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Pedro Lino, bom dia. Vamos aqui a mais uma das grandes questões das nossas vidas financeiras: arrendar ou comprar casa. É uma pergunta que muita gente coloca.
Bom dia, Paulo. Bom dia a todos. É verdade, esta é daquelas perguntas frequentes, até porque estamos com os preços das habitações a subir, por isso comprar uma casa torna-se cada vez mais um desafio.
Sem dúvida. E há aquela frase também antiga: "Pagar renda é deitar dinheiro fora". Será que é mesmo assim?
Pois, vamos ver. Quando pensamos em comprar uma casa, a maioria das pessoas olha sempre para a prestação do crédito. Eu consigo ou não pagar este crédito. Mas atenção que isto é só uma parte do custo, porque a realidade de ser proprietário é outra. É IMI, seguro multirriscos, seguro de vida, condomínio, obras e manutenção, impostos e despesas de aquisição, como o IMT, imposto de selo, etc. Ou seja, uma casa precisa sempre de manutenção. Um telhado tem que ser reparado, um elevador avaria, as fachadas precisam de obras. Uma coisa são as casas novas, mas as casas mais antigas, é preciso que as pessoas percebam que quem compra uma casa, compra também todas as despesas futuras dessa casa.
Claro. E depois há contas que poucas pessoas fazem, que têm a ver com o custo de oportunidade.
É verdade.
O investimento que está a ser feito ali não é feito noutra coisa qualquer.
É verdade. E este conceito económico de custo de oportunidade é um conceito que poucas pessoas pensam, que é aquilo que referiste. No fundo, vamos falar de quando eu compro uma casa por €400 mil e entrego 20%, são 80 mil. A pergunta é: quanto é que estes 80 mil podiam render se fossem investidos a 20 anos? Admitindo, se tivéssemos um produto com uma rentabilidade de 5%, esses 80 mil iam se transformar em 210 mil ao fim de 20 anos. Isto não significa que não se deva comprar uma casa. Significa só que este capital utilizado na entrada de uma casa tem sempre um custo de oportunidade associado. Ou seja, eu estou a comprar a casa, mas então essa casa também tem que valorizar, devia valorizar mais do que os 5% para que o investimento, em termos financeiros, compensasse. Por isso, o que nós temos que saber é, sempre que investimos em alguma coisa, seja num produto financeiro, em imobiliário, estamos automaticamente a abdicar daquele rendimento que esse dinheiro podia usufruir de outro investimento.
Claro. Depois há outra questão fundamental, que é ter a previsão de quanto tempo se vai viver naquela casa.
Sim, eu acho que isso é essencial para se tomar a decisão, que é: prevemos mudar de cidade, mudar de emprego, de país, aumentar a família, vender a casa dentro de poucos anos, porque comprar nesses casos pode não compensar. Por quê? Porque eu comprar e vender uma casa tem custos muito elevados.
Exato, os custos de transação são elevados.
Às vezes até pensamos: "Eu comprei uma casa por 300 mil, vendi por 350, estou a ganhar". Não.
Faça bem as contas.
Provavelmente tem que se fazer bem as contas.
Comissões imobiliárias, impostos.
É, a comissão são os 5% mais o IVA, mais os impostos, etc. Ora, não nos podemos esquecer que temos IMT, imposto de selo, escritura, comissão de imobiliária. Por isso, quanto mais curto for o período de tempo de permanência, mais difícil é recuperar estes custos e por isso a compra pode não compensar. A compra compensa quando temos um horizonte temporal mais longo.
Claro. Depois há que ter em conta, perceber se as taxas de juro continuam ou não a fazer a diferença.
Sim, e hoje vivemos num contexto muito diferente daquele que vivíamos há seis ou sete anos. Mais volátil, tínhamos taxas negativas ou até próximas de zero. Isso significa que decidir comprar uma casa hoje, principalmente sabendo que há crédito à habitação a 30 ou 40 anos, deve ser feita com prudência. E é preciso fazer, mais uma vez, um exercício simples que tínhamos visto na semana passada. Se a prestação aumentar 200 ou 300 € por mês, eu continuo a conseguir pagar, continuo a conseguir suportar esta casa? Porque comprar uma casa não deve colocar em causa o equilíbrio financeiro da família. Provavelmente, tem que se avaliar, mediante este cenário, compro uma casa mais modesta, mais pequena, mantendo uma capacidade de poupança, porque às vezes queremos logo ir para T3, T4, quando se calhar nós temos é capacidade para um T1.
Claro. E, portanto, é preciso ter isso em conta, como é evidente. Depois, casa é obviamente um investimento, resta fazer conta, saber se é um investimento competitivo com outros ou não, como é evidente, como há pouco já viste, mas também é qualidade de vida, não é?
É. Nós estávamos a falar da parte financeira, que os 80 mil podem render 210 mil, mas uma casa também tem outros fatores que não são apenas números. Têm a ver com estabilidade, segurança, adaptar um espaço à família, o sentido de pertença, ou seja, isso não se consegue valorizar. E por isso essa componente emocional, quando nós estamos a decidir arrendar ou comprar uma casa, tem que ser avaliada. O arrendamento, por outro lado, oferece outras vantagens, nomeadamente maior mobilidade. Posso querer mudar de cidade ou de país, menor responsabilidade com a manutenção, principalmente nos edifícios mais antigos, e a flexibilidade de ter que mudar de emprego. Ora, muito bem.
Posso mudar de zona.
Posso mudar de zona. Por isso, nem tudo o que importa numa decisão financeira pode ser medido em euros, porque esta parte emocional não é.
Ou seja, resumindo, este tema, arrendar ou comprar.
Comprar uma casa pode ser uma excelente ideia pela valorização histórica. O património imobiliário tem valorizado bastante, de uma forma superior à inflação e à taxa de juro, mas arrendar também pode ser. Depende de vários fatores, da estabilidade profissional, do tempo que pretendemos permanecer nessa casa. Já vimos que curto prazo não se deve, provavelmente, comprar uma casa. Depende das taxas de juro, da capacidade de poupança e dos objetivos de vida. Por isso, o que devemos reter é que uma boa decisão financeira não é aquela que vai ser apenas maximizar o património, os números, como vimos há pouco, é aquela que permite construir património sem sacrificar a nossa qualidade e tranquilidade. E às vezes isso pode passar pelo arrendamento ou por uma casa menor.
Sem dúvida. Às vezes as respostas mais óbvias não são aquelas que nos vêm primeiro à cabeça. Pedro Lino, boa tarde, bom fim de semana.
Obrigado, bom fim de semana.
Voltamos para a semana.
Bom fim de semana a todos.