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Já temos conosco a Mariana Chaves. Como lhe disse há pouco, é dia de aprender a comer. Mariana, bem-vinda, boa tarde.

Olá.

Mariana, hoje vamos falar de um tema que eu acho que fui eu que sugeri, porque eu já falei disso várias vezes em off. Eu queria falar aqui de sushi. Queria falar de comida japonesa, porque eu não sei se isto é muito saudável, se não. Eu confesso que exagero um bocadinho, portanto gostava de perceber se estou a ir por um bom caminho ou não.

Olha, é assim: o Japão é conhecido por ser o país que tem o maior número de centenários, pessoas com mais de 100 anos, e o menor risco de doenças que nós consideramos ser as doenças relativas aos nossos comportamentos, que vêm com a idade. As doenças cardiovasculares, cancro, diabetes, Alzheimer, artrite. Portanto, é conhecido que a alimentação que os japoneses fazem é uma alimentação saudável. Agora nós, como ocidentais que somos, temos muita tendência para: "Bom, aquela é a alimentação mais saudável, então vamos lá agarrar nela e adaptar um bocadinho a nossa alimentação ocidental".

Certo.

Eu vou só exemplificar, porque eu hoje gostava mesmo de falar só das coisas positivas da alimentação japonesa, ou seja, quando vamos a um japonês, o que é que temos que nos focar e que não podemos mesmo deixar de comer? Aquilo tem que estar lá. Mas eu queria só fazer esta ressalva, porque acho que nós, portugueses, como o resto da Europa, Estados Unidos, etc, fazemos muito isto com a comida japonesa, que é: "Bom, se isto é bom, eu agora vou fritar, vou pôr maionese".

Pois é.

Conseguimos pôr sardinha frita lá dentro e pele de salmão. Conseguimos dar muitas voltas e que realmente deixe de ser um produto saudável. A alimentação japonesa tem por base realmente ter sempre um arroz, e portanto, cá está, desfazer o mito de que comer arroz faz mal, temos é que cortar nos hidratos de carbono. Eles são os mais saudáveis de todos, os que vivem mais, e eles comem muito arroz. Agora, não é só isso. Eles comem muito arroz com muitos vegetais cozinhados e em picles, ou seja, fermentados. Vou tentar dar aqui um exemplo que talvez algumas pessoas se lembrem da experiência no japonês. Existem umas fatias de pepino que eles trazem às vezes fininhas, com um bocadinho de sésamo.

Certo.

Elas são iniciadas na fermentação, portanto aquilo já está com alguma fermentação. Nós temos a sopa miso, aquele caldo que nos servem, que é como se fosse a sopa deles. O miso é dos alimentos mais fermentados e portanto que melhor nos fazem à saúde. Está definido que os alimentos fermentados, o que é que eles fazem? Primeiro facilitam a digestão. Nós digerimos muito melhor, portanto eu quero ir comer peixe cru? Sim, senhor, eu tenho que comer a minha miso antes, eu estou a respeitar o meu tubo digestivo. Depois, para além de facilitarem a digestão, também têm outro benefício, é que são das comidas mais saudáveis para o intestino. Nós sabemos que funciona como se fosse um prebiótico, ou seja, nós sabemos que o nosso intestino é povoado por bactérias boas e más, chama-se a isso flora intestinal. Nós queremos sempre que seja mais boas do que más, mas para isso temos que dar alimento para que essas boas se reproduzam. E esse alimento chama-se prebiótico, ou seja, esta sopa miso é espetacular nisso. As couves fermentadas. Nós até temos isso um bocadinho na nossa cultura portuguesa. Nós também temos alguns picles na nossa culinária, que são aquelas couves que ficam a fermentar dias e dias. Esta é uma parte importantíssima. Os japoneses têm uma coisa que comem muito no pequeno-almoço, que se chama nato, que é soja fermentada. Claro que eles comem coisas fermentadas ao longo do dia. E nós quando vamos ao japonês, nós na realidade comemos as nossas gorduras saturadas antes, comemos o nosso queijinho, o nosso iogurte e depois vamos ao japonês. Portanto, também temos que contextualizar isto. Não é passar a ter uma alimentação só japonesa, infelizmente, e por isso é que eles estão à nossa frente nisso. Mais coisas importantes: eles consomem muito peixe. Muito mais peixe do que carne. Mesmo sendo este peixe cru, que nós não conseguimos absorver na totalidade a proteína toda, mas na realidade, eles acabam por comer muito menos gordura saturada e gordura animal. Eles têm muitos antioxidantes e flavonoides. Onde é que nós encontramos isso? Nos vegetais todos que eles têm. Estou-me a lembrar do nosso clássico: temos o cebolinho na sopa miso, temos um bocadinho de pepino no nosso sushi, e eu já vou às algas, que obviamente também são antioxidantes e com flavonoides, portanto, que previnem-nos as doenças todas, mas têm mais benefícios e vou deixá-las agora um bocadinho de parte, porque ainda há mais duas coisas importantes no sushi, que é o abacate, rico em vitamina E, altamente antioxidante. Há pessoas que eu noto que nunca experimentaram abacate, mas de repente iniciaram-se quando experimentaram o sushi, porque inevitavelmente de vez em quando aparece.

