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Este é o som da comissão de inquérito das manhãs 360. Hoje, a nossa convidada é Ana Vasconcelos, eurodeputada da Iniciativa Liberal. Bom dia, bem-vinda.

Olá, bom dia.

Bom dia.

Portanto, já esteve a ouvir, já sabe ao que vem. De qualquer forma, eu recordo: cinco perguntas, cinco pontos por cada resposta certa. Se estiver na dúvida, se não se lembrar, pede ajuda. Nós damos três hipóteses. Se acertar, recebe dois pontos. O máximo são 25.

Vamos lá.

É mais fácil do que no Parlamento Europeu, certamente.

Vamos recuar no tempo. Os farmacêuticos tinham uma antiga prática de cobrirem os remédios amargos com açúcar ou com outro tipo de adoçante. Em casos mais luxuosos, os comprimidos até eram revestidos com folhas de ouro e prata. Isso deu origem a que famosa expressão?

Popular, não é?

Não faço ideia.

Faz. Quando eu disser, quando eu lhe der uma ajuda, lembra-se logo. É quando queremos tornar uma coisa desagradável menos má. E que tem a ver com medicamentos.

Adoçar...

Está quase.

É por aí. Adoçar. Estou a recordar uma expressão, mas credo que seja cedo demais.

Quer uma ajuda, então?

E depois a outra palavra remete para o mais famoso anticonceptivo.

Pronto, com esta ajuda, não sei.

Não ouvi. O mais famoso...

O mais famoso contraceptivo feminino.

Adoçar a pílula.

Dourar a pílula. Eu até que...

Dourar a pílula.

Fui mais rápida aqui no gatilho. Dourar a pílula. É o que têm feito os sucessivos governos em relação à crise da habitação.

Eu acho que sim. É uma boa maneira de colocar a questão. Acho que solucionar a crise da habitação não se faz do dia pra noite, requer tempo. É muito fácil anunciar medidas que parecem resolver o problema rapidamente no momento e o que se tem feito ao longo do tempo é precisamente agravar. E, portanto, nós sabemos, há uma elevada procura. À partida, haverá interesse do mercado em investir, em construção, e há muita dificuldade em construir. Eu regressei ontem de Bruxelas e nós sobrevoamos Lisboa. E Lisboa, pra procura que tem, não é uma cidade muito grande comparada a outras, pra capital ainda por cima, e tem muito espaço onde não há construção, onde poderia haver, já pra não falar de devolutos. E, portanto, há aqui claramente uma falta de resposta pra um problema que não é propriamente imprevisível. Já se sabe que temos esse problema há muito tempo.

Mas o que pode sossegar os jovens que querem sair de casa dos pais e não conseguem?

Enfim, nós precisamos de construir o mais rapidamente possível, de facilitar licenciamentos, de simplificar a legislação pra aumentar a certeza daqueles que querem investir em projetos de construção e poderem confiar que ao avançar com os projetos não vão encontrar obstáculos que têm a ver puramente com questões de interpretação de legislação complexa, contraditória, desatualizada. Há um processo de uniformização da legislação da construção que ainda está por acontecer em Portugal. Isto não são propriamente as respostas que sossegam os jovens, mas quanto mais depressa começarmos este processo. À partida, são boas notícias Portugal, Lisboa, Porto e as grandes cidades, e não só, terem um aumento da procura. Isto não é só uma boa notícia para aquilo que será o mercado imobiliário, mas também para negócios adjacentes, que enriquecem todo o país e que fazem aumentar o nosso rendimento, que ainda assim, comparado a outros países, que até entraram mais tarde do que nós na União Europeia, fica bastante aquém. E, portanto, são oportunidades, não devia ser visto como um problema, o problema é não conseguirmos construir.

E o problema também são os salários portugueses que depois não pagam esses preços, é isso?

Exatamente.

Claro.

É por aí.

Mas lá está, se não conseguimos construir, os preços não baixam.

Claro.

Há aqui um ciclo difícil de quebrar. Ana Vasconcelos, próxima pergunta. Agora vai ver que vão ser os cinco pontos direitinhos. Quem escreveu a obra "O Mal-Estar na Civilização"? É um clássico.

Não estou...

Um clássico da psicanálise.

Freud?

Isso mesmo.

Obrigada pela ajuda.

São os cinco pontos. Estamos a falar aqui dos protestos dos jovens, e não só em Lisboa e no Porto, mas estamos a assistir a muitos protestos em muitas cidades europeias, com manifestações mais ou menos violentas. Isto é o quê? É um mal-estar da civilização ou é uma instrumentalização dos descontentes?

Acho que há muitas razões pra haver mal-estar. Aliás, falávamos da habitação. A habitação é um de vários problemas demográficos que temos, e os problemas demográficos não acontecem do dia pra noite, veem-se com muita antecedência. Acho que há uma tendência, que é um dos calcanhares daqueles das democracias, que é o curto-prazismo. Portanto, é muito difícil tomar decisões difíceis que podem custar votos no curto prazo, mas são necessárias no longo prazo. E acho que hoje deparamo-nos com vários problemas: no mau funcionamento de serviços públicos, nos preços elevados da habitação, no decréscimo de qualidade de serviços essenciais como a educação e saúde, que vão revoltando as pessoas, que ainda por cima estão a ser chamadas às urnas mais frequentemente do que acontecia.

Compreende que a Europa está a passar aqui por um momento de muita contestação. Pode ser perigoso, pode ser explosivo, até.

Pode. Estou muito preocupada com o futuro da União Europeia. Acho que não é um futuro que possamos dar por garantido. A instabilidade é muita. Vamos ter eleições em países que são pilares da União Europeia. Vamos ter eleições em França. Vimos resultados recentes na Alemanha muito preocupantes. A CDU, o partido que está no governo e um partido Clássico na governação da Alemanha, com muito apoio, abaixo dos 20%. Portanto, é um cenário muito arriscado para o futuro da União Europeia, sendo que se o partido de extrema-direita alemã, que é o AfD, Alternative for Deutschland, chegar ao governo, isso pode representar um risco existencial para a União Europeia.

E a União Europeia está a conseguir dar resposta a essas dificuldades?

A União Europeia?

Sim.

Dentro do que pode, até certa medida, mas, por um lado, muitos desses problemas são mesmo os Estados-membros que têm que dar resposta. Nós temos aquela tendência para responsabilizar a União Europeia pelos problemas e estar à espera que as soluções venham de lá, e a maioria das soluções cabe mesmo aos Estados-membros. Por acaso, acho que naquilo que é mais importante fazer-se a nível europeu, que é superar a fragmentação do nosso mercado e concretizar mesmo o projeto do mercado único, acho que a Comissão está empenhada nesse objetivo, está empenhada em simplificar, apesar de não ir tão longe como nós na Iniciativa Liberal gostaríamos. E acho que até gostávamos de ver que se falasse em desregulamentar sem pudor, em vez de estar a dourar a pílula com a palavra simplificação. Parece que se tem medo de dizer o que se está a fazer e o que tem de ser feito, e tem de ser feito até em maior medida. Mas acima de tudo, nós quando falamos da questão da excessiva regulação, que sem dúvida existe, estamos a esquecer de uma grande parcela que cabe exclusivamente aos Estados-membros resolver, que é o problema da fragmentação. Muita da dificuldade de operar no mercado único tem a ver com leis diferentes, e isso não tem nada a ver com a questão da soberania dos Estados-membros. Isso é uma questão que deve ser respeitada, mas há leis que podem ser harmonizadas e seria no interesse de todos que isso acontecesse. O nosso mercado único é a nossa principal vantagem. Nós temos mais de 450 milhões de habitantes na Europa, com poder de compra. Isso é mais do que os Estados Unidos têm. Mais 100 milhões que os Estados Unidos têm. Imagine-se o poder por aproveitar que a Europa está a perder.

Muito bem, vamos continuar a falar disso, Ana Gonçalo. Terceira questão, esta é dada quase. Mario Draghi ficou com a fama, eventualmente também com o aproveito, de ter salvo o euro com uma simples expressão dita em 2012, quando era presidente do BCE. Sabe qual foi essa expressão?

Não. Vocês estão com a minha memória online.

Foi uma expressão dita em inglês num discurso sobre salvar o euro.

Sobre salvar o euro. Não me lembro.

Não. Então vou lhe dar três alternativas.

Eu pensei que ia falar do relatório Draghi.

