os interesses de Portugal em primeiro lugar". O apelo é assinado por Rui Gomes da Silva e mais seis social-democratas que se colocam assim contra o não é não de Luís Montenegro. O que parece é que este grupo não tem peso nem capacidade de influência para alterar a posição do líder do PSD.

Lembrei-me agora de uma coisa. Até é a propósito disto. Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro deviam renunciar às lideranças do PSD, AD?

Olha, seria uma ideia. Se calhar até estão a pensar nisso para ver se outros fazem melhor, porque têm opinião para tudo.

Alerta de ironia.

É verdade. Antes que pensem que nós estamos aqui a dizer que é mesmo para renunciar. Ambos foram surpreendidos por umas eleições prematuras para as quais não estavam preparados. Rapidamente tiveram que se ajustar ao calendário e exercerem a sua liderança. A forma que encontraram, entre outras, claro, foi fazerem declarações que fizessem deles, passe a redundância, líderes com determinação. Luís Montenegro está amarrado ao não é não e agora Pedro Nuno Santos está algemado à derrota que assumiu ainda na noite eleitoral. Todos aqueles que andaram atrás deles na pré e na campanha estão agora muito ativos na comunicação social a dizerem o que é que cada um deles deve fazer. Eles é que sabem. Os líderes, para já discretos e seguros, esperam pelas reuniões com o presidente da República e pelos resultados imigrantes. Este silêncio que mantêm tem dado margem a que todos os outros tenham opiniões seguras como deve atuar cada um deles. Montenegro deve dialogar à direita e com o Chega. Pedro Nuno Santos deve ser chamado a governar se tiver mais votos e deputados, mesmo que isso valha pouco no Parlamento. Foi pena nenhum dos muitos que agora falam não se terem atirado para a frente, porque falar é sempre muito mais fácil.

E o furacão Chega? Esse furacão ainda mais forte no voto dos imigrantes, Paulo.

Olha, é o que parece, pelos dados parciais, quando estavam contados cerca de metade dos votos à imigração. O Chega estava à frente a eleger dois dos quatro deputados desses círculos, a AD a eleger outro e o PSD outro ainda, o quarto. Se tudo ficar nestas proporções, Augusto Santos Silva fica fora do Parlamento. Mas atenção, muita atenção, que é apenas um apuramento ainda parcial, ainda não é final. Bom, se assim for, o Chega fica com uma bancada de 50 deputados e a AD mantém dois deputados a mais do que o PS, mantém a vantagem que tem neste momento. O caricato disto tudo é demorarmos tanto tempo a ficar com os resultados finais, num processo que continua a contribuir para que quase metade dos votos de imigrantes sejam anulados, porque colocam a fotocópia do cartão de cidadão no envelope errado no processo de voto. É basicamente isto que está em causa. 2024 ainda estamos com processos de voto absolutamente arcaicos.

Então, mas Júlio, e agora todos querem ser ministros e pertencer ao governo?

Bem, nos últimos dias já ouvimos pelo menos duas dezenas, se não mais, de nomes que podem ou não devem fazer parte do governo. Da AD agora até já foi lançada esta ideia de que a Iniciativa Liberal deve ter dois ministros. O Chega também quer fazer parte da equipa. Do lado do PS, todos à espera de soltar amarras quando souberem os votos de imigrantes. Enfim, estão os nomes sonantes do PS e também o Bloco, mais o PCP com a mira no horizonte de poderem entrar numa nova geringonça. O poder sabe-se, tem ímã, mas seria prudente todos esperarem e terem paciência pelo que aí vem. Cabe a Marcelo indicar o próximo primeiro-ministro. Cabe esperar pelos votos todos. Cabe saber que solução é melhor para o país. Para já, mais do que isso, o grande objetivo de todos não é uma solução para o país, como se vê, mas saber quem tem uma vaga no novo governo. É a nossa política.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta, essa.