É verdade, sim, aparece.

E então isso é ótimo, porque é um passinho para experimentarem esse fruto que nos faz tão bem. O chá verde. Se nós formos a um típico japonês e pedirmos o chá deles, é um chá verde arroz tostado, que é um chá verde espetacular, porque tem um aroma a arroz tostado mesmo. Eu na altura em que estudava na faculdade, uma das coisas que eu fazia à noite era exatamente isto. Eu tinha esse chá, porque aquilo cheirava a arroz e eu estava ali entretida. Aquilo saciava bastante, porque o olfato é muito importante na saciedade. Tem esses antioxidantes todos e claro que isso ajuda na prevenção das ditas doenças, que eles não têm tantas. E também tem o consumo de soja regular desde pequeninos. A soja vem de onde? O edamame, que parece aquele feijão verde pequenino, que nós pomos na boca e tiramos os grãos. E mais, tem o tofu, que é uma base de soja, e aqueles quadradinhos que aparecem na sopa miso, mas tem mais formas. Eu estava a falar daquilo do pequeno-almoço, o nato também é grãos de soja fermentado, portanto eles utilizam soja de forma recorrente, que é rica em fitoestrogénios. Os fitoestrogénios têm uma ação conhecida para regular o nosso colesterol, mas também se veio a saber que tem um efeito protetor em cancros hormonais e portanto, eles também têm essa vantagem. Depois têm outra coisa ótima em termos de cultura deles Que as porções se servem de pouco. Eles não servem grandes pratos.

Pois nós é que aqui exageramos.

Nós aqui é menus com não sei quantas peças. Há pouco tempo recebi um paciente que foi a trabalho um mês para o Japão, e me estava a falar: "Eles realmente comem muitas vezes, mesmo a meio da manhã, comem os dumplings, comem sushi, etc., mas eu estou na fila, na rua para ir comer e servem-me duas peças. Eu estava à espera de poder pedir 10 e oito". São mesmo quantidades pequeninas. E para terminar, aquilo que te estava a dizer, Ana, das algas. As algas são como se fossem os vegetais do mar. Primeiro ponto número um que surge logo na cabeça é: se é vegetais do mar, quer dizer que é rico em fibra, portanto, um alimento supersaudável. Ele está lá para dar sabor, mas dar textura, que é importantíssimo. A fibra sacia, a fibra controla a absorção do arroz. Portanto, eu pedir uma taça de arroz só com um sashimi por cima não faz sentido. Eu preciso da alga de fora, aquela alga nori. Ou então daquela alga que se pode pedir, é o wakame. Não sei se vão reconhecer quando ouvirem isto, é aquela alga que vem num pratinho, parecem uns fios verdes, vem com uma semente de sésamo, é ótima. Eu tenho que introduzir essas algas. Claro que também hoje em dia, somos portugueses, gostamos de pepino, e hoje em dia nos pratos também vem o pepino laminado e o nabo ralado. Não sei se as pessoas têm ideia, aqueles fios brancos que parecem os cabelos, é nabo ralado. O nabo ralado tem ótimas características. Também tem na roupa, porque se nos sujarmos com o molho de soja e pusermos o nabo ralado, ele absorve.

Que prática! Que dica tão prática essa. É sério.

É verdade, é ótimo para depois em casa não termos trabalho. Mas no nosso corpo também tem esse efeito, é isso que nós temos que pensar. Se os alimentos têm este efeito prático visual, dentro de nós também. Vão nos ajudar a não absorver tanto as coisas que não queremos que sejam absorvidas. E depois, para além destas vantagens nas algas, também são uma ótima fonte de iodo e de tirosina, que é um aminoácido. Estes dois componentes são importantíssimos para a saúde da tireoide. Nós temos a tireoide saudável e temos que conquistar isso. Não estou a falar de quem tem problemas de saúde. Para além disso, zinco, importantíssimo, vem das algas e normalmente as pessoas que não comem muita carne, etc., normalmente também é aí as fontes de zinco. E se se concentrarem em ter as algas, que é uma coisa que até se adiciona na nossa sopa, se quisermos dar essa volta. Mas conseguimos ter umas boas concentrações de zinco e de vitamina B12. É um mineral e uma vitamina que em regra estão muito presentes na carne, mas podemos ir buscar às algas diretamente. E não sei se tens ideia, mas as algas são uma ótima fonte de ômega-3.

Olha, não sabia.

Ótima. E hoje em dia tem algas crocantes, tipo snack.

Sim, exatamente.

Nós sabemos que com uma colher de sobremesa de algas já conseguimos as 100% de dose diária recomendada de iodo para o nosso dia. Estas são coisas ótimas do sushi. Vamos só pensar nestas. Não se esqueçam: as algas, a sopa, o edamame, o peixe, os vegetais, que eles têm imensos vegetais com cores diferentes, isto é tudo ótimo na alimentação japonesa.

Portanto, nesta edição ficamos com os pontos positivos e eu fiquei cheia de fome agora. Mariana Chaves está sempre conosco neste dia da semana. A esta hora aprendemos a comer. Mariana, obrigada. Até para a semana.

Até para a semana. Obrigada, Ana.

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