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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.
E está no ar: Ainda Bem Que Fazes Essa Pergunta, da Rádio Observador. Paulo Ferreira e Júlio Magalhães. Esta terça-feira falamos de nacionalizações em tempo de guerra, desistências partidárias, folgas orçamentais. Mas Júlio, começamos pelo paraíso fiscal espanhol.
É mesmo para perguntar: Espanha mais uma vez, diferente por quê?
Pois, os portugueses nós estamos as duas com vontade. Estamos as duas com vontade de atravessar a fronteira. É mais isso. Não é? Estamos aqui todos com vontade de olhar para os nossos vizinhos.
É mesmo. Outra vez os combustíveis. Ontem, nas reportagens televisivas, voltamos a ver os portugueses a serem os principais clientes das áreas de serviço espanhol. O caso não é para menos. O governo espanhol pegou uma parte do orçamento e decidiu aplicar na redução com descontos diretos nas bombas de gasolina. Sem burocracias, sem problemas, tudo prático. O governo reduziu o preço, as empresas petrolíferas também baixaram as receitas e todos ficaram a ganhar. O gasóleo ontem vendia-se a 1.59 em Espanha. Um caminhoneiro dizia que num depósito de 300 litros a poupança era de €65. O protesto dos caminhoneiros e das empresas de transportes em Espanha teve efeito, mas a diferença está mesmo na eficácia e na desburocratização.
Sem dúvida. Tinha visto isso também para a moeda, mas já falamos daqui a pouco. Por falar em moedas, será que Fernando Medina está a contar com uma flexibilização das regras orçamentais europeias?
Não sabemos. Pode não estar a contar com isso, Paulo, mas ontem pelo menos defendeu essa visão flexível.
Exato, defendeu. E ontem esteve no seu primeiro Ecofin. Foi a estreia no Conselho de Ministros das Finanças da União Europeia. Medina prometeu apresentar o orçamento de Estado para 2022 ainda este mês e voltou a comprometer-se então com aquela ideia das contas certas, ou seja, com uma redução do déficit, tal como João Leão, o seu antecessor, a deixou agora desenhada. E o novo Ministro das Finanças bem pode esperar uma flexibilização das regras europeias. O problema é que a restrição orçamental portuguesa resulta muito mais do elevado nível de dívida que nós temos do que das decisões de Bruxelas. E para essa, para a dívida pública, não tem havido até agora flexibilização que nos valha.
E na atualidade política, Rui Rio percebeu o que lhe esperava.
Ontem desistiu da candidatura.
É, o autarca de Aveiro tinha lançado a ideia de que estava na disposição de se candidatar à liderança do PSD, alimentou esse tabu durante alguns dias, mas ontem convocou a imprensa para dizer que lhe falta ainda algum tempo de trabalho para se candidatar. Com o trabalho feito nas autarquias em Ilha e Aveiro, com vitórias inequívocas nas eleições, Rui Rio percebeu tomou uma boa decisão e apresentou uma boa desculpa: falta de tempo e preparação. Percebeu, claro, que assumir uma candidatura à liderança do PSD ou de qualquer outro partido exige muita preparação e muita presença em Lisboa e nos corredores de e à volta do poder central.
O governo alemão nacionalizou ontem a unidade que a Gazprom tem no país e eu tenho aqui uma dúvida: para os comunistas, esta é uma boa ou uma má nacionalização?
Tu também. Começa já assim tortinho, não é? Nacionalizações compulsivas na Alemanha e em 2022.
Quem diria, não é?
Quem diria?
Quem diria? É verdade, mas o governo alemão diz que é para garantir a segurança do fornecimento de gás ao país. A Gazprom é aquele gigante do gás russo, a empresa que explora e transporta o gás para grande parte dos países da Europa Central e que contratou o Gerhard Schröder quando este deixou o cargo de chanceler alemão. A empresa vai ser gerida agora, a parte alemã, obviamente, pelo regulador de energia da Alemanha, de forma transitória. Com este atentado aos interesses russos, a dúvida que fica é, de facto, se para os comunistas esta é uma boa ou uma má nacionalização, porque, por um lado, sempre defenderam que os Estados devem ser donos das empresas de setores estratégicos, como é claramente o caso, mas, por outro, esta é uma nacionalização do império de mal que é o Ocidente contra a fluorescente democracia russa. Portanto, fica a dúvida.
Paulo Ferreira e Júlio Magalhães e o Ainda Bem Que Fazes Essa Pergunta para ouvir nas manhãs 360 e também em podcast.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.
Tem medo que no primeiro