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A questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta, essa.
7:17, ainda bem que me faz essa pergunta, na Rádio Observador. E Paulo Ferreira, hoje falamos de vigarices?
Falamos de vigarices, porque Rui Rio diz que quer acabar com as vigarices, e atenção, o termo é dele mesmo, com as vigarices nas eleições para a liderança do PSD.
E que pergunta é que isso sugere?
Por que o líder do PSD não se lembrou dessas vigarices há dois anos, quando foi eleito? Saúda-se de facto essa intenção de Rui Rio, de querer acabar com as fraudes eleitorais no PSD, mas há dois anos, quando foi eleito, não foi diferente. Foram cotas em atraso de muitos militantes pagas por atacado, sabe-se lá por quem e com que dinheiro. Foram militantes transportados em carrinhas por grupos de apoiantes seus para votar. Foram dezenas de militantes que apareceram nos registos do partido com a mesma morada. Enfim, um verdadeiro manual de práticas suspeitas de fraude eleitoral, que podem pôr em causa, e deviam pôr em causa, a legitimidade de qualquer escrutínio. Há dois anos, Salvador Malheiro, vice-presidente do PSD, foi um dos protagonistas daquilo a que agora Rui Rio chama vigarices. Chama agora. Isso foi amplamente noticiado na altura e não consta que o líder do PSD tenha ficado incomodado. Tanto assim que Malheiro continua a ser vice de Rio. Nessa altura deve ter faltado água no momento desse voto.
Paulo, e por falar em Rui Rio, sei que tens nova pergunta.
Nova pergunta: quem serão os 10 deputados do PSD, ou os 10% de deputados do PSD, é assim, é que não votaram em Rui Rio para a liderança da bancada parlamentar?
Rio era o candidato único.
Era o único e ainda assim oito deputados do PSD votaram branco ou nulo. Não é provável que não saibam fazer uma cruzinha dentro do único quadradinho que estava no boletim de voto. E, portanto, esses deputados não queriam mesmo Rio como chefe de bancada. Mas de qualquer maneira, vamos olhar para isto pelo lado positivo. É esta a beleza da democracia, mesmo dentro dos partidos.
E por falar em eleições, porque isto anda tudo ligado.
Tudo ligado. Quanto mais me atacam do exterior, mais reforçam a minha votação?
Quem é que pode adotar essa frase?
Ana Rita Cavaco, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, foi reeleita ontem com a maior votação de sempre em eleições na Ordem e isso correspondeu à triplicação do número de votos em relação à sua primeira eleição. Este mandato primeiro, que agora acaba, foi um mandato polémico, como sabemos, houve muitos conflitos do exterior. Houve a polêmica com as greves cirúrgicas dos enfermeiros, houve o crowdfunding para financiar essa greve, que chegou a ser investigado pela ASAE, a sindicância à Ordem mandada fazer pela Ministra da Saúde. Enfim, pelos vistos, os enfermeiros estão, mais do que nunca, ao lado da bastonária.
E vamos a mais uma pergunta.
Então nas Forças Armadas há mesmo mais chefes do que índios?
Isso com todo o respeito por uns e por outros.
Sobretudo para os índios, não é? Com todo o respeito. O Jornal de Notícias conta-nos hoje, e já ouvimos há pouco nas notícias, que as Forças Armadas têm mais oficiais e sargentos do que praças. Ou seja, há mais gente a mandar do que gente a ser comandada ou liderada. É uma verdadeira pirâmide hierárquica invertida, que diz muito da forma como é feita a gestão das Forças Armadas. Ainda bem que somos um país pacífico, que não levamos muito a letra. O refrão do nosso hino, e não precisamos de pegar nas armas.
E vamos à quinta pergunta desta manhã.
Há muita gente indignada com os voluntários da Web Summit, mas ninguém se incomoda com os professores universitários em regime de voluntariado?
Portanto, professores universitários que dão aulas e não recebem por isso.
É isso mesmo, está na capa do Público, em manchete: no ensino superior público há 400 docentes a dar aulas sem receber. A questão tem a ver com os regimes contratuais e protocolos entre instituições de ensino superior. Mas o ministério da tutela é claro: dar aula sem receber não é trabalho precário. Enfim, é certamente uma questão de criatividade e empreendedorismo neste novo mundo digital.
Paulo, e para fechar.
Por esta é que ninguém estava à espera. Manuel Pinho é suspeito de favorecimento do Grupo Espírito Santo.
Era pouca surpresa, não?
Nenhuma surpresa. Está hoje nas notícias, o Ministério Público suspeita de favorecimento na atribuição do estatuto de projeto de interesse nacional à Herdade da Comporta, que pertencia ao Grupo Espírito Santo. Pinho também, paralelamente, e isso já se sabe há algum tempo, é suspeito de receber uma avença mensal do Grupo Espírito Santo quando já era ministro. Portanto, quanto mais se puxa o fio, mais se percebe o tamanho do novelo.
Paulo Ferreira, ainda bem que me faz essa pergunta nas manhãs Presente 60. Amanhã nova edição, sempre a esta hora. A de hoje fica disponível dentro de instantes no site e na app do Observador.
A questão é difícil. Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta, essa.
Os novos talentos cantam ao vivo no Observador. E ele agora diz que anda e dorme e já me saw a dormir, gosta dela de pijama e ela do covid.
If you look around, nothing's for free.
Pra cá e pra lá, pra lá e pra cá. Quando aqui tu, tu.
A manhã. Eu devo demorar.
Ao vivo, todas as manhãs, depois das 9:30. Rádio Observador, aconteça o que acontecer.
Se eu disser que vais lá estar.
E hoje o nosso convidado é Jorge Palma, o músico e compositor de 69 anos, anda em digressão desde o início do ano. Dia 14 vai estar no Coliseu para o seu penúltimo concerto do Expresso de Outono. Esteve há dias no Observador. Vamos ouvir a entrevista depois das 9:30. Agora a Janelle Monae para ouvires às 7:23 com este Make Me Feel. Bom dia, boa quinta-feira.
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