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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder a essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta.

E a caminho do fim de semana falamos de polémicas até ao fim, políticos à defesa, alertas orçamentais, mas começamos a entrar em cena. Eu estou a rir-me porque aqui no estúdio fazem-me rir e depois sou sempre eu.

Tu é que começaste.

Não, fui eu que comecei, Carla. Se eu ponho a boca no trombone.

Tu vê lá.

Já estão a perceber porque é que eu tenho que sair de vez em quando.

Tu não vais por aí. Não vás por aí, João.

Bruno. Tu estás aí caladinho, mas tu és os piores.

Eu estou a tentar trabalhar.

Eu estou a ver se passo por entre os espinhos das lágrimas.

Paulo, eu estou a tentar trabalhar, tu conheces-me. Eu não tenho nada a ver com isto.

Pois conheço. Não é por acaso que eu tenho que sair do estúdio de vez em quando. Conheço toda a gente, bem demais.

Bruno, vamos lá. Os atores secundários sobem ao palco dos debates?

Que bem feita essa pergunta, Maria João.

Eu acho que é isso mesmo.

Um dia destes estás a narrar podcasts.

Atenção, muito respeitinho pelos atores secundários, que muitas vezes brilham mais até do que os protagonistas. E vamos ver se é isso que acontece hoje no debate entre a AD e o Livro. Luís Montenegro enviou o seu general, Nuno Melo, para o debate. O Livro, perante a recusa insistente do primeiro-ministro, vai encarregar Isabel Mendes Lopes, a co-portavoz do partido, de enfrentar o ainda ministro da Defesa. A Comissão Nacional de Eleições já tinha dito que não pode fazer nada e que as televisões também não podem fazer nada e, por isso, vamos ter, em princípio, as figuras secundárias a subir ao palco, o que até pode apimentar o encontro. Sem o peso da responsabilidade que recai sobre os líderes, Nuno Melo e Isabel Mendes Lopes até podem surpreender e oferecer um debate mais rasgadinho. Ou então vamos assistir ao debate como quem assiste a um concerto daquelas bandas de tributo. As músicas até podem ser as mesmas.

O Saba.

Mas o clima, falta ali qualquer coisinha.

Falta ali, também. Se calhar falta. Mas o fantasma do déficit, se calhar esse volta? Paulo, volta a assombrar-nos de novo?

Ora bem, vamos ter um pouquinho de calma, porque neste caso ainda estamos a falar de previsões que são relativamente longínquas. Mas as contas que o Conselho de Finanças Públicas fez e que ontem divulgou devem fazer-nos, obviamente, ter cautela. Esta entidade diz que o déficit regressa já no próximo ano e deverá chegar a 1% do PIB, se, e agora então chegam as letras pequeninas, que são sempre importantes, se não houver medidas de política orçamental até lá que o evitem. No fundo, é aquilo a que os economistas chamam de num cenário de políticas invariantes, isto é, se nada acontecer que mude receita e despesa, automaticamente é isto que acontece. Teremos déficit no próximo ano. Mas nós sabemos que haverá um governo daqui a dois meses, um governo novo, que depois fará um orçamento de Estado para 2026, que será aprovado no Parlamento, e esse governo pode tomar medidas para evitar esse déficit. Mas esta alerta recorda-nos basicamente que aumentar a despesa pública, nomeadamente com salários, como aconteceu no ano passado, e reduzir impostos, sejam eles o IRS, IRC ou qualquer outro, como está a acontecer, obviamente que isso tem como efeito piorar o saldo das contas. E aqui não há milagres. Gastar mais e deixar de cobrar algumas receitas não é, obviamente, um caminho sustentável. Como diz o próprio Conselho de Finanças Públicas, a margem orçamental de Portugal é reduzida e já foi amplamente utilizada. Portanto, quem nos avisa, nossa amiga é. E Nazaré Costa Cabral, neste caso, é amiga, claro.

Ó Paulo, e já que falamos de contas, onde é que vamos encontrar margem para aumentar os gastos em defesa?

Essa é uma pergunta a que todos os candidatos, que neste momento estão na corrida eleitoral, venham responder durante esta campanha. E sem aquelas cortinas de nevoeiro habituais ou jogos de palavras, por exemplo, como dizer que a União Europeia vai emitir dívida conjunta e isso resolve o assunto. Isto é dívida que depois é emprestada aos Estados, e isso é na mesma dívida que terá que ser paga. E a senhora von der Leyen não tem uma impressora lá em casa para imprimir notas de euro. E se tivesse ia presa, se o fizesse, como é evidente. Mas a coisa não funciona assim. O governo já disse que vai aumentar de 1,5% do PIB para 2% as despesas com a defesa. É importante é que nos digam de onde vai chegar esse meio ponto percentual do PIB, que são cerca de 1500 milhões de euros por ano. E isto vale, obviamente, sobretudo para aqueles que são verdadeiramente candidatos a primeiro-ministro, Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos.

E entretanto, Bruno, nova lei, nova polémica?

É, Carla, podemos estar distraídos com os debates ou atentos aos debates, só que o país não para, que é como quem diz, não é por estarmos em campanha eleitoral, ou quase, que a sociedade fica a dormir. A Ordem dos Médicos reuniu-se ontem para discutir a nova lei da violência obstétrica, aprovada no Parlamento pelos partidos da esquerda, e vai pedir uma reunião de emergência à ministra da Saúde, Ana Paula Martins. Ao mesmo tempo, a Ordem anunciou a criação de um Observatório Nacional da Gravidez. E o que está em causa é esta nova lei que penaliza hospitais e profissionais de saúde que pratiquem atos de violência obstétrica. A Ordem dos Médicos, desde logo, contesta esta designação. Carlos Cortes, o bastonário, defende que a designação que tem tido mais consenso a nível internacional são as experiências negativas no parto e na gravidez e, ao mesmo tempo, também foi posta a circular uma petição a solicitar a revogação desta lei, que os promotores da petição consideram que promove o conflito, o estigma e a desunião. Parece que continuamos muito rápidos no gatilho das leis e de vez em quando convinha ponderar ouvir os setores envolvidos antes de legislar.

A questão é difícil. Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder a essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta.

O Domínio da Guerra.

A China quer uma nova ordem mundial. Para isso tem que destruir a que existe. A segurança é o mais precioso dos bens, e os bens pagam-se.

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Quando Putin começa a falar dos valores, eu ouço violinos como música de fundo. Ouço violinos.

O Domínio da Guerra. Todas as sextas-feiras às 21h30 com Maria João Simões e o major-general Arnaut Moreira. É hoje, mais à frente nas manhãs 360. Agora