Lá chegaremos. É precisamente para falarmos disso. Mas essa expressão, eu vou já dar aqui as expressões em português: quem apostar contra o euro vai perder, só por cima do meu cadáver ou tudo o que for preciso.

Quem apostar no euro vai perder.

Só por cima do meu cadáver ou tudo o que for preciso.

Tudo o que for preciso?

Whatever it takes.

Whatever it takes.

Foi essa, de facto, que o BCE ia utilizar dentro do seu mandato, whatever it takes, para salvar o euro. Vamos então ao relatório Draghi, apresentado mais recentemente. O que é feito do relatório? Já disse há pouco que a Europa vai dando alguns passos no sentido da simplificação. O relatório foi duro no diagnóstico e apontava caminhos, mas parece não haver muita vontade, muito empenho em segui-lo.

É, as circunstâncias políticas da Europa não são as mais favoráveis a tomar-se as tais medidas que custam votos. Acho que há muito receio de perder votos e digamos que os Estados-membros não estão tão alinhados como deveriam nesse propósito. Isto dito, acho que a nível da Comissão, a Comissão tem usado isso como mapa para se guiar. Acho que ainda assim se dispersa muito, são demasiadas prioridades ao mesmo tempo, quando há muitas prioridades, não há nenhuma. E sim, temos tido comboios de simplificação, os chamados omnibus, uns atrás dos outros, o que não é necessariamente uma coisa, não resolve logo o problema, porque cria imensa instabilidade no mercado. O que aconteceu foi: houve demasiada regulação aprovada numa data anterior, que agora, apesar de todos os impact assessments, os estudos de impacto que foram feitos, ainda assim tiveram impactos imprevistos. Aliás, eu tenho em mãos um omnibus na área do ambiente, que pretende suspender regras que acabaram de entrar em vigor agora em agosto.

O que para os agentes económicos é complicado.

Exatamente, o que torna muito mais difícil vender-se dentro do mercado único. Por quê? Porque cada empresa, independentemente da dimensão que tiver, se quiser enviar uma embalagem para outro Estado-membro, além de ter que ter um representante legal no seu Estado-membro, tem que ter um representante legal em cada Estado-membro para onde envia. Agora, imagine-se uma empresa familiar que começa de repente a ter clientes, dois ou três em cada Estado-membro, ter que fazer um investimento desses, não vai fazer. E portanto, isto levou ao cancelamento de várias encomendas, houve empresas que fecharam portas. A Comissão percebeu que havia um erro. O Conselho, lá está, onde estão os Estados-membros, que já agora podem suspender essas regras unilateralmente a nível nacional, não quiseram negociar, e depois de haver mobilização da sociedade civil, finalmente parece que pelo menos negociar, vão negociar e vamos ver se conseguimos até o Natal reverter esta situação. Mas isto é só para dar um exemplo de como regras bem-intencionadas, e isto tem tudo a ver com a economia circular, podem ter consequências imprevistas, mesmo quando se faz estes estudos de impacto. E portanto, agora vamos reverter muita legislação. Há depois um problema de previsibilidade.

Para os agentes económicos, que não sabem com que regime é que vão contar. Saindo agora um bocadinho dessas mudanças, consegue fazer uma avaliação do mandato de António Costa como presidente do Conselho?

Bem, previsivelmente está focado nos fundos europeus.

Agora no orçamento.

Está a usar o seu capital político, sobretudo para barrar a tendência em que a União Europeia vai necessária de rever a sua política de financiamento. Nós temos um país cronicamente dependente de fundos, que não os usou numa ótica de vir a deixar de estar tão dependente. E agora, o momento histórico que vivemos força-nos a ter que ficar menos dependentes. E eu acho que António Costa tem usado, previsivelmente, tal como fez também quando era primeiro-ministro, o seu capital político para tentar manter as coisas o máximo como estão, e não responder ao momento que vivemos a nível europeu, em que a própria sobrevivência da União Europeia poderá estar em causa. Portanto, temos decisões mesmo difíceis para tomar e estar a dar resposta a problemas desta dimensão, com a mesma filosofia de gestão do quotidiano e de manter as coisas mais ou menos como estão e tentar levar o barco à espera que a coisa corra bem.

Pode não ser a melhor opção. Muito bem. Ana Vasconcelos, nove pontos até o momento. Agora vamos olhar aqui para um assunto mais próximo. Vamos sair da Europa. O movimento cívico-político de Cotrim de Figueiredo tem o nome de Portugal Em Frente, mas esse já é o segundo nome. Houve um primeiro nome, que não era oficial, mas é o nome original desse movimento. Qual era esse nome?

Um movimento... É isso.

É movimento.

Era o movimento...

Movimento... E depois? Agora é Portugal Em Frente.

Era Portugal Em Frente.

Mas inicialmente era movimento...

Vais ter que me ajudar outra vez.

Movimento 2031 ou 20 31. Pronto, é esse.

2031.

Está esse. O Portugal Em Frente avança ou não avança? Ou já se perdeu aquele gás dos 900 mil votos nas presidenciais?

Isso é uma pergunta para o João Cotrim de Figueiredo. Eu, de facto, trabalho com ele no Parlamento Europeu. O movimento foi anunciado e penso que em breve haverá desenvolvimentos, e não estou tão por dentro desses planos.

Mas faz sentido um movimento tão ligado a uma pessoa, claro, muito importante na história da Iniciativa Liberal, não haverá ainda o risco de ocupar um espaço que deveria ser o do partido?

Não, acho que não. Acho que o João Cotrim de Figueiredo, quando faz a sua campanha, faz uma campanha em que abre, como presidente da República, que era o cargo a que se candidatava, que abre um espaço muito mais alargado, apela a vários tipos de eleitores. E eu acho que o que faz é abrir caminho a um partido como a Iniciativa Liberal, porque por um lado estabelece os espaços e as ideias liberais, têm um porta-voz como nunca tiveram antes, ao mesmo tempo que concilia isso com outros pontos de vista. Portanto, eu acho que só abre caminho, não acho que uma coisa impeça a outra.

Não faz sombra à atual liderança. Um movimento com uma figura tão carismática como Cotrim de Figueiredo não acaba por fazer essa sombra a Mariana Leitão.

O que seria se as figuras que o nosso partido lança acabam por desaparecer e só dar lugar a outras? Acho que João faz o seu caminho e fá-lo muito bem, e continua a fazê-lo no Parlamento Europeu, e tem tentado dar voz e movimento e não perder o gás daquilo que foi iniciado com a campanha, que entusiasmou e mobilizou tanto do nosso eleitorado, que quer ver mudança no país, quer ver alternativas. E portanto, uma coisa não impede a outra. Nós temos, felizmente, grandes nomes que foram sendo lançados no partido. Temos Carlos Guimarães Pinto, temos o Mário Mourinho Lopes, temos a nova deputada Angélique de Teresa. Portanto, nós vamos lançando estes nomes e queremos é que façam muito caminho e que não fazem sombra uns aos outros, muito pelo contrário. Eu acho que se ajudam uns aos outros a abrir espaço e a divulgar as nossas ideias, que infelizmente só chegaram a Portugal com a Iniciativa Liberal e poderiam ter chegado mais cedo, como se vê em vários países da Europa, liderados por partidos liberais ou que têm partidos liberais no governo. E esperamos é que a Iniciativa Liberal, em breve, possa ter esse contributo a dar no governo. Portugal bem merece ter políticas liberais, finalmente. Pode ser que a crise da habitação finalmente se resolva com a Iniciativa Liberal no governo.

A deixa certa para a última questão, Ana Vasconcelos. Podemos dizer que a expressão geringonça para cunhar o governo liderado por António Costa teve dois padrinhos. A pergunta é: quem é que foram esses dois padrinhos dessa expressão para classificar aquele governo?

A minha memória hoje está mesmo muito ruim.

Não está.

Estou a me lembrar perfeitamente o momento. Geringonça foi

Foi em crónicas e em comentários que apareceu a expressão.

Sim. Caramba.

Quer ir pensando alto?

A geringonça.

Só lhe peço um dos dois nomes.

Realmente eu estou a passar demasiado tempo em Bruxelas.

Pois.

A Maria está a ficar adriana.

A desligar as risas.

Temos que falar mais vezes.

Se quiser, dou-lhe aqui quatro alternativas para escolher uma.

Sim.

Quatro para escolher uma.

Não, cinco para escolher uma.

Ok. Pode ser um ou outro.

São dois nomes em conjunto.

Tem.

Vamos lá.

Paulo Portas.

Certíssimo.

É esse mesmo. Pronto.

Estava a pensar que disse comentador e estava ficando assim.

Foi. Vasco Pulido Valente, ainda nas primárias do PS de António José Seguro contra António Costa, escreveu no Público uma crónica que era intitulada "A Geringonça", mas referia-se ao PS naquela altura. E depois Paulo Portas, com a formação do governo António Costa, disse: "Vou buscar uma expressão antiga de Vasco Pulido Valente para dizer que isto não é um governo, é uma geringonça". Daí haver dois padrinhos. Mas agora vamos à atualidade. Uma geringonça de direita, se quisermos chamar-lhe assim, nunca será possível que envolva a IL e o Chega.

Eu acho que é um cenário muito difícil de imaginar.

Mas é um cenário que pode estar em cima da mesa.

Com a Iniciativa Liberal no governo? Nesse governo?

Eventualmente, ou fora do governo. Como sabe, na geringonça o bloco-

Com apoio parlamentar.

Com apoio parlamentar, o Bloco e o PC não integraram o governo, mas apoiaram parlamentarmente.

Acho que é um cenário difícil de imaginar e mais não digo.

A dificuldade é o Chega, estar alinhado com o Chega.

Com certeza que sim, é um partido que está nos antípodas do que a Iniciativa Liberal defende e quer ver no próprio país. Queremos ver governos que de facto tenham coragem para trazer as reformas que o país precisa. Queremos ver ação, queremos ver coragem, não queremos ver políticas de esquerda revestidas de uma política musculada à direita, que ainda por cima no discurso e mesmo na credibilidade, estão sempre a mudar de posição. Em todos os sentidos, é um partido com que dificilmente a Iniciativa Liberal poderá governar o país.

Mas isso, no fundo, inviabiliza um pouco uma boa parte das opções da direita governar com estabilidade em Portugal.

Esperemos que não. Depende do trabalho que os partidos nesse espaço fizerem para reconquistar a confiança dos eleitores. Eu acho que o voto na extrema-direita, ao contrário do que muitos muitas vezes descrevem, não tem a ver com simplesmente ignorância ou as pessoas estarem zangadas só por si. Eu acho que as pessoas estão descontentes, sobretudo com o centro. Acho que isto se vê em vários países europeus. E veem-se que no fundo querem dar um sinal de ou mudam ou eu estou mesmo disposto a partir tudo. Eu acho que é mais um voto numa arma demolidora do que um voto nas políticas que propõem, porque as políticas que propõem mudam consoante os ventos. Muito sinceramente, parecem mais socialistas às vezes do que os próprios socialistas. Acho que as pessoas não estão à procura de soluções quando apontam para a extrema-direita, estão no fundo a dizer que estão descontentes com aqueles que tiveram a oportunidade de mudar o país e não o fizeram. E portanto, se começarmos a ver coragem de novo e se as pessoas estiverem dispostas a querer dar a hipótese a partidos que querem mesmo trazer essa coragem, que não querem estar agarrados a cargos, que não querem aumentar o peso do Estado, muito pelo contrário, querem um Estado funcional, que de facto entregue aquilo que tem de entregar e que não tenha de estar onde não tem de estar, que não tenha de estar a consumir recursos que saem dos bolsos das pessoas e sem os quais podem depois contar, e também deixando ter alternativas para pagar por serviços privados, estou obviamente a pensar na saúde e não só. Nós queremos mesmo trazer soluções, soluções testadas, não estamos a inventar a roda, soluções bem testadas noutros países, que infelizmente também começaram a ser esquecidas noutros países. O período de maior sucesso da civilização e da humanidade que nós vimos economicamente, maior prosperidade na Europa, foi resultado de políticas liberais.

Por falar em resultados, estamos mesmo em cima do nosso tempo. Conseguiu 16 em 25.

É uma nota positiva.

Da próxima vez toma mais um café e chegava a 25.

E a minha memória vai estar noutro.

Obrigada, Ana Rita Bessa. Por ter vindo à "Sessão de Inquérito". Foi um gosto. Obrigada.

Obrigada, até à próxima.