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9 horas 45 minutos, está no ar o "Ao Vivo das Manhãs 360" e hoje vamos ao teatro. A cultura é segura e vamos falar com Rui Mendes, nosso convidado no "Ao Vivo", protagonista da peça "Prelúdio ao Rei Lear". Está em cena até 6 de dezembro, no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada. Rui Mendes, muito bom dia. Obrigado por estar com a Rádio Observador.

Olá, bom dia. Desculpem a minha voz, que eu estou um bocadinho, a esta hora da manhã, nós temos espetáculo à noite e a peça puxa um bocadinho pras minhas cordas vocais, mas eu vou fazer o possível para ser entendido.

Pode falar mais baixo que a gente está ouvindo perfeitamente e queremos que a sua voz esteja em condições para voltar ao palco mais logo. Mas Rui, fale-nos um pouco desta comédia. Falam-se aqui dos bastidores da famosa peça de "Rei Lear", de Shakespeare, mas esta é uma peça que diz até no press release: "Põe o teatro dentro do teatro". O que é que se passa aqui?

Pois, esta peça é de um autor húngaro, já falecido há bastante tempo, nos anos 50, Ferenc Molnár, mas é um autor extremamente produtivo. Ele escreveu dezenas e dezenas de peças ao longo da sua vida, primeiro na Hungria, onde ele nasceu, depois na Alemanha, onde viveu, depois fugiu com o nazismo para a América. E na América foi muito conhecido no meio do cinema. Imensos filmes, que infelizmente hoje veem-se pouco, porque hoje o cinema é muito sobre a atualidade e sobre os efeitos especiais. Os filmes sobre as peças do Molnár não têm efeitos especiais. Mas, por exemplo, o Billy Wilder, eu gosto de dizer Wilder, porque o nome é polaco, tal como o pai dele era. O Billy Wilder fez nos anos 30 ou 40 um filme chamado "Um, Dois, Três", que já passou em Portugal há muitos anos, e que é extremamente interessante. Ele é um autor de comédias. Aliás, "Prelúdio ao Rei Lear" é uma comédia. A coisa é o seguinte: passa-se num teatro, na noite em que se vai estrear o "Rei Lear", em que a personagem que eu faço vai interpretar, está aí nervosíssimo, porque vai interpretar o Rei Lear, mas por coincidência, durante a tarde, meteu-se numa alhada amorosa e foi encontrado em casa de uma senhora pelo marido dessa mesma senhora. Teve que fugir pela janela da cozinha e foi perseguido pelo outro, que vem com um amigo, com uma pistola na mão e tudo. E ele foge, vai pro teatro e refugia-se no teatro, à espera que o marido apareça. E o marido aparece. Isto para aí uma hora antes da estreia. E depois sucedem uma série de coisas engraçadas e curiosas, e não só engraçadas. A peça é muito interessante porque fala do teatro e da maneira como os atores trabalham e encaram os seus papéis, como é que vivem a vida dos outros, etc. Isso torna a peça muito interessante. Além de ser uma comédia muito divertida.

E é uma peça de teatro em que a verdadeira peça não acontece, não é?

Pois, exatamente. Quando a nossa peça acaba, há uma voz que anuncia: "Vai ser representado finalmente o Rei Lear. O espetáculo dura quatro horas. Por favor, desliguem os vossos telemóveis". Mas isso já não vai acontecer.

Mas cai o pano. Este prelúdio ao Rei Lear tem encenação de Rodrigo Francisco?

Rodrigo Francisco é o atual diretor artístico do Grupo de Teatro de Almada. Mas diga.

Deu-lhe um cunho mais pessoal? Rodrigo deu o seu cunho a este texto?

Claro. Qualquer encenador é sempre um intérprete, é o primeiro intérprete do texto. Embora não o atraiçoando, há sempre uma forma muito pessoal de encarar o texto. E isso é visível na peça. O espetáculo começa às 9 da noite, mas as pessoas não se assustem, porque estão a tempo do confinamento, de chegar a casa, porque a peça dura aproximadamente uma hora, uma hora e poucos minutos. Mas durante essa uma hora e poucos minutos, passa-se muita coisa interessante.

O Rui tem uma carreira absolutamente impressionante. Já interpretou grandes personagens no teatro e no cinema, mas haverá ainda muita gente, como é o meu caso, que cresceu a ver o Duarte, do Duarte e Companhia, que hoje em dia se tornou uma série absolutamente-- desculpe, é pá, é difícil, é muito difícil.

É a nossa faixa etária.

