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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.

E ontem foi dia do debate único e decisivo entre André Ventura e António José Seguro. Paulo, Seguro já anda com o fato presidencial vestido, reparaste?

Já se passeia com ele. Ontem até o levou para o debate com esse fato. E o candidato já assume pose presidencial e o embate ontem com André Ventura foi possivelmente o último obstáculo que teve de ultrapassar antes de ser presidente, pelo menos daqueles que estão calendarizados e agendados. Seguro chegou para Ventura e há quem avalie que ainda sobrou candidato, porque Seguro terá ganho, pelo menos para uma larga maioria de comentadores e analistas. O debate foi marcado por vários temas que seriam mais indicados para candidatos a governantes. Ninguém esmagou ninguém e Seguro pode então consolidar esta sua caminhada e a vantagem folgada que as sondagens lhe dão. A questão central para o dia oito parece ser agora até onde poderá chegar a proposta e a votação de André Ventura. Será que ele poderá ir mais longe no seu eleitorado, que neste momento não vai muito além destes valores que ele já teve na primeira volta e que são semelhantes àqueles que o Chega teve no ano passado, ali à volta dos 22 a 24, 25. Falta uma semana e meia para sabermos isto e tudo sobre esta eleição.

E enquanto isso não acontece, Bruno, António José Seguro está de boa saúde.

Não sei como é que estará depois do debate, mas uma coisa é certa: a saúde está com António José Seguro, ou pelo menos 600 profissionais de saúde que manifestaram apoio até agora ao antigo secretário-geral do PS. E nesta, como noutras áreas, o apoio é transversal, junta antigos ministros de governos do PS e do PSD. Adalberto Campos Fernandes e Fernando Leal da Costa são dois exemplos. Médicos, enfermeiros, representantes sindicais, uns mais à direita, outros mais à esquerda. E no cerne deste manifesto está a ideia de que é preciso defender um SNS que não deixe ninguém à porta, apontando claramente as posições de André Ventura em relação à população imigrante e ao acesso ao SNS. Com estes apoios tantos e tão transversais, Seguro só tem mesmo de acenar e sorrir até ao dia oito. E não cometer nenhum erro.

E não cometer nenhum erro. Uma grande frase, acenar e sorrir. Os abusos sexuais na Igreja, esses, Paulo, são um risco sem fim.

É um risco permanente e não é por estarem a diminuir as queixas de vítimas que podemos baixar a guarda. E quem diz isto é o Grupo Vita. Ao apresentar o relatório de atividades do ano passado, este grupo que a Igreja criou há três anos para lidar com o problema, diz que é uma falsa crença pensar que o problema acabou. As circunstâncias que permitem os abusos permanecem e requerem toda a atenção e o processo individual, emocional, no fundo, que leva à denúncia, é longo e penoso, portanto, muitas vezes demora anos a acontecer. Da última década, há apenas um caso identificado, mas não permite, alerta o Grupo Vita, que se tirem conclusões sobre isto.

E Bruno, tenho aqui uma dúvida: as estradas são as novas maternidades?

Para lá caminham a alta velocidade. 2025 foi o ano de recordes de nascimentos na via pública e em veículos de emergência. Os partos em ambulâncias aumentaram mesmo 114% num ano, portanto, mais do que duplicaram. Passaram de 28 em 2024 para 60 em 2025. Regra geral, isto dá umas bonitas reportagens, bombeiros sorridentes a contarem a experiência, parturientes já aliviadas. Mas este novo normal não é certamente desejável, porque se fosse o ideal, não precisávamos de maternidades e hospitais, nascia tudo em ambulâncias.

Em casa ou na rua.

É isso. E isto é até alguma coisa correr mal. Quando tivermos um caso em que as coisas corram mal, depois mudam os sorrisos. Lisboa e Vale do Tejo é a região que regista mais destas ocorrências. Claro, é também a região com mais população, mas é também a região mais afetada pelos problemas crónicos na saúde, nomeadamente com o encerramento de urgências. Pelo sim pelo não, o melhor é comprar mais ambulâncias e dar já certificados de parteiros da Nação a todos os bombeiros.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer