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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.
Está no ar o Ainda Bem que Faz Cha, essa pergunta da Rádio Observador. Júlio Magalhães, esta segunda-feira falamos de Cristianos Ronaldos em barda, a minha marcha é linda, mas começamos pela nossa rica saúde.
É isso, bom dia. Para quando uma estratégia a longo prazo para a saúde?
Os problemas sucedem-se e com eles as queixas também, não é?
A morte de uma bebê por uma mãe grávida que se dirigiu às urgências e estas estavam fechadas nas Caldas da Rainha, abriram uma caixa de Pandora sobre o assunto. De repente, o que não devia ser um caso, mas que ainda assim poderia ser apenas um incidente casual, transformou-se num problema nacional, porque afinal, o encerramento de urgências e a falta de profissionais alastra-se a todo o país. Como sempre, o governo vai dizer que vai contratar mais profissionais, abrir inquéritos ao sucedido, mas esta tem sido uma regra nas várias especialidades. Médicos e enfermeiros exaustos, falta de profissionais, ordenados pouco apelativos no setor público e medidas avulsas que vão remendar o Serviço Nacional de Saúde. Tanta gente a pensar na saúde e nunca mais se vislumbra uma estratégia de longo prazo que ultrapasse os mandatos governativos de cada ministro.
Será por isso, Júlio, que lá fora estão tantos Cristianos Ronaldos?
Foi uma expressão usada pelo presidente da República em Londres para elogiar os jovens altamente qualificados que estão naquele país e que não puderam ficar no nosso. Mas Cristianos Ronaldos portugueses nas mais diversas áreas e espalhados pelos quatro cantos do mundo, há muitos. Não veem em Portugal um futuro sem salários baixos, sem possibilidades de constituírem família, comprar casa e fazerem vida aqui. O Estado gasta dinheiro na formação destes jovens que quando chegam à idade de escolher uma carreira, têm de emigrar e ir trabalhar para outros países que beneficiam do dinheiro pago pelos nossos impostos. Ficam certamente felizes por terem ouvido o presidente da República dirigir-lhes o elogio, mas muitos certamente ficam tristes por não poderem desenvolver os seus projetos no país de origem.
Júlio, e será surpreendente percebermos porque é que um quinto dos trabalhadores qualificados escolhidos pelo Estado desistiu?
A notícia vem no Público de ontem, onde o Estado percebeu que depois de analisar o recrutamento centralizado feito em 2019, um quinto dos 860 técnicos superiores escolhidos pelo Estado, desistiu e acabou por não assinar contrato. Não estamos apenas a falar de salários baixos, estamos a falar de burocracia e de concursos lançados que tornam tudo tão difícil e tão exaustivo que fazem a máquina emperrar. Também aqui a máquina burocrática do Estado estende-se a várias áreas da sociedade. Agora o governo percebeu, depois de analisar o que falhou, que vai querer lançar um novo concurso em 2023, tornando-o mais ágil e mais rápido. Entretanto, passarão mais cinco anos.
Podemos então fechar a falar de festas?
É mesmo melhor. Com o governo e a DGS a pedirem aos portugueses para serem prudentes neste fim de semana alargado, porque o vírus do Covid ainda anda por aí à solta e não acabou. Um fim de semana alargado veio mesmo a calhar, mas provavelmente na pior altura. As saudades dos portugueses que dois anos depois puderam voltar às festas de Santo António, o que ultrapassou todas as expectativas, com mais gente que em anos anteriores. As praias do Algarve e os hotéis lotados e no Porto, o Primavera Sound, bateu também o recorde de assistência comparativamente com outros anos. É certo que já merecemos, mas vamos ver que fatura a pagar nas próximas semanas, sendo que o vírus não acabou e as festas populares também não.
Júlio Magalhães em direto do Porto com as perguntas que marcam a atualidade. Amanhã há nova edição, é sempre a seguir ao jornal das 19h00.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.