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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta.
Esta quinta-feira falamos de dependências a evitar, o bom aluno, lucrar com os erros, mas Juca, começamos por uma novela que se arrasta.
É mesmo. Galamba e SIS, quanto tempo mais vamos andar nisto?
Ontem houve de novo vários recados, Júlio.
O Presidente da República diz que mantém o que tinha dito dia quatro, portanto, está tudo na mesma. O Governo e António Costa não respondem às questões, nem esclarecem. Também já lá vai mais de um mês e está tudo na mesma. O PSD agora acumula às várias perguntas que já foram feitas na CPI, na Comissão de Economia, pelos jornalistas, nos mais diversos cenários, mais 15 questões. Continuamos todos na mesma. Isto podia ter-se resolvido em oito dias, que até podiam ser úteis para descansarem no fim de semana. Quem foi, como foi, quem assume a responsabilidade e sai do processo. É o sempre para todos. Está tudo tratado, nada resolvido.
Como é que a TAP ainda conseguiu ganhar dinheiro por ter pago indenização a mais à Alexandra Reis?
A empresa cobrou os juros de mora à ex-administradora, que já devolveu o dinheiro, entretanto.
É isso mesmo. Dos € 500 mil que recebeu em fevereiro do ano passado, a Alexandra Reis devolveu ontem €266.412,76 à TAP e pagou cerca de €10 mil de juros de mora. Fazendo aqui umas contas simples, a TAP fez com esta operação uma espécie de uma aplicação financeira que até lhe rendeu uma coisa simpática de 3,76% nestes 15 meses. É bem melhor do que o juro que se receberia se tivesse este dinheiro no banco. A empresa demorou quatro meses a fazer o cálculo da indenização a devolver. Se o governo tivesse contado toda a verdade no início, o caso, que começou em dezembro, acabaria aqui. Agora já não, o caso já envolve o SIS, violência, o adjunto demitido e o ministro, basicamente, que tem o lugar a prêmio.
E já agora, contas certas, temos sempre de ouvir isto.
Juca, já não é de agora.
É desde sempre, com especial ênfase na altura da Troika. Esta expressão entrou no nosso quotidiano e nunca mais nos largou. Ontem, mais voos ou bom desempenho da nossa economia, estamos a crescer acima da média e claro, lá vem o ministro das Finanças, sempre com a mesma resposta a quem vai dizendo, ainda assim: "Cuidado que os portugueses estão a sofrer dolorosamente. Vamos continuar a nossa política de contas certas". O objetivo do ministro e do governo, no fundo, é serem muito elogiados por Bruxelas e pelas instâncias financeiras internacionais. Ontem lia que quem tem prestações de €200 mil vai ver o seu empréstimo subir para mais de €1 mil mensais. Quem pode pagar isto? A UNICEF, entretanto, tem um estudo que aponta para 20 mil crianças em risco de fome no próximo verão e vamos sendo ultrapassados pelos países de leste. Contas certas, no fundo, é o que interessa.
E em termos económicos, estamos cada vez mais dependentes do turismo?
É o que parece, se julgarmos, por exemplo, pelos dados do crescimento económico do primeiro trimestre.
Os dados que o INE divulgou ontem e que confirmaram o crescimento homólogo de 2,5% do PIB no primeiro trimestre. E divulgou também, como é normal, os dados parcelares mais detalhados que nos permitem perceber que o crescimento que foi registado acima do esperado se deveu essencialmente ao aumento das exportações. A procura interna, isto é, o consumo das famílias, do Estado e o investimento, deu um contributo nulo para este crescimento. Portanto, foram as vendas ao exterior que fizeram a economia crescer e dentro destas foi o motor do turismo que arrancou mais e continua a bater recordes. Ainda bem que as exportações sobem e o turismo está dinâmico, mas a fraqueza dos outros motores económicos é que devia preocupar-nos.
Paulo Ferreira e Júlio Magalhães com as perguntas que marcam esta manhã de quinta-feira, 1 de junho. Amanhã uma nova edição, sempre depois das notícias das 19h07. Até lá pode ouvir esta e todas as edições através de podcast.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta.