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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta.

E esta segunda-feira falamos de: será desta? Ver passar os aviões, dias de reflexão. Mas para começar, Paulo, houve muitos mais emigrantes a votarem por carta nestas eleições. Será que já está resolvido o problema da votação à distância?

Olha, isso é de facto uma boa notícia. Quase 300 mil eleitores votaram por carta nos círculos da emigração e assim, em números redondos, votaram agora 20% dos inscritos, quando em 2022 tinham votado apenas 15%. Mas ainda são apenas 20% os que se dão ao trabalho de se inscreverem para votar desta forma. Isto depois de estarem atentos ao correio, de preencher as papeladas exigidas, e são várias, para as enviar depois de volta pelo correio. Há muitos anos que se fala da simplificação de voto dos emigrantes, mas isso é um assunto de que todos se esquecem logo depois de passar o período eleitoral. Portanto, aqui acerca de uma semana, vamos deixar de ouvir falar desta preocupação. Depois disso, a preocupação com os emigrantes fica apenas naqueles discursos munidos do 10 de junho.

Portanto, daqui a três meses.

Três meses. Depois, um ano depois.

Um ano depois. Muito bem. E muitos meses depois, Júlio. Finalmente, dois dias de reflexão.

É verdade, tanta gente contra os dias de reflexão e cá tivemos dois. Se não foram de reflexão, pelo menos foram de descanso. Muitos meses depois, ou mesmo dois anos depois, voltamos a ter um fim de semana tranquilo, longe dos casos, casinhos, campanhas, pré-campanhas, debates, incertezas e até, imagine-se, do Chega. Um fim de semana de sol, temperaturas altas, um regresso ao dia a dia com cinco dias de trabalho, dois de descanso. Já estávamos a precisar dar-nos conta que a vida é muito mais do que o défice e muito mais do que a política. Não há nada como a primavera, onde tudo nasce e nós também. Dois dias de reflexão foram muito mais dois dias de repouso.

Não há para aí uns passarinhos para contrariar essa narração, não.

O Júlio está renascido.

Está renascido. É segunda-feira, claro.

Não houvesse aqui uma enorme preocupação, Paulo. Corremos o risco de perder dinheiro na privatização da TAP, como alerta o Tribunal de Contas?

A sério? Perder dinheiro na privatização da TAP?

Sim, será?

Olha, por essa é que ninguém estava à espera.

Ninguém está preparado para isso.

Ninguém está preparado para uma coisa destas, a uma segunda-feira perder dinheiro com a TAP. Bom, mas faz bem. Claro que corremos esse risco. Aliás, já não é um risco, é uma certeza, mas faz muito bem o Tribunal de Contas em lançar esses avisos. A instituição deu o seu contributo ao futuro governo, num documento de 62 páginas, onde aponta áreas críticas para o controlo da despesa. O Tribunal de Contas não se refere explicitamente à TAP, mas fala de custos decorrentes da inconsistência da participação do Estado numa empresa estratégica. Portanto, vá-se lá saber de que empresa é que eles estão a falar. Bom, seja qual for o governo, são pontos a seguir com muita atenção.

E agora, voltemos ao dia a dia. Hoje começa uma nova semana. É hoje, não é? Segunda-feira. É.

Segunda-feira.

É que sim. Será desta, Júlio?

Será desta?

Começa a semana.

É o que vamos ver. Que arranca, vamos lá ver. Não a semana, mas se resolve o que tem para se resolver. Ontem eu ouvi uma conversa entre dois idosos que se mostravam cansados de tanta incerteza. Marcelo recebe o resto dos partidos, com PS e PSD a fecharem uma série de reuniões. Dia 20 conhecemos os votos da emigração e tudo indica, dizem os especialistas, nesse mesmo dia devem digitar Luís Montenegro como primeiro-ministro. Era disto que falavam os dois senhores, que se resolva o assunto para um lado ou para o outro e que uns vão para o governo e outros para a oposição, para termos governo, seja Luís Montenegro ou Pedro Nuno Santos, oposição, e também termos o país a andar para a frente. Há países que já governaram meses sem governo, mas nós não parece que tenhamos estrutura para isso. Se já com governo é o que se sabe, somos difíceis de governar, sem ele seremos mesmo ingovernáveis. Vem aí uma semana esclarecedora, é o que se espera, pelo menos. Ou talvez não. Veremos.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta.

É essa a verdade.