É mesmo uma coisa que marcou mesmo muito. Imagino.

Quase todos os dias há alguém que me fala do Duarte e Companhia.

Pois, imagino.

Hoje, ainda ninguém me tinha falado.

Então pronto, eu fui o primeiro hoje. Ótimo.

Tenho muito gosto em ter feito o Duarte e Companhia, sobretudo a repercussão que teve e que ainda tem hoje.

Eu era fã da Joaninha.

A Joaninha, claro. E o Rocha.

A Joaninha era para se ter chamado Joana Coice de Mula.

Era uma valenta.

Depois não deu, durante as filmagens, para lhe chamar Joaninha. Joaninha Coice de Mula. Era a minha colega, a Paula Mora, que ainda hoje existe, está viva e está no Teatro Nacional. Muito bem. Ainda é vivo o Duarte e Companhia.

Exato, como se vê. Mas deixe-me voltar aqui a uma questão mais erudita, obviamente, que estes meus colegas aqui estão sempre a pedir por Duarte e Companhia.

Ó Paulo, deixa-me interromper antes da pergunta séria. Não vamos falar então da dobragem do Urso Pooh, porque os meus filhos cresceram com o Rui Mendes e o Urso Pooh.

Eu estava nestes últimos tempos a dobrar o Urso Pooh, mas a violência, enfim, o esforço que eu faço durante a peça vocal impediu-me agora durante uns tempos de gravar. Senão seriam gravados mais filmes do Urso Pooh.

Que bom!

Mas Rui Mendes-

Diga, Paulo, vamos a coisas mais sérias.

Coisas sérias, vamos lá. Porque esta peça é acompanhada por umas conversas que acontecem ali no foyer. Quer nos explicar o que é que se passa?

No foyer?

As conversas paralelas a esta peça.

No foyer do Teatro Municipal Joaquim Benite?

Sim.

Algumas conversas com o público, se calhar o Rui não sabe. No sábado ao final da tarde.

Ainda não houve, vai haver.

Vai haver, exatamente.

Tem moderação da Teresa Albuquerque.

Muito bem, ótimo. Vai ser interessante, com certeza. Eu não sei qual é a data da primeira conversa. Parece-me que é dia 5.

Deve ser sábado.

No sábado, não é?

É no sábado, 5, à tarde, parece-me que sim.

Também fiquei curioso para perceber que conversas são estas com o público. Está a ver, eu a tentar ir para conversas mais sérias e pronto.

Mas atenção que no sábado não há espetáculo. Não sei como é que... Eu penso que as datas ainda, porque ainda, não, sábado, dia 5, pois não há, que ainda estamos em meio da pandemia. Não vou garantir agora aqui quais são as datas.

É procurar na internet, com certeza.

Esta informação está, de facto, também no-

Sempre a ser alteradas, quando há mais confinamento, menos confinamento, infelizmente estamos metidos nesta alhada, nesta grande alhada, que eu espero que um dia isto chegue a bom porto. Ou com vacina ou sem vacina, ou quando o vírus resolver, já chega de chatear esta gente, eu vou-me embora, vou-me calar. É isso.

Esperemos todos isso. Na página da Companhia Teatro de Almada, de facto, tem esta referência a estas conversas com o público que podem participar. Presumo que prelúdio ao Rei Lear e o próprio Rei Lear de Shakespeare seja um tema desta conversa. Dizer ainda que para além do Rui Mendes, André Gomes, André Albuquerque, Érica Rodrigues, Jibo Marçal, João Farraia, João Gadelha, João Tempera, Pedro Walter e Rui Mendes é o elenco completo deste prelúdio ao Rei Lear. Passem pela página da Companhia Teatro de Almada. Está em cena no Teatro Municipal Joaquim Benite e foi uma honra e um prazer receber hoje no Ao Vivo, aqui na Rádio Observador, o Rui Mendes. Rui, um cházinho de gengibre é o que recomenda para essa rouquidão?

É a coisa melhor.

É o que eu faço.

Um chá de gengibre com flor de anis e um bocadinho de mel.

Essa do anis não conhecia, vou passar a experimentar. Rui Mendes, muito obrigado.

Tem também canela, mas eu prescindo da canela. Mas põe a flor de anis, que eu juntamente com o gengibre e mel.

Ouçam os sábios conselhos deste Rei Lear que está no prelúdio do Teatro Joaquim Benite. Rui Mendes, nosso convidado hoje no Ao Vivo. Rui, bom resto de dia, um grande abraço.

Muito obrigado, boa saúde.

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