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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder a essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

E esta segunda-feira falamos dos longos braços do físico.

Do físico?

Do físico.

Eu gosto. Era pra ver se vocês estavam atentos.

Há físicos que tenham longos braços, certamente.

É.

A física espreita.

O Einstein, por exemplo.

Tinha braços compridos, o Einstein.

Espirros na Alemanha, dignidade dos sem-abrigo, mas começamos pelo episódio número 157 da novela orçamental. Está bem, está que nem posso, não perco um episódio. Paulo, está cada vez mais reduzido o espaço pra o PS chumbar o Orçamento do Estado.

Parece que sim. Sem dúvida. Ainda que o PS se mantenha, de facto, irredutível contra qualquer corte transversal na taxa nominal do IRC, esta continua a ser a grande questão, estamos cada vez mais no terreno da incompreensão se o Orçamento do Estado pra 2025 for chumbado. O espaço do PS reduziu-se muito depois da aproximação forte feita pelo governo às suas exigências, mas agora está ainda a encurtar mais pelas pressões que chegam do interior do próprio partido. Francisco Assis, no Expresso, defende o entendimento e sustenta que não há democracia pluralista que resista ao predomínio dos dogmas e à exaltação da pureza sectária. Tumba. Toma lá que já pegou. E já José Luís Carneiro, que entrou na corrida interna do PS contra Pedro Nuno Santos, elogiou na CNN a coragem demonstrada por ambas as partes, em especial pelo líder do PS. Portanto, coragem aqui para fazer a aproximação. Para bom entendedor, também meia palavra basta. Coragem pra chegar a um entendimento, entenda-se, claro. E se quiser mesmo optar pelo voto contra, parece que Pedro Nuno Santos terá de o explicar agora, cada vez mais e antes de mais, ao seu partido.

Pois é. Olhe, e há um mistério, Bruno. Pra onde foram os sem-abrigo?

Tem sido um problema recorrente, Carla, nos últimos tempos, em Lisboa, sobretudo, tem suscitado muitas críticas a atuação da Câmara liderada por Carlos Moedas, o número de pessoas em situação de sem-abrigo, a maioria delas imigrantes, tem aumentado, com situações particularmente complicadas na zona da Gare do Oriente, também junto à Igreja dos Anjos, e agora a Câmara Municipal de Lisboa parece que está a tentar resolver o problema e transferiu 56 destas pessoas, que viviam em tendas na zona dos Anjos, para unidades de alojamento na cidade, como pensões. Segundo o presidente da Junta de Freguesia de Arroios, Madalena Natividade, não há um prazo pra que as pessoas permaneçam nestes alojamentos. Os casos serão analisados individualmente e a Câmara e a Junta irão procurar dar uma resposta social definitiva assim que seja possível. Mas este é um passo essencial pra recuperação da dignidade das pessoas nesta situação e até pra imagem de uma cidade que se deseja mais atenta aos mais vulneráveis.

Entretanto, a economia alemã está com sintomas de constipação. Ai, vamos todos apanhar uma gripe, Paulo.

Vamos, certamente pagar uma parte do preço dos problemas da Alemanha. Como sempre acontece, aliás. O governo germânico prevê que este ano seja já de recessão, uma queda de 0,2% do PIB. Os sinais de estagnação não são de hoje, mas agora acentuaram-se. O setor automóvel, que tem um grande peso na economia do país, é dos que está a atravessar uma má fase, muito por culpa da concorrência chinesa. E esta é uma daquelas nuvens negras que quando se aproximam, basicamente nos pode molhar a todos. Podemos certamente escapar ao mesmo destino da recessão, mas sempre nos custará uma décima ou outra, ou duas, ou três, ou quatro décimas de crescimento da economia. A Alemanha é um dos três principais destinos das exportações portuguesas e um dos principais investidores por cá.

Bruno, as gorjetas. Tão importante falar das gorjetas. Sim, têm de ser declaradas ao fisco.

Se pensavam que havia bordas fiscais, estão muito enganados. As gorjetas, as gratificações que os trabalhadores da área da restauração, sobretudo eles, recebem, são equiparadas a rendimentos de trabalho. Só que nesta ânsia do Estado ir buscar dinheiro a todo lado, começam os problemas quanto à declaração dos rendimentos, nomeadamente o problema de saber quem tem a obrigação de os declarar, se é a entidade empregadora, se é o trabalhador, quando é que tem de o fazer. Resposta a este dilema: há obrigações para todos. De acordo com uma advogada ouvida pelo jornal Público, a entidade empregadora tem de incluir o valor das gorjetas no recibo de vencimento do trabalhador e na declaração mensal de remunerações, que é enviada para a Autoridade Tributária, e os trabalhadores têm de incluir o valor quando entregam a declaração do IRS. Não se podem esquecer dessas coisas. A tributação sobre esses rendimentos é feita de maneira autónoma e sobre eles recai uma taxa especial de 10%. O Estado vai a todas, não escapa nenhum.

Não há nada que escape. Já vamos falar disto.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder a essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.