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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta essa.
Ora, na última edição desta semana do Ainda Bem Que Faz Essa Pergunta, falamos de presidenciais que parecem já mesmo em andamento. Falamos também do custo da estrada de saudades para o almoço, mas vamos começar com dúvidas políticas. E afinal, existem ou não oásis?
Oásis geopolíticos para Luís Montenegro na semana passada existiam, oásis. Portugal era um referencial de estabilidade. Bem podia o mundo mergulhar na escuridão, que aqui no nosso cantinho teríamos sempre uma velinha para nos alumiar o caminho. Mas esta semana o primeiro-ministro já não concorda com Luís Montenegro. Sim, são a mesma pessoa. Mas muita coisa muda de uma semana para outra. É que há oito dias o primeiro-ministro falou para uma câmara e a mensagem foi transmitida na televisão e agora foi num artigo escrito, publicado no Jornal de Notícias, e já se sabe que há coisas que temos vergonha de dizer em voz alta, mas que conseguimos escrevê-las. E Luís Montenegro reconhece que em um mundo de interdependências globais, afinal, não há oásis. O que significa que se, por exemplo, a Alemanha se constipar a sério, nós também espirramos ou se calhar ainda ficamos pior. É bom pôr as coisas em perspectiva para não vender falsas ilusões de que somos o último reduto de estabilidade do mundo ocidental.
E ó Paulo, ontem ao almoço serviu-se saudade em Belém?
Olha, se a saudade não constava dessa ementa, pelo menos terá estado lá presente na sala onde Marcelo e Costa reuniram e almoçaram. É evidente que o encontro de ambos faz parte da maior normalidade de trabalho entre um presidente da República da União Europeia e um presidente do Conselho Europeu. Mas este não foi só um encontro entre duas pessoas que ocupam esses cargos, pelo menos do lado de Marcelo Rebelo de Sousa, foi um encontro entre dois líderes políticos que eram felizes e não sabiam quando contra-dancinavam no palco político no passado recente em Portugal. O atual presidente não tem perdido, de facto, uma oportunidade para sublinhar que a sua relação com Costa era melhor, muito melhor do que a que tem agora com Montenegro. Saudades do odeio, que é a que nunca teve. É nunca, não é?
Olha, e Bruno, quanto é que custa a sinistralidade rodoviária ao país?
Muitos milhões de euros, mais precisamente 5,5 mil milhões de euros. É um valor provisório, é uma estimativa, isto relativo às vítimas nas estradas portuguesas em 2024, e que tem por base um estudo de 2021 realizado pelo Centro de Estudos de Gestão do ISEG, a pedido da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária. O estudo definiu o valor de 3,3 milhões de euros por cada vítima mortal, €560 mil por cada ferido grave e €54 mil por cada ferido ligeiro. Para chegar a esses valores, foi tida em conta a faixa etária das vítimas, os custos não patrimoniais, como dor física e emocional e a perda de qualidade de vida, a perda na produção e depois também os custos patrimoniais. Nenhuma família que perde um dos seus precisa de fazer contas para saber a dimensão da perda, mas a sociedade precisa de conhecer o impacto destas tragédias que continuam a acontecer e às vezes é mais fácil perceber com números. 5,5 mil milhões de euros é o que custam os acidentes nas estradas portuguesas.
Mas onde é que já ouvimos algo parecido no apoio a uma candidatura a Belém?
MAP, por aí, não é? Claro. Mas é mesmo isso. Só uma letra é que afasta o atual MAP do antigo MASP. O MAP, já agora, com dois As. MAAP. Dois As. O antigo MASP, que era o Movimento de Apoio Soares à Presidência na década de 80, a plataforma que serviu para Maria de Soares concorrer a Belém contra Freitas João Amaral. E não terá sido inocente este batismo do Movimento de Apoio ao Almirante à Presidência, o tal MAAP atual, que foi ontem anunciado, é liderado por dois iminentes maçons, que garantem que isso não corresponde a qualquer apoio da Maçonaria Gouveia e Melo. Este é o primeiro passo formal dado pela candidatura do militar à Presidência da República. Agora, enfim, só faltam alguns detalhes, como por exemplo, começarmos a conhecer as posições políticas do candidato.
Um detalhe. As perguntas que lançam o dia. Ainda bem que faz essa pergunta com o Paulo Ferreira e o Bruno Vieira Amaral.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta essa.