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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais o que fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.

Insiste, insiste.

Insiste.

E Pedro Nuno Santos não desiste.

Não desiste. Ele não vai desaparecer, ele não vai ao fundo sem dar luta.

Ele anda por aí.

Anda por aí e pelo caminho ajusta algumas contas, mantendo sempre aquele entusiasmo juvenil de quem não aceita facilmente ir ao fundo. Desta vez, o pretexto é o caos nas chegadas do aeroporto de Lisboa. Vê-se que aeroportos continuam a ser um tema sensível e que o antigo líder do PS ainda não ultrapassou. O aeroporto esteve no centro de uma polêmica no governo de António Costa, que obrigou o então ministro das Infraestruturas a recuar na decisão de avançar com a solução Montijo. E Pedro Nuno Santos agora nas redes sociais lembrou que se o despacho não tivesse sido revogado em 2022, no próximo ano, o aeroporto do Montijo já poderia estar a funcionar, aliviando assim a Portela e evitando os problemas que temos visto. Pedro Nuno Santos diz que somos bons a comentar e péssimos a decidir. E há aqui um elogio em boca própria, acho eu. E é isso, não desiste Pedro Nuno Santos e, até mais importante do que isso, ele não esquece.

Paulo, tu que és de números, quantas manobras dilatórias é possível fazer num processo judicial?

Ui, Maria João.

Não tens mãos que cheguem, não tens dedos.

Basta ver. Olharmos para a operação Marquês, que julga o José Sócrates, entre outros, e o número de manobras ou de processos, de formas de tentar atrasar o julgamento parece, de facto, ilimitado. Há quem faça essas contas e já chega a umas largas dezenas. E o tipo de manobras também parece ser muito vasto e, no fundo, é aquele que a imaginação permitir. Ontem, já sabemos, foi a saída do advogado principal do ex-primeiro-ministro, que apresentou a renúncia à sua defesa. Parece que ficou muito melindrado com o ralhete que levou da juíza na sessão anterior, por ter chegado atrasado. Normalmente, em situações dessas, haveria a nomeação de um novo advogado, que deveria ter tempo para estudar um processo que sabemos ser complexo e volumoso. Tempo que parece precioso para a defesa, no fundo, para ir atrasando o julgamento, mas a juíza não esteve com meias-medidas. Chamou imediatamente o advogado oficioso, que estava ali de turno. Imaginem o que é um advogado estar ali oficioso, estar de turno nos tribunais, nos corredores à espera daqueles.

"Venha aqui fazer uma pergunta."

"Venha aqui." É a operação Marquês. Venha aqui. Passado meia hora está nas televisões, claro. E a juíza decidiu prosseguir o julgamento para não haver atrasos. Isto pode prejudicar a defesa? Pode, obviamente, porque o advogado oficioso não conhece o processo, mas a decisão de mudar de advogado não foi da própria defesa.

Pois. Agora não é.

Portanto, se há problemas aqui nas garantias e na qualidade da justiça, se deve à defesa e às decisões entre José Sócrates e o seu advogado.

Bruno, vamos ter Natal antecipado? Já só falta um mês e 20 dias.

Só falta um mês. Só falta um mês para fazer Natal.

Um mês precisamente.

Hoje é 1º de dezembro.

Começa a decorar os presépios.

Já começa.

Vou te mandar uma mensagem nessa altura.

Manda, manda que ela vai cá estar.

Para onde estiver. Mariah Carey já está aí, já ouvimos.

Ontem.

Ontem. Mas não vem sozinha. Vem também o programa ELAR.

O que está a fazer? Está a fazer uma campanha agora a Mariah?

A Mariah leva um fogão. Agora já não é CD, isso já é do passado.

Um vídeo VHS. Ainda não.

Ainda é um teladisco. Bem, o programa ELAR, que é o tal programa de apoio à troca de equipamentos a gás por equipamentos elétricos, está de volta. Volta 2 de dezembro e tem um reforço de 51,6 milhões de euros, mesmo a tempo dos presentes de Natal. As regras são as mesmas da primeira fase, que foi lançada a 30 de setembro e foi um tal sucesso que a plataforma foi abaixo, como se lembram, e os apoios que estavam previstos esgotaram rapidamente. Agora, quem quiser uma ajudinha natalícia, tem de se inscrever à mesma no site do Fundo Ambiental. Depois, confirmados os dados, recebe um voucher que pode utilizar nas lojas, e são muitas que aderiram a esta iniciativa. Este modelo tem a vantagem, relativamente a programas anteriores, de os beneficiários não terem de adiantar o dinheiro, portanto, não há aqui um reembolso. Recebe-se um voucher e pode salvar o voucher.

Desconta do saldo.

Exatamente. Agora, aqui a grande questão é: será que a plataforma aguenta? Da outra vez não aguentou. Vamos ver.

Ai, aguenta, aguenta.

Aguenta.

O Bruno já falou aqui do aeroporto de Lisboa, mas Paulo, o que será pior? As filas no aeroporto da Portela ou a confusão no terminal de autocarros do Porto?

Olha, venha o diabo e escolha. Venha o diabo e fica à espera na fila. Nas chegadas do aeroporto de Lisboa, já sabemos, de facto, que está o caos instalado, porque para os estrangeiros que chegam fora do espaço europeu, têm que fazer controle de passaportes, e com os autocarros sobrehumanos no Porto, a coisa não está melhor. O Público conta-nos que, de facto, o antigo terminal de Campo 24 de Agosto foi encerrado. A operação foi transferida para o terminal intermodal de Campanhã e são quase duas dezenas de linhas com localidades fora do Porto, dentro ou fora do distrito, que fazem ali o seu terminal. E com a organização muito portuguesa destas coisas, os utentes são carne para canhão, basicamente. Não há indicações de nada, quais são os autocarros que vão parar em que fila. As filas de pessoas são imensas, vão se prolongando e ocupando as ruas. Enfim, basicamente aquela coisa muito portuguesa, os passageiros que se amanhem, mas também, como diria a outra: "Quem é que não tem transportes públicos? Vão de automóvel, de motorista."

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais o que fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.