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Ao vivo, na Rádio Observador.

Há nesta serra uma casa, uma casa onde eu sonho morar. Para lá da vida agitada, já não sobra nada para provar. São precisos dois para acreditar neste sonho tão belo, destino singelo para acordar. Aba-se o caracol de sonho. Aba-se o caracol da vida. Há neste corpo uma estrada que insiste em continuar. Para lá dos limites traçados, vai até o infinito para encontrar a paz que tanto procura, a cura para se libertar. Aba-se o caracol de sonho. Aba-se o caracol da vida. Aba-se o caracol de sonho. Aba-se o caracol da vida. Há nesta serra uma casa.

Jasmin, convidado do Ao Vivo esta semana na Rádio Observador e os últimos minutos com "Caracol". É uma nova canção que já tem vídeo oficial. Jasmin, obrigado por teres vindo à Rádio Observador. É um grande prazer também ter-te cá. Numa altura em que, pelo que eu estou a perceber, ainda estás a dar um pouco de estrada ao "Dias em Branco", que é o disco do ano passado, mas agora já com um single novo chamado "Caracol". Parece-me que é uma canção em que se baixam os batimentos cardíacos, diria, mais contemplativa, um pouco mais lenta, numa altura tão frenética na vida de quase toda a gente. É um tema que obriga a desacelerar. É um ato de resistência poética, diria, ou uma necessidade para não enlouquecer no ritmo do dia a dia?

É uma ótima forma de ver e eu acho que para mim, sim, também. E acho que a canção nasce precisamente disso, de eu ir para uma casa na Serra da Arrábida da minha avó, precisamente para desligar, para reduzir o ruído, para conseguir ouvir os meus pensamentos e para escrever e para compor. E nasceu precisamente daí essa canção, por isso faz todo o sentido ela ter também essa energia mais calma e mais contemplativa.

Já queria voltar um pouco a esse lado mais geográfico da Serra da Arrábida, mas queria também olhar para o vídeo que tu próprio realizaste. Já é a tua primeira experiência neste tipo de trabalhos. Como é que foi realizar um vídeo para uma canção tua?

Na verdade, eu passo a vida a fazer isso.

Mas para outros.

Para outros, mas também para mim, mais por necessidade e por uma forma de fazer as coisas DIY e sem gastar muito dinheiro, acabo sempre por ser eu a realizar os meus próprios vídeos e a pedir ínfimos favores aos meus amigos, seja da parte da direção de arte, da parte da direção de fotografia, etc. Mas é sempre algo que eu tomo as rédeas e acabo por ser eu a fazer.

Foi difícil transformar visualmente esse conceito de maior lentidão e refúgio, que está patente na canção, agora para as imagens?

O videoclipe foi uma coisa muito naive, muito despresciosa e surgiu basicamente de eu pedir a uma amiga minha, que é diretora de arte, que é a Hailey Castelo Branco, para fazer umas carapaças de caracol. E eu não tinha mais qualquer ideia. Eu só queria fazer umas coisas com umas carapaças de caracol. E a partir daí, com uns amigos, fomos para essa tal casa da minha avó com a câmera e fomos filmando. Depois eu aluguei uma lente macro porque tinha esta ideia de filmar os caracóis o mais próximo possível e ficar a observá-los enquanto eles passavam pelo vidro e pela lente. E foi assim um projeto que foi feito com muita calma também. E foi feito no momento, quase. Não houve um guião, não houve um tratamento, foi uma coisa mesmo muito espontânea.

Li também a inspiração que sai do verso do poeta Pedro Tamen, que dá uma espécie de mote para esta canção. E também essa ideia de um espaço que é rodeado de algum silêncio, de muita natureza. Escrever na Arrábida dá uma métrica diferente às tuas canções do que criá-la num espaço mais urbano?

Talvez. Eu gosto de acreditar que sim. Quem sabe? Curiosamente, tanto a "Caracol" como a "Verdes Campos", que é uma canção que tem este ritmo mais calmo, foram ambas gravadas na Serra da Arrábida. Talvez, sim.

Há ali, pelo menos, uma predileção. Se um dia mudar de geografia, vai mudar a sonoridade?

É uma boa. Acho que sem dúvida. Eu acho que a geografia influencia a sonoridade, influencia o som. Sem dúvida.

Olhando um bocadinho para trás e para os outros trabalhos, sempre te identifiquei entre a folk em português, uma pop que é mais ou menos sonhadora, um certo psicadelismo verdejante. Como é que se define hoje em dia a sonoridade do Jasmin? Ela mudou muito, por exemplo, do "Caracol", tendo em conta o disco do ano passado, o "Dias em Branco"? Há aqui um apontar ao que será um futuro sónico do Jasmin?

Para mim é sempre difícil de falar do meu género ou da minha caixinha musical, mas eu acho que no final do dia eu estou sempre a tentar fazer a melhor canção possível. Depois, a forma como eu a visto, eu gosto de pensar que vem sempre para servir a canção. Ou seja, para mim o que importa mais são as canções, são as palavras. Depois, como eu a arranjo e como eu a visto, tento sempre que seja o mais possível ao encontro do que aquela letra pede.

É a letra que nasce sempre primeiro?

Sempre.

E como é que depois se a canção compõe? Há muita gente que colabora contigo, mas de alguma forma só chega ao processo um bocadinho mais tarde?

Sim, exatamente. Eu componho ao piano e à guitarra, maioritariamente sozinho, em casa, na minha solitude, e depois convido os músicos para fazer os arranjos, para experimentar coisas em banda, consoante a canção.

"Caracol" é o primeiro single do próximo disco ou é um single avulso?

É o primeiro single de um próximo disco não oficial.

Ok, que ainda está um bocadinho longe, se calhar.

Sim, é isso. Exato.

Ainda assim, há aqui vários concertos marcados. Estava a ver que mais para o final do ano, creio que novembro, há a Casa Capitão e há também uma data no Porto. Antes disso ainda há mais concertos?

Temos dia 3 de setembro no Festival F, em Faro, um concerto em banda. Quem estiver por lá, é uma boa oportunidade de ouvir este disco, "Dias em Branco", em banda, que nem sempre é possível. Depois, na Guarda, dia 16 de outubro, no Teatro Municipal da Guarda. E depois temos as datas de despedida deste disco, "Dias em Branco", em Lisboa, no dia 20 de novembro, na Casa Capitão, e no Porto, no RCA, no dia 21.

Algumas das datas onde ainda podem ver o Jasmin ao vivo com esta "Caracol" e com as canções do disco anterior, que é do ano passado, "Dias em Branco". Qual é a canção que fechou o "Ao Vivo" desta semana?

"Verdes Campos".

"Verdes Campos", com Jasmin. Muito obrigado por teres vindo ao "Ao Vivo". Sigam-no também nas redes sociais, ouçam as canções e acompanhem os concertos que ainda vai dar até ao final do ano. Um abraço, Jasmin. Até à próxima.

Um abraço. Obrigado.

O céu só começa onde a serra acaba. E as margens vistas de terra parecem desenhadas. É nos limites da terra que o pintor enquadra. E encontra na natureza aquilo que faltava. É no limite. Em cada terra deixa a sua marca. De um olhar atento nasce uma paisagem. E as suas cores são as suas armas. Verdes campos pintados à sua imagem. Verdes campos pintados à sua imagem. Verdes campos pintados à sua imagem. Verdes campos em flor. Em flor. É nos limites da terra.

Ao vivo, na Rádio Observador. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.