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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Bruno, tu é que conheces bem Espanha. Nem bons casamentos?
Nem bons casamentos. Depende. Alguns casais, pode-se dizer que foram feitos um para o outro. Não sei se será o caso de Pedro Sánchez e da mulher, Begoña Gómez, que, soube-se ontem, vai ser julgada por alegados crimes de tráfico de influência, corrupção empresarial, peculato e apropriação indevida. Pedro Sánchez tem tido uma vida difícil enquanto primeiro-ministro de Espanha, mas também tem revelado um instinto de sobrevivência notável, ora conseguindo acordos improváveis com a oposição, ora envergando as vestes de derradeiro defensor da Europa contra o império norte-americano. Mas até para um sobrevivente como Sánchez, este desafio agora pode revelar-se demasiado difícil, até porque o juiz de instrução, ao explicar a acusação de tráfico de influências através do qual Begoña Gómez terá conseguido um lugar na Universidade Complutense, disse que é própria de regimes absolutistas e não de democracias. Temos maus ventos a soprarem na direção do primeiro-ministro espanhol, que pelo menos já mostrou que sabe como os enfrentar.
Então, maus ventos, maus casamentos, mas Paulo, se calhar bons preços. Temos um paraíso fiscal mesmo aqui ao lado.
É verdade. Temos mesmo.
E não é só caramelos.
Não é só caramelos. Caramelos e azeite. De vez em quando também se trazia azeite, mas era sobretudo os caramelos.
Eu sou do tempo dos caramelos.
De Badajoz. Viaja-se muito a Badajoz.
Era. Está ali ao virar da esquina.
Logo ali, exatamente. Não, Badajoz não, desculpem. Ia-se por Vilar Formoso, ia-se a Salamanca, ou Fuentes de Oñoro. Badajoz é que é mais embaixo. Mas agora por falar em preços.
Em geografia.
Em geografia. Temos aqui ao lado uma espécie de Holanda ou de Luxemburgo, só que não é em termos fiscais, mas não é para empresas, é mesmo para os consumidores e é basicamente só para os combustíveis, mas funciona da mesma maneira, impostos mais baixos, no fundo, levam os contribuintes a procurar essas economias. Um depósito de gasolina custa, neste momento, mais 21 € em Portugal do que em Espanha e no caso do gasóleo, o preço em Espanha é mais baixo 17 € para atestar. É dinheiro, isto num depósito. Historicamente, sabemos que os impostos sobre os combustíveis são mais caros em Portugal do que em Espanha, a começar pelo IVA, por exemplo, que não é só sobre os combustíveis, mas também incide sobre os combustíveis, que é de 23% a taxa máxima em Portugal e é de 21% em Espanha, combustíveis e outros produtos. Ainda por cima, Madrid baixou o IVA dos combustíveis agora de 21 para 10%, portanto, uma grande parte da diferença está aqui, enquanto o governo português deu descontos no ISP, que somam 8,3 cêntimos no gasóleo e 4,6 cêntimos no litro de gasolina. Portanto, os automobilistas próximos da fronteira que aproveitem este paraíso fiscal de combustíveis que está mesmo ali ao lado. Em um raio de 50 km ainda compensa, certamente vai.
Ainda vale a pena lá ir. Agora já não quero Espanha. Agora vamos à Hungria.
Gosto muito.
Vai mudar a Hungria.
Uhul! Eu gosto de um húngaro.
Eu gosto de um húngaro.
São deliciosos.
Cá está. Gosto. Com recheio.
Bolacha.
Com recheio. É irresistível.
Pronto, cada um é como quer.
Olha, isto é um melão, se calhar. Em vez de um húngaro, é um melão. Não preciso saber o que é que está lá dentro. Preciso abrir.
Para já, a Hungria vai mudar de governo. Se vai mudar de políticas ou que políticas é que irão mudar, só o tempo dirá, mas não seria compreensível que ficasse tudo na mesma quando os eleitores deram um sinal bastante claro de quererem uma mudança. É verdade que Péter Magyar começou a carreira política no partido de Orbán. É verdade que o seu partido é um partido de direita, direita conservadora, mas o próprio já anunciou que vêm aí novos tempos e que a reaproximação à União Europeia é um dos objetivos, até porque a Hungria tem lá congelados 20.000 milhões de euros, que darão bastante jeito à economia húngara. No entanto, haverá matérias, como por exemplo, a política de imigração, em que a mudança muito provavelmente não será tão drástica assim, porque não foi por acaso que Orbán governou o país durante 16 anos. O governo pode ter mudado, vai mudar, mas a Hungria continua a ser o mesmo país e os húngaros não mudaram, continuam a ser os mesmos.
Paulo, e se Donald Trump estiver mesmo clinicamente demente?
Pois, a questão já se coloca muito mais do que aquilo que é habitual má língua, ou críticas, ou aquele popular "ele não está bom da cabeça". E isto começa a ser discutido, o assunto, seriamente entre as hostes mesmo dos republicanos e nestes entre integrantes mesmo do movimento MAGA, o Make America Great Again. Um exemplo, Marjorie Taylor Greene, que é uma figura de proa deste movimento MAGA, republicana e que até há pouco tempo defensora acérrima de Donald Trump, defende que se deve discutir a 25ª Emenda. A 25ª Emenda permite que o presidente seja removido do cargo contra a sua vontade, caso seja considerado incapaz de desempenhar as suas funções por algum motivo. Há médicos nas televisões norte-americanas já a analisar os comportamentos de Donald Trump, dizem que ele é errático, que vai demonstrando uma incapacidade de terminar frases, que faz confusões frequentes, que há ali muito raciocínio ilógico. Enfim, dizem que Trump apresenta todos os sinais de demência. Portanto, chegados aqui, não sabemos o que é pior, se é ter uma justificação clínica para aquilo que tem sido a governação de Trump, ou se é o mesmo assim que ele comanda o país, independentemente de questões clínicas e o mundo, o resultado se calhar acaba por ser o mesmo.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.