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Difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

Paulo Ferreira e Júlio Magalhães. Esta terça-feira falamos de preços em linha, sete vidas como os gatos, dinheiro de sobra, mas Paulo, começamos pelo mundo ao contrário.

É isso mesmo. O mundo está ao contrário quando se olha para as contas dos partidos.

Pelo menos é o que parece quando analisamos os lucros e os prejuízos.

Há muito tempo havia um anúncio publicitário.

Há muito, muito tempo.

O anúncio publicitário que passava na nossa televisão e que dizia assim: "Um preto de cabeleira loira ou um branco de carapinha não é natural. O que é natural e fica bem é cada um usar o cabelo com que nasceu."

Isso já não é nada politicamente correto.

Hoje é politicamente incorreto, mas manda o rigor histórico que se cite desta maneira. Esta afirmação do restaurador Alex pode ser adaptada aos nossos partidos. Ter o PCP como o partido que dá mais lucros não é normal. E ter a Iniciativa Liberal ou CDS como os partidos que dão mais prejuízo também não é normal. O que é normal e fica bem é cada partido praticar basicamente a doutrina que defende. Ontem ficámos a saber que o PCP foi no ano passado o campeão dos lucros entre os partidos e que a Iniciativa Liberal teria sido o líder dos prejuízos, tendo depois corrigido as contas, que afinal passaram a apresentar lucros. E agora é o CDS quem perdeu mais dinheiro. Isto não se entende.

E por falar em dinheiro, Vladimir Putin tem dinheiro de sobra para as famílias de soldados mortos.

Ontem, pelo menos, anunciou indenizações para as famílias.

Cerca de €75 mil para cada família que tenha familiares mortos na guerra da Ucrânia. Dinheiro não falta ao líder russo, porque as exportações do gás e do petróleo que o Ocidente paga chegam e sobram pra mandar jovens soldados pra frente de combate. E o que acontecer resolve-se com o vil metal. Não disse qual era o montante global de indenizações, para mais uma vez não se perceber quantas baixas os russos já acumularam nesta guerra. As famílias não têm outro remédio que não aceitar a indenização e, como acontece na Rússia, calar.

E quantas vidas políticas tem Boris Johnson?

Várias. Pelo menos politicamente vai resistindo a todos.

E ontem escapou mais uma moção de censura, embora com uma parte importante dos deputados do seu partido já contra si. Da bancada de histories, estamos a essa notícia nos noticiários, o primeiro-ministro teve 211 deputados ao seu lado, mas teve 148 contra. Pode ser uma vitória de Pirro a adivinhar uma derrota futura, mas ainda assim Johnson resiste ao longo escândalo do Partygate, aquela sucessão de festas que se realizaram na residência oficial durante o severo confinamento imposto aos cidadãos a propósito da pandemia de Covid. Provavelmente, os conservadores só estão à espera mesmo de terem uma alternativa credível e ganhadora para se verem livres de Boris Johnson.

E por cá, afinal, os preços dos combustíveis estão em linha com o que devem.

Ai, Júlio, tu vais falar.

Vou dar uma boa notícia desta vez.

Espera, mais um flash.

Resignado.

Foi o que considerou a entidade que regula os preços dos combustíveis.

Eles concluíram que o preço da gasolina está só 0,2 cêntimos acima da linha de sustentabilidade, ou seja, o gasóleo até está abaixo.

Então temos que resolver isso.

Daquilo que era o preço que devia estar normal em função do preço do petróleo. E por isso, ontem li notícias que davam conta de postos de combustíveis a venderem o gasóleo a 2,3 € o litro. E também ouvi que houve anos em que o petróleo, o Paulo pode confirmar, estava muito mais caro do que agora e os preços não eram estes. Mas se a autoridade diz que é assim mesmo e se os preços praticados estão em linha com o mercado europeu, então é porque está tudo bem.

Está tudo bem.

Foi por isso que eu vim.

Exato. Ainda bem que faz essa pergunta sempre com o Paulo Ferreira e Júlio Magalhães, nas manhãs de 360 e a qualquer hora em podcast.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.