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Passado este tempo sem te ver, morri. Julgava que o vento levasse teu calor. O meu corpo correu às cegas. Mergulhei de cabeça com certeza. Não vale a pena. Não vale a pena. Não é que eu queira a vida inteira assim. Passado este tempo sem falar, entendi. São só os passos marcados por alguém e segui. O meu corpo cedeu sem pressa. Foi a brincar com o fogo que encontrei a razão. Não vale a pena. Não vale a pena. Não é que eu queira a vida inteira assim. Não vale a pena cantar para te encantar. Não é que eu queira a vida inteira assim. Não vale a pena. A vida inteira assim. Não vale a pena. A vida quis assim. Não vale a pena. Não vale a pena. Não vale a pena. Não é que eu queira a vida inteira assim. Não vale a pena cantar para te encantar. Não é que eu queira a vida inteira assim. Vida inteira assim. Não vale a pena cantar para te encantar. Não é que eu queira a vida inteira assim. Não vale a pena. Não vale a pena. Não é que eu queira a vida inteira assim. Vida inteira assim. A vida quis assim.
"Passos Marcados", Marta Lima, convidada do Ao Vivo esta sexta-feira. Muito obrigado por teres vindo, Marta.
Obrigada eu, Nelson.
Bem-vinda aqui à Rádio Observador, onde tocas com o "Postal em Branco", que é também o tema título do teu último EP.
Verdade.
Que tem esta "Passos Marcados". De resto, já tinhas um outro trabalho, também EP, o "Murmúrio", que é de 2023. Quando é que sai um longa-duração? Ou não é pra ti?
Um o quê? Um longa-duração? É a seguir.
É a seguir, ok. Dois EPs e um álbum.
Dois EPs e um álbum.
Muito bem. A Marta Lima é uma algarvia de gema, que adotou agora Lisboa, mas foi ainda no Algarve que começou este trajeto na música, ainda muito nova, na Academia de Música de Lagos, onde aprendeste vários instrumentos. O da guitarra tornou-se o teu favorito.
Claro. Eu andei à procura de qual era o meu instrumento e depois só no quinto ano.
Tens som de bateria.
Bateria. Comecei na bateria, correu logo mal, correu muito mal. O meu professor tinha pra aí 80 anos e ensinava-me a tocar naqueles livros amarelos, telefónicos. Aquelas listas.
As listas telefónicas, sim. As páginas amarelas.
As páginas amarelas, isso mesmo. Isso já foi aos anos. E nunca me deixava ir pra bateria.
Pensei que ias falar daqueles livros do Eurico Cebolo, não é? Onde toda a gente aprendia a tocar guitarra ou piano. Piano Mágico, Guitarra Mágica.
Mas não, só deixava-me tocar com as baquetas ali e eu fartei-me, então fui por aí e só penso que aos 10 anos é que fui pra guitarra e a partir daí nunca mais mudei.
Olha, tens feito um trajeto muito consistente, instituindo-te aqui como compositora, cantora, nesta nova pop nacional. Estás também num grupo de malta, muito bem acompanhada sempre. A Joana Espadinha ou o Ben Monteiro, já vamos falar um bocadinho também dele, porque ele tem aqui um papel de produtor do teu "Postal em Branco", deste novo EP. Como é que foi o trabalho com ele? Porque ele tem uma alta sensibilidade pop, diria. Foi isso que procuraste também no Ben Monteiro?
Procurei isso, agora pra este segundo EP, porque o primeiro era mais indie, mas eu sentia que estas músicas que eu tinha composto, pediam uma produção mais pop e que pudesse elevar o meu trabalho. Dar a conhecer a minha canção, estas novas canções a um novo público, tentar chegar a um novo público e achei que o Ben seria a pessoa ideal para produzir estas quatro canções.
Como é que tem sido o teu trajeto entre o início da tua carreira e agora também a edição destes discos? Tu passaste também pelo OT Clube?
Passei quatro anos.
Quatro anos a ter aulas, mas pelo meio tiraste outra licenciatura que não tem nada a ver com música, não é?
Quando eu fui para OT, já estava licenciada em Administração Pública.
Ok. Superinteressante.
Superinteressante. E no ano em que eu entrei no OT, entrei no mestrado também em Relações Internacionais, portanto estava aqui nesta dualidade de estudos, mas depois prevaleceu a música.
Fala-me um bocadinho do teu concerto que aconteceu há dias, dia 26, creio.
Dia 26 de fevereiro, correcto.
No Music Box em Lisboa. Tive pena de não conseguir marcar presença. Um espetáculo de apresentação deste "Postal em Branco". Estávamos aqui a falar em off, correu superbem, foi o de que mais gostaste até agora.
Correu muito bem. Foi o que eu mais gostei, sem dúvida. Senti que havia magia no ar, uma áurea muito boa e os convidados fizeram diferença completamente e o público estava lá mesmo de alma e coração, aquilo encheu-se de amor, de energia, de força. Foi mesmo um concerto de celebração deste segundo EP e eu sinto que não poderia ter corrido melhor.
Estava aqui só a ver também ainda várias datas que tens aí para a frente, em março. Estava aqui a ver dia oito, amanhã. Tens concerto amanhã?
Tenho um concerto num evento da NIT.
Exato. Evento hedonista, NIT, Lisboa.
É verdade, é Paula Cordeiro. Ela convidou-me para ir fazer um momento e eu aceitei.
Claro. No próximo dia 15, Fnac de Leiria, dia 16, Fnac de Coimbra, no dia 21, Talk Fest, em Lisboa, e dia 22, Escola Normal, no Porto. Depois em abril, ainda há passagens por Fnacs de Guimarães, Braga, pelo CAA, em Guimarães, e depois em maio há um concerto também na Casa do Comum, em Lisboa. Como é que te tens dado nas apresentações ao vivo? Fico curioso para perceber como é que é a tua banda ao vivo, quem é que te acompanha, que tipo de lineup é que tens. Gostavas de dizer também do concerto do Music Box, também já passaste por alguns festivais. Há muita diferença? As tuas canções vivem melhor nestas salas um bocadinho mais pequenas ou não?
Eu sinto que as canções tanto ganham sendo a solo como com banda. Claro que a solo é como eu compus, é como as canções nascem. Logo desde aí se sabe se uma música é boa ou não, se funciona ou se não funciona. Quando trago a música para a banda, claro que eles a elevam para outro sítio, porque são profissionais excelentes. Eu tive uma sorte tremenda em encontrar os músicos que me acompanham. Desde já, um obrigada a eles. Posso dizer o nome bem rápido.
Claro.
Afonso Lima, o meu irmão, é guitarrista da minha banda, a Silvia Ferreira nas teclas, de momento, Vasco Trindade no baixo e Maria Carvalho na bateria e às vezes Francisco Santos na bateria.
Adoro o teu sotaque. Quando começas a soltar-te um pouco, começa a sentir-se Algarve na tua voz. Eu sei que isso também me acontece, mas com um sotaque bem mais a norte. Ia perguntar também isso, o Algarve ouve-se na tua música de alguma forma?
Sim, eu sinto muito mais que o Algarve se sente na minha música no meu primeiro EP, porque eu ainda não vivia lá já, mas ia lá muitas vezes e portanto a mesma canção "Murmúrio" fala sobre alguém que não quis vir à minha cidade. Portanto, quem pairar por aqui para ver o mar, tudo isso é paisagem de Lagos, de mar, do Algarve. E "A Casa do Ilhéu" também. Portanto, essas canções respiram Lagos.
"A Casa do Ilhéu" é a tua canção mais ouvida no Spotify.
Pois é.
É engraçado. Estava aqui também a olhar para este "Postal em Branco". Eu gosto muito do single, de resto faz parte aqui da playlist da Rádio Observador. Vais tocá-la aqui numa versão mais acústica daqui a pouco, a fechar este ao vivo. Eu não sei se é porque tem aquele trabalho de guitarras ou de dedilhado de guitarras, que parece-me que há ali qualquer coisa de guitarra portuguesa.
Sim, senhora. Não é guitarra portuguesa, mas é bandolim.
Ok.
É bandolim, porque eu tocava bandolim na tuna, na faculdade, quando eu tirei Administração Pública.
Isto também foi toque do Ben Monteiro, porque aquela canção tem esse tipo de produção a puxar um pouco de raiz popular portuguesa, se quiseres.
Foi mesmo. Ele já sabia que eu tocava bandolim e ele perguntou-me: "Olha, eu acho que poderíamos dar aqui um toque de bandolim, porque é assim, é a tua essência, tu tocas. Deste a conhecer também não só como cantautora, mas como instrumentista. Isto só tem coisas boas e também era bom trazer aqui este lado de música popular portuguesa para as pessoas perceberem que tu não és só um gênero, mas consegues ser vários gêneros ao mesmo tempo."
Muito bem. Marta Lima é a nossa convidada no ao vivo. Passem pelo site da Marta Lima, martalima.com. Tem por lá todas as datas que vão acontecer ainda, março, abril e maio, um pouco por todo o país. Desejo tudo de bom para ti. Gosto muito que tenhas vindo à Rádio Observador.
Obrigada.
E gosto muito da "Postal em Branco". É precisamente essa canção que a Marta Lima vai tocar agora aqui no ao vivo da Rádio Observador. Muito obrigado e muitos parabéns.
Obrigada, Nelson. Obrigada.
Quando quiseres
É prisão que não deixa respirar, falar. Pelo chão, no desfecho. Soluçar meu lar. Joguei fora as cartas para dar. Apanhei para ti. Sou postal em branco. Escreverei em mim. Lai, lai, lai, lai, lai, lai, lai, larai. Lai, lai, lai, lai, lai. Lai, lai, lai, lai, lai, lai, lai, larai. Lai, lai, lai, lai, lai. Escreverei em mim minha pequena mágoa. Sucumbi assim, é segredo meu. Urge a cura e o sonhar ser conto de fadas. Ainda que no fim, eu grito: o mundo ardeu. Almejei a liberdade sem te conhecer. Virei o mundo e outros sem te prometer. Que desta tempestade um dia vá nascer. O tempo, amor, a vida que tu queres viver. E ficar em nós. A vivermos sós. Será maior que outrora. Eu senti, senti que o tempo não marcava história. Joguei fora as cartas para dar. Apanhei para ti. Sou postal em branco. Escreverei em mim. Lai, lai, lai, lai, lai, lai, lai, larai. Lai, lai, lai, lai, lai. Apanhei para ti. Sou postal em branco. Escreverei em mim. Escreverei em mim. Escreverei em mim. Escreverei em mim.
Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.