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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.
E esta quarta-feira falamos de: então, mas isto também é Algarve? Entender a derrota, jogadores de póquer, mas começamos com governantes de sofá.
É isso mesmo. Quantas mais sugestões vai ter de ouvir Luís Montenegro?
É isso mesmo, o que ainda está para vir. Ninguém acreditava nele, subiu a montanha, disse que não é não, as eleições dos Açores viraram a seu favor e todos fizeram questão de regressar e porem-se ao seu lado. Ganhou, mas não com a eficácia que se previa a determinado momento, ganhou apenas. E agora todos aparecem em todo o lado a dizer o que ele deve fazer. Uns querem acordos mais à direita, outros mais ao centro, outros fazem previsões de orçamentos e eleições. Enfim, todos têm uma solução para o líder da AD. Há uma frase que não sei se vocês se lembram, ficou famosa no futebol, que foi: deixem a Montoya jogar.
Claro.
Que tal deixarem o Montenegro decidir, pelo menos?
Deixem-no em paz. Adoro a comparação.
Deixem o Montenegro governar.
Para já decidir, depois governar logo se vê.
E agora a pergunta para Queijinho. Paulo, quem está a fazer mais bluff sobre a viabilização ou não do governo?
Pois, não sei, não vou ganhar esse queijinho. Mas isto parece mesmo um jogo de póquer. Cada um tem a sua mão de cartas, mas não sabe, obviamente, qual é o jogo ou quais são as intenções do adversário. E para já, todos podem ir esticando a corda nessa ignorância mútua. O PS já disse que vai ser oposição e sugere que não deverá ajudar a viabilizar orçamentos. O Chega vai dizendo coisas todos os dias e às vezes coisas novas, umas mais novas do que outras, é verdade. E a pressão de André Ventura sobre Luís Montenegro também para entendimentos no limite para a participação no governo, também são uma coisa nunca vista. Nunca se viu um partido a querer fazer uma coligação e ir tão longe nessa pressão. E do lado da AD, mantém-se que vai avançar com o governo minoritário. Portanto, sabemos que no final não podem ganhar todos e para já alguém está seguramente a fazer bluff, porque isto não pode ser tudo verdade. Só não sabemos é quem é, mas mais tarde vamos saber certamente.
E Júlio, Fernando Medina percebeu porque é que o PS perdeu as eleições?
Não parece. Com Pedro Nuno Santos a lamber as feridas de domingo, Fernando Medina tornou-se logo imediatamente protagonista. Não admira, está a fazer o caminho certo para enfatizar que deixa um país no céu em questões financeiras, com contas certas, rating A, Bruxelas contentíssima, agora é só preciso que a AD não estrague o que ele fez. Polícias, professores, médicos, agricultores, cidadãos em geral, todos a penar, um país considerado o mais pobre da Europa Ocidental, são obviamente o motivo de uma derrota de um partido que em menos de dois anos desperdiçou uma maioria absoluta. Mas quem anda só entre Lisboa e Bruxelas dificilmente sabe o que se passa entre Valença e o Algarve, passando pelas ilhas. E sobretudo, interessa-se muito menos pelo país e muito mais pelo seu próprio percurso político.
Isso leva-me a outra questão: será que uma boa parte do país está agora a descobrir aquele Algarve desconhecido, Paulo?
Dá ideia que sim, Carla. A capital do reino está a descobrir que também há inverno no Algarve, por exemplo.
É isso mesmo.
Porque não está habituada a isso. Quem diria que há inverno no Algarve? Para além daquelas areias brancas, das águas mais quentes viradas a sul, que são maravilhosas naquela quinzena de julho ou agosto. Para além de uma pausa apressada nas férias da Páscoa ou da ponte dos feriados de junho, que é aproveitada para os primeiros mergulhos do ano, precisamente no Algarve, para lá do polvo da Noélia ou da tasca da Arrifana, ou dos gelados ali na marina de Vilamoura. Parece que há outro Algarve, que não tem aquele bom aspeto das peles bronzeadas de verão. Um Algarve onde falta água, onde os serviços de saúde são ainda piores do que no resto do país, com várias estradas da morte que há décadas esperam recuperação e que anda há décadas a ouvir promessas de Lisboa que nunca mais são cumpridas. Esse Algarve, o verdadeiro, de quem lá vive o ano todo, parece que se fartou agora e votou na extrema-direita. E o país das férias algarvias está muito espantado com isso